Feliz 2022, porque 2021 infelizmente já era…

O ano de 2021 tem que ser utilizado pela oposição para tensionar, para buscar apontar os fracassos deste governo em meio a tragédia que devemos viver. Ele não será ponto de inflexão de uma novo momento para o país. Ele deve ser um pouco mais do fundo do poço

O horizonte para 2021 é muito mais sombrio do que aquele de 31 de dezembro passado quando olhávamos para 2020. Os sinais para os brasileiros eram ruins. Sabia-se que era necessário segurar a onda do governo Bolsonaro e lidar com todas as ameaças institucionais e civilizatórias que isso significa. Mas havia esperança.

Tanto de mobilizações de rua por uma já esperada continuação da crise econômica, quanto de uma reação via Congresso por uma possível perda de popularidade do presidente. E não havia no horizonte a pandemia do Covid-19, que afundou 2020 planetariamente.

Desde este último dia de 2020, não dá pra olhar pra frente e enxergar qualquer coisa que não seja ter que lidar com essa nova realidade da pandemia por todo o ano que virá. Nenhum prognóstico realista trabalha com outra perspectiva. Muito pelo contrário, vários especialistas avaliam que o Covid-19 ainda se fará presente nas nossas vidas em 2022.

Mas, como disse Haddad, além do vírus, no Brasil temos o verme. E ele transforma nossas perspectivas em ainda mais sombrias. O governo não tem um plano de vacinação sério e o presidente desdenha das vacinas. Isso já colocou o Brasil no fim da fila para fechar contratos com as empresas do setor e poder vacinar sua população.

Com tudo isso acontecendo, o mais terrível é que o bolsonarismo tem sido muito (mas muito mesmo) mais competente que a oposição para lidar com esta realidade. Bolsonaro tem se garantido com aproximadamente 35% de aprovação e com isso se coloca como favorito para as eleições de 2022.

Ser favorito para a sua reeleição lhe garante uma condição tranquila do ponto de vista institucional. Ele não governa ameaçado.

Se você chegou até essa parte do texto, deve imaginar que estou completamente pessimista com o futuro. Não, querida leitora e querido leitor, não estou. Porque acho que 2021 é parte de um processo histórico que estamos passando e que não pode ser avaliado solitariamente.

Ele precisará ser vivido, como também 2020, para que o que virá depois não seja apenas uma aplicação de metiolate numa imensa ferida.

O ano de 2021 tem que ser utilizado pela oposição para tensionar, para buscar apontar os fracassos deste governo em meio a tragédia que devemos viver. Ele não será ponto de inflexão de uma novo momento para o país. Ele deve ser um pouco mais do fundo do poço que pode permitir acumular forças se a estratégia de disputa por corações e mentes for bem utilizada.

A oposição precisa reaprender em 2021 a conversar com o povo, para poder fazê-lo com mais precisão em 2022. Para isso será necessário aproveitar 2021 para fortalecer novas lideranças no âmbito popular. Lideranças intermediárias que falem com motoboys, profissionais de telemarketing, garotada do funk e do rap, estudantes, professores, movimento negro, feminista etc.

O ano de 2021 tem por desafio mostrar que a tragédia que estaremos vivendo tem nome e sobrenome. E isso deve ser feito por essas novas lideranças intermediárias que precisam surgir e se fortalecer nas lutas que 2021 pode proporcionar em função da ampliação do desemprego e da miséria.

Em 2021, ao que tudo indica, nem o vírus e nem verme serão derrotados. Mas há grandes chances de se construir caminhos para que isso aconteça em 2022. Por isso, daqui do meu cantinho já estou me contentando com isso. Se 2022 for o ano da virada, já teremos muito o que comemorar

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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Renato Rovai
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