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11 de novembro de 2019, 20h27

Indígenas contra o golpe avançam sobre La Paz e Bolívia está próxima de uma guerra civil

Estive no Chapare cobrindo conflitos entre as forças policiais e cocaleros antes de Evo chegar à presidência do país, na transição de Jorge Quiroga para Gonzalo Sánches de Lozada, em 2002. Ninguém me contou como isso se dá, eu vi.

Ontem a polícia e parte das Forças Armadas forçaram Evo Morales a renunciar. Parecia que num golpe rápido a extrema direita havia eliminado toda e qualquer resistência democrática.

O extremista “Macho Camacho” chegou se ajoelhar no centro do salão principal do palácio do governo com uma bíblia. Enquanto Evo ia paro Chapare, região cocalera de onde se projetou para se tornar presidente da República.

Não havia nada decidido, como analistas sérios ponderavam ontem nas redes.

E no exato momento que escrevo este post, milhares de indígenas avançam para La Paz.

Minha fonte na Bolívia me envia as seguintes informações:


Estamos al borde de una guerra civil.

Gente del MAS molesta por el golpe de Estado ha salido a las calles y se estan enfrentando con la policía.

Les estan quemando las estaciones policiales y quieren retomar plaza Murillo

Nos informan también que la Casa del Pueblo (Congresso) ya tendria francotiradores por si quieren tomarla (esta informação não está confirmada).

Ahorita salir a las calles es peligroso. Los vecinos se estan organizando para defender sus casas.

La policia se ha visto rebasada en El Alto y decidieron replegarse.


A
Bolívia não é para principiantes, muito menos para análises arrogantes e apressadas.

É um país extremamente racista e movido a golpes. É um país dividido geograficamente. É um país onde colonizadores e colonizados ainda disputam em cada centímetro de rua suas tradições.

Ontem, quando alguns falavam da covardia de Evo, eu ponderava que a tradição de luta indígena não é a de guerra tradicional. É de emboscada, de se fingir de morto, de recuar, se amotinar. enganar o inimigo. E de não fugir da luta.

Estive no Chapare cobrindo conflitos entre as forças policiais e cocaleros antes de Evo chegar à presidência do país, na transição de Jorge Quiroga para Gonzalo Sánches de Lozada, em 2002. Ninguém me contou como isso se dá, eu vi.

A organização de vizinhos e de entidades indígenas em algumas regiões já era impressionante. A polícia tinha muita dificuldade em combater nesses territórios. E pelo jeito ainda tem. Hoje ela desceu de El Alto expulsa pela ação de milhares mobilizados, como você pode ver em vídeos que estão aí embaixo.

Não à toa, Evo deixou o Palácio do Governo e foi para o Chapare.

Os indicativos é de que o golpe terá grandes problemas para se consolidar. Com milhares indo para La Paz neste momento, dificilmente o parlamento vai conseguir aceitar a renúncia de Evo amanhã. A não ser que seja a partir de um banho de sangue.

O que tornaria a situação ainda mais complicada.

Veja os vídeos. E espalhe.


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