Março será o mês do lockdown e de uma imensa tragédia humana e você precisa dizer que a culpa é do Bolsonaro

Da primeira vez Bolsonaro ganhou o debate. As pessoas naturalizaram as mortes e passaram a defender em boa medida que não dava pra ficar em casa esperando a pandemia passar.

Março será o mês do lockdown no Brasil. Evidente que não será o país todo que irá fechar, mas boa parte das capitais e regiões metropolitanas vai ter de decretar medidas duras para garantir que a tragédia que vamos viver seja relativamente atenuada.

Sim, a tragédia já está precificada, como dizem os operadores do mercado. Ela vai acontecer.

A questão agora é tentar fazer com que não seja tão dura como alguns dos nossos mais experientes cientistas, Miguel Nicolelis, por exemplo, têm previsto.

A água bateu no andar de cima. O noticiário de hoje dá conta de que há fila na UTI do Sírio-Libânes e que o Einsten tem 104% dos leitos ocupados. Um eufemismo pra dizer que está com gente instalada nos corredores ou aguardando em locais impróprios.

Quando a crise chega no salão de festas e o pianista começa a tocar com água pelo joelho, as coisas mudam. O comandante mesmo a contragosto tem que começar a soltar os botes no mar.

E assim será neste mês de março.

E tudo isso é culpa do presidente Jair Bolsonaro. Não há outro culpado.

Explico.

Se no começo da pandemia o governo tivesse feito a lição de casa e, por um lado, levado a sério todas as medidas de prevenção, convocando o país todo a restringir atividades sociais e públicas, a quantidade de mortos da primeira fase teria sido muito menor. Mas muito menor mesmo, basta ver como a Nova Zelândia se livrou do vírus.

Se por outro lado, o governo tivesse investido tudo em ter vacina, infectologistas calculam que neste momento poderíamos ter 40 milhões de pessoas já vacinadas. Hoje temos 7 milhões. Ou seja, a nova cepa não nos atingiria com tanta força.

E também não precisaríamos, muito provavelmente, parar totalmente a economia de novo para superar o momento.

A política do “não use máscara” e “não fique em casa, enfrente” é que está nos levando parar tudo de novo e que está matando praticamente 10 mil pessoas por semana, 40 mil mortes por mês.

Não é por acaso que chegamos neste ponto traumático e absurdo.

A partir da semana que vem o país vai ter que parar de novo aos poucos e Bolsonaro radicalizará no seu discurso genocida.

E aí que entra no jogo você, caro leitor. Você tem que ir pra cima.

Da primeira vez Bolsonaro ganhou o debate. As pessoas naturalizaram as mortes e passaram a defender em boa medida que não dava pra ficar em casa esperando a pandemia passar. Dessa vez é preciso mostrar ao colega terraplanista do escritório ou àquele tio chato do zap da família que eles também são responsáveis pelas perdas que ocorreram. Pelas perdas econômicas e humanas. Que essa gente ao apostar no risco nos jogou na tragédia. Que eles são cumplices do genocídio.

Você não pode ter medo de dizer isso para o seu interlocutor. Porque senão ele continuará convencendo outras pessoas de que ao fim e ao cabo o presidente genocida é quem está certo. Você, caro leitor, também tem responsabilidade para derrotar o verme. Não basta derrotar o vírus.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.