Blog do Rovai

15 de julho de 2019, 11h27

Movimento Acredito entra em crise com voto de Tabata Amaral

Militantes estão descontentes com atuação da deputada e acreditam que o movimento tem sido usado para "finalidades pessoais"

Jorge Paulo Lemann e Tabata Amaral (Montagem)

O voto da deputada Federal Tabata Amaral (PDT-SP) não gerou crise apenas no partido em que ela foi eleita ou repercussão negativa entre militantes do campo progressista que tinham expectativa com o seu mandato.

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O voto de Tabata e de Felipe Rigoni (PDT-ES) abriu um intenso debate no Movimento Acredito, apoiado por grandes empresários e que lançou 28 candidatos em 13 estados brasileiros na eleição de 2018.

Desses 28 candidatos, três foram eleitos. Alessandro Vieira (Rede) foi o mais votado para o Senado por Sergipe. Felipe Rigoni (PSB-ES) elegeu-se deputado federal com 84 mil votos, sendo o segundo deputado mais votado no seu estado. Mas a estrela do movimento é Tabata Amaral (PDT), eleita com apenas 24 anos e 264 mil votos para deputada federal por São Paulo.

Foi o voto de Tabata Amaral e a forma como ela se explicou para tomar sua decisão que gerou crise no Acredito.

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Uma fonte que participa do movimento em Minas Gerais explicou ao blog que muita gente tem enviado mensagens reclamando do voto de Tábata, expressando frustração pela forma como ela votou e cogitando sair do Acredito. Seriam centenas de mensagens neste sentido nos últimos dias.

Num dos grupos de WhatsAPP do movimento em Belo Horizonte, por exemplo, foi feita uma enquete sobre o voto a favor ou contra a reforma da Previdência aprovada por Tabata Amaral. Dos que votaram, 25 foram contra o voto dela, 2 a favor e 14 se abstiveram.

A fonte que passou essas informações ao blog prefere não se identificar porque ainda pretende continuar no movimento, apesar das críticas e de considerar que as pessoas que financiam o Acredito, que estão principalmente em São Paulo, não têm ouvido a base de militantes do grupo.

Em seu site, o Acredito afirma que pretende “uma renovação de princípios, práticas e pessoas na nossa política. Renovação com uma prioridade: superar nossas profundas desigualdades, barreiras a um projeto de país mais estável, justo e desenvolvido”.

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Estes valores não teriam sido respeitados na opinião de muitos membros do Acredito.

A fonte que passou essas informações ao blog registrou que “é importante ressaltar que há um vácuo entre os membros e a Tabata. Eu, por exemplo, nunca consegui falar com ela. Exatamente, por isso, não aprovo a justificativa dela se basear no Movimento com a finalidade de respaldar o ato cometido”.

E acrescentou: “Infelizmente, acredito que há certa instrumentalização do Movimento para finalidades pessoais”.


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