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24 de janeiro de 2020, 06h56

O condenado Pancrácio é cotado para o Ministério da Segurança e pode derrubar Moro

Se Moro cair, as apostas em Brasília são de que o Ministério da Segurança Pública vai cair no colo do ex-líder da bancada da bala e condenado em primeira instância a quatro anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime semiaberto num processo. E a seis anos e oito meses no segundo.

Os amigos Alberto Fraga e Jair Bolsonaro - Foto: Arquivo

O livro Tormenta, de Thais Oyama, começa com um diálogo que teria acontecido no início da legislatura da Câmara Federal de 2015. Era a primeira vez que os amigos Jair Bolsonaro e Alberto Fraga se encontravam desde o fim do recesso parlamentar.

Fraga, ex-coronel da Polícia Militar em seu quarto mandato na Câmara, Bolsonaro ex-capitão do Exército e que estava entrando no seu sétimo mandato.

A autora do livro lembra que Bolsonaro e Fraga se conhecem desde os anos 1980, quando cursavam a Escola de Educação Física do Exército. A intimidade é tanta que às vezes o ex-capitão chamava o amigo de Pancrácio, nome de uma modalidade de luta da Grécia Antiga em que um contendor só era declarado vitorioso quando o outro já estava quase morto.

“Fraga ganhou o apelido depois de afundar o nariz de um adversário numa luta de boxe na escola militar — tinha 26 anos e a força de um mamute”, conta Oyama.

No dia da conversa, Eduardo Cunha, já eleito presidente da Casa, abria a sessão e Fraga teria dito:

“Tô cansado disso aqui, vou tentar uma majoritária.” Bolsonaro respondeu: “Eu também.” Fraga continuou: “O Senado tá garantido pra mim, mas vou tentar o governo”. E de fato o fez. Candidatou-se a governador do DF e terminou a eleição em sexto lugar, com 5,9% dos votos.

Bolsonaro respondeu: “Eu vou tentar a Presidência da República.” Fraga retira respondido: “Cê tá louco?”. Bolsonaro teve 57 milhões de votos e hoje comanda o país.

Como a conversa era apenas entre duas pessoas, Pancrácio, ou melhor, Fraga, foi quem contou essa história a Thais Oyama, pois a autora diz que não conseguiu entrevistar o presidente.

Pode haver algum exagero aqui ou ali, mas é este o nível da intimidade do ex-deputado, que está prestes a se tornar ministro da Segurança Pública, com o atual presidente da República.

Desde o dia 1 de janeiro ele é considerado em Brasília como “ministro reserva”. Ou seja, um pau para toda obra que tem portas abertas no gabinete presidencial e que a qualquer momento pode assumir uma vaga.

Suas declarações de ontem, polemizando com Moro e dizendo que o ex-juiz não é o responsável pela diminuição da criminalidade não são nada mais nada menos do que falas autorizadas pelo amigo presidente.

“Todo mundo sabe que os números que aí estão foram consequência da criação do Ministério da Segurança Pública quando era isolado (no governo de Michel Temer). Isso é importante dizer. O mérito da redução da criminalidade é das polícias estaduais. É uma covardia dizer que é do Ministério da Justiça e da Segurança Pública”, declarou Fraga, em entrevista ao Jornal O Globo.

Se Moro precisava de um sinal forte para saber qual a exata medida do carinho que o presidente lhe reserva, teve uma excelente demonstração ontem. Pancrácio arrebentou seu nariz publicamente.

Se Moro cair, as apostas em Brasília são de que o Ministério da Segurança Pública vai cair no colo do ex-líder da bancada da bala e condenado em primeira instância a quatro anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime semiaberto num processo. E a seis anos e oito meses no segundo. Motivo, ter recebido propina de uma empresa, quando era secretário de Transportes do ex-governador José Roberto Arruda, cujos vídeos comprando deputados o levaram a perder o cargo no comando do Estado.

 

 


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