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18 de fevereiro de 2020, 14h35

Os petroleiros, a Folha de S. Paulo e a ditadura à Bolsonaro

O grande fato político do momento é a greve dos petroleiros. É a ela e por ela que podemos sair da ditadura à Bolsonaro. É a essa greve que outras categorias do país precisam se juntar. Que os intelectuais precisam apoiar

(Foto: Divulgação/FUP)

Os petroleiros estão dando um curso de pós-graduação em tempo real de como enfrentar o fascismo com todas as dificuldades organizativas. Uma greve que começou pequena, sem grandes mobilizações, não se deixou intimidar e ocupou a sala de negociações da Petrobras.

Cinco dirigentes passaram a partir deste local a criar fatos via internet, utilizando de maneira muito inteligente mídias progressistas e os seus próprios canais, enquanto os outros sindicalistas trabalhavam duro para convencer os trabalhadores a engrossarem o movimento.

E a greve foi crescendo.

De uma maneira absolutamente surpreendente chega ao 18º dia com uma força inimaginável, obrigando o governo e a empresa a recorrerem aos métodos mais abjetos possíveis, como manter grevistas em cárcere privado e tentar trazer trabalhadores inativos para assumir refinarias pagando até 3 mil reais por dia.

Ao mesmo tempo, os petroleiros enfrentam a justiça de Ives Gandra e Toffoli, que age com o mesmo lawfare que levou Lula à cadeia.

Mas os petroleiros sabem que essa greve deles é de “matar ou morrer”. Ou resistem e fazem o governo recuar. Ou a Petrobras será entregue a preço de banana e boa parte da categoria será demitida.

A resistência deles por outro lado, não é só para eles.

Os petroleiros estão enfrentando a ditadura à Bolsonaro e defendendo a democracia.

Sim, senhoras e senhores, ninguém mais do que os petroleiros está defendendo a democracia hoje.

Não são os editorais da Folha de S. Paulo, indignada com o ataque nojento de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello ou os ataques de pelancas de alguns jornalistas que defenderam o golpe contra Dilma que farão Bolsonaro recuar.

Não é com indignação que se derrota o neofascismo neoliberal. É destruindo suas bases a partir da resistência contra o seu projeto econômico.

A ditadura à Bolsonaro não é diferente da de Janine na Bolívia, de Lenín Moreno, no Equador, ou de Piñera no Chile, para ficar só nesses três.

A ditadura à Bolsonaro é um projeto para os países periféricos que passa por um novo ciclo de privatizações e entrega de setores como a previdência, e a área de saúde, educação e energia. Mas para que isso dê certo, se faz necessária a força das armas e das “leis”.

O Judiciário e as Forças Armadas são parte deste projeto neofascista e para derrotá-lo é preciso ganhar as ruas.

Não será um projeto facilmente derrotável, como não foi no Chile e nem no Equador ou mesmo na Bolívia. Mas pode colocar travas e gerar um empate. Como de alguma forma gerou no Chile.

A reação da Folha e de alguns “jornalistas profissionais” que foram cúmplices da vitória de Bolsonaro é bem-vinda. Defender Patrícia de Campos Mello é uma obrigação. Mas ainda hoje a mesma Folha faz um ataque a greve dos petroleiros pela pena de um dos seus colunistas.
Por quê?

Porque eles não querem Bolsonaro, mas querem o golpe econômico.

Todos os resultados pífios desde que Dilma foi golpeada não são sequer avaliados.

Tudo o que já se torrou de reservas também não. Todos os programas socais que estão sendo desmontados, pouco importam.

A ampliação do desemprego e da miséria, menos ainda. Eles só perceberam agora que Bolsonaro é uma ameaça porque quebrou o decoro ao atacar de forma suja e violenta uma repórter.

O mesmo Bolsonaro que votou pelo impeachment dedicando homenageando Ustra, que se divertia introduzindo ratos nas vaginas de presas políticas.

Isso não foi quebra de decoro. Isso foi até engraçado (contém ironia, evidentemente).

O grande fato político do momento é a greve dos petroleiros. É a ela e por ela que podemos sair da ditadura à Bolsonaro. É a essa greve que outras categorias do país precisam se juntar. Que os intelectuais precisam apoiar.

Tudo bem que se somem os outros indignados. Que venham os arrependidos. Mas que saibam que não há acordo possível que não leve em conta uma radical mudança na atual política econômica. É isso que os petroleiros gritam. E este grito é que pode salvar o Brasil.

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