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08 de fevereiro de 2020, 08h20

Por que a disparada do dólar pode levar o Brasil a grandes protestos e muitas greves

Se o dólar se mantiver alto ou vier a subir e a inflação mostrar sua conta para os trabalhadores, algo muito grande pode acontecer. É melhor as lideranças políticas progressistas ficarem de olho não no peixe, mas no gato

jornadas de junho
Foto: Mídia Ninja

O aumento significativo do valor do dólar, que ontem encerrou o dia cotado a R$ 4,32, vai levar a GM a um reajuste no preço de seus automóveis nos próximos dias. A afirmação é do argentino Carlos Zarlenga, presidente da General Motors na América do Sul, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

O executivo afirma que, hoje, 40% das peças de um carro de passeio básico vem do exterior. Isso é resultado de uma política de desindustrialização do país. E com o dólar estabelecido acima dos R$ 4, o aumento projetado para 2020 vai ficar acima do registrado nos anos anteriores.

Segundo o jornal, levantamentos da Bright Consulting, especialista no setor, apontam que os automóveis estão ficando mais caros, pelo menos, 1,5% acima da inflação todos os anos. “Neste ano, o reajuste será maior”, diz Zarlenga, que não descarta queda em volume de vendas por conta disso.

O carro é apenas um dos produtos que devem ter aumento acima da inflação. Os combustíveis que pela atual política de preços adotada Petrobras também são reajustados com base no dólar, deve subir. Além da carne, cuja modelo de produção para exportação acabou dolarizando o preço no mercado interno.

Somam-se a esses produtos, outros como os derivados de trigo, entre eles o pão, já que o Brasil é importador do produto.

Se o dólar se mantiver neste patamar de sexta-feira (7/2) ou ainda vier a subir, a inflação vai voltar muito mais forte do que as atuais previsões do mercado, mesmo com os juros em patamares baixos. Para que isso não aconteça o governo terá de coloca dólares no mercado interno e com isso vai perdendo as reservar acumuladas durantes os governos de Lula e Dilma, o que pode lhe levar a depender de recursos externos novamente.

A economia conduzida por Paulo Guedes patina do ponto de vista dos resultados do emprego e da renda, mas também não consegue gerar crescimento e começa a caminhar para não conseguir segurar a inflação.

Uma situação de alto desemprego com inflação em geral leva a ampliação de greves e protestos. Junte isso a declaração de Guedes de que os funcionários públicos são parasitas e o copo pode estar começando a ficar cheio para surgir a tal gota d´água que o faz transbordar.

O ano de 2020 pode ser muito mais complicado do que as previsões do tal mercado ou mesmo de muitos analistas políticos. Há um cheiro de insatisfação no ar, que vem sendo segurado por 30% de apoio a Bolsonaro, mas que está no limite. O carnaval pode mostrar em fantasias e micagens um pouco disso, mas é no mês de maio e junho, que costumam ser propícios para grandes mobilizações, que a porca pode vir a torcer o rabo.

Se o dólar se mantiver alto ou vier a subir e a inflação mostrar sua conta para os trabalhadores, algo muito grande pode acontecer. É melhor as lideranças políticas progressistas ficarem de olho não no peixe, mas no gato. Não é na eleição que se deve focar agora, mas na insatisfação do povo, que começa a ganhar outros contornos.


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