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13 de fevereiro de 2020, 08h09

Por que Bolsonaro cresce nas pesquisas num momento tão ruim do país

O resultado teria a ver com a economia. Mas por que isso acontece num momento de alto desemprego, diminuição da renda e aumento da miséria e da pobreza?

Jair Bolsonaro durante Solenidade do Programa Lixão Zero da Agenda Nacional de Qualidade Ambiental Urbana (Foto: Carolina Antunes/PR)

Uma pesquisa do Atlas Político divulgada pelo El Pais ontem (12/2) mostra que a popularidade de Bolsonaro voltou a crescer de 27% para 29%, e a reprovação caiu de 42% para 37%. O que lhe garantiria um percentual de 41% de votos hoje num cenário sem Lula e Haddad, do PT, e com Huck, Flávio Dino e João Dória.

Aliás, convenhamos, um cenário muito estranho, porque praticamente improvável. A ausência dos nomes de Ciro Gomes e Fernando Haddad foram, aliás, algo mais do que estranho nesta pesquisa.

Mas, deixando isso de lado e dando crédito aos seus resultados de aprovação e reprovação do governo, que não são contraditórios com os de outros institutos, Bolsonaro está saindo da lama.

E o resultado teria a ver com a economia.

Mas por que isso acontece num momento de alto desemprego, diminuição da renda e aumento da miséria e da pobreza?

A resposta tem no mínimo dois lados. Um deles, é que a elite brasileira, aqueles que ganham acima de 10 salários mínimos, está muito satisfeita com o governo.

Ela, mesmo a parte que não aplica na bolsa de valores, comemora cada ponto a mais no pregão. Agora, são 117 mil. E a expectativa dessa turma é que chegue a 170 mil pontos.

Para muitos a bolsa não serve de nada. Mas eles a usam como índice de sucesso. O deus mercado olha por nós…

Na outra ponta, a precarização começa a fazer fieis. Sim, amigos, as pessoas que perderam o emprego e estão fazendo Uber, Rappi ou trabalhando para qualquer que seja o aplicativo, se veem como novos empreendedores, por mais que você ache isso ridículo.

Eles não têm carteira de trabalho e nem direitos, mas se sentem mais livres do que tendo que “servir” o chefe ou gritar em empregos formais, que também não lhe davam o menor prazer.

No meio desses ainda existe uma vasta gama de aposentados e público mais idoso que foi ganha pelo discurso da moralidade do capitão. Quanto mais velho o eleitor, maior a popularidade do presidente.

Isso quer dizer que Bolsonaro é imbatível e vai ser reeleito? Não. Isso quer dizer que subestimar sua força e poder de ação e reação é burrice.

Eles têm conseguido agir de forma muito inteligente no governo. Fazer quase todas as maldades que nem o PSDB conseguiu fazer. E não acumular um desgaste tão grande que os prejudique no jogo político.

A possibilidade de isso mudar é exatamente pela economia, já que a oposição tem feito pouco. Já há quem preveja que a bolsa brasileira pode estar vivendo uma bolha e que esses 117 mil pontos vão esfarelar. Como também que alta do dólar possa vir a gerar inflação. A soma dessas duas coisas faria o governo ter que mudar de política econômica e teria potencial para abrir uma crise razoável.

Ainda é cedo para cravar o que vai acontecer, mas seja o que for, a oposição precisa descer do salto alto e buscar entender por que o povo ainda acredita num governo que trata funcionários públicos, empregadas domésticas e o trabalhador em geral como malandros ou parasitas.

Certamente não tem a ver com síndrome de Estocolmo, mas há algo que se dá no bojo disso tudo. Uma certa desesperança com todo mundo e uma fé de que pelo menos esse governo deixa eu fazer minhas coisas e lá na frente minha vida vai melhorar. E isso tem um potencial muito maior que os analistas políticos progressistas imaginam.

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