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09 de fevereiro de 2020, 12h49

Quem não suspeitar da “troca de tiros” que matou Adriano da Nobrega ou é muito ingênuo ou muito safado

A pergunta que se deve fazer quando alguém procurado e investigado e é morto é a quem interessa o cadáver?

Jair e Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega (Foto: Montagem)

O capitão miliciano Adriano Magalhães da Nobrega foi assassinado na madrugada deste domingo. A notícia é que o fato se deu numa “troca de tiros”.

Ele é um dos envolvidos e investigados na morte de Marielle Franco e, segundo investigações do Ministério Público, suas contas bancárias foram usadas para abastecer Fabricio Queiroz, o operador financeiro de Flávio Bolsonaro no famoso caso das rachadinhas.

Mas o currículo de Adriano vai além disso, foragido desde janeiro do ano passado, ele é apontado como chefe do grupo de matadores de aluguel, “Escritório do Crime.

A despeito de tudo isso não foi incluído por Sérgio Moro entre os foragidos perigosos que deveriam ser procurados com prioridade pela Polícia Federal.

O que deixa claro que não interessava ao governo Bolsonaro prender Adriano.

A morte de Adriano aconteceu numa troca de tiros. Ele não foi preso. Ele foi morto.

A pergunta que se deve fazer quando alguém procurado e investigado e é morto é a quem interessa o cadáver? Quem se beneficia com a sua morte? Por que uma pessoa com tantas informações seria eliminada?

Quem matou Adriano foi o PM ou o policial civil que atirou? Essa é a pergunta que deve ser feita.

Porque troca de tiros desde sempre foi o subterfúgio utilizado por operações militares para matar “terroristas” ou pessoas que o sistema achava perigosas para o seu interesse.

Na ditadura militar, não foram poucos os que caíram em trocas de tiros. Marighella foi um deles, diga-se. E não cabe qualquer comparação com Adriano da Nobrega.

Também não cabe aqui fazer afirmações peremptórias, mas quem não suspeitar da forma como se deu a morte de Adriano da Nobrega ou é ingênuo ou é pilantra.

Os policias que participaram desta operação têm que ser investigados a fundo. É preciso varrer a vida de cada um deles, é preciso saber quem estava no comando, é preciso checar a conta bancária deles e seus familiares. E isso cabe aos governadores do Rio de Janeiro e da Bahia, já que se tratou de uma operação conjunta das policias desses estados.

O advogado de Adriano da Nobrega já fala em queima de arquivo. Ou seja, deixa claro que foi assassinato. Como eram assassinados aqueles que tombaram em troca de tiros na ditadura.

A PF não vai se meter nisso, como já não tinha se metido por ordem direta de Sérgio Moro.

Cabe aos governadores essa missão democrática. Desvendar o que se esconde na troca de tiros.

 

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