quinta-feira, 24 set 2020
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Trump quer uma guerra mundial para chamar de sua ou só quer fazer cena?

Trump é louco e fascista, mas tem juízo para aquilo que lhe convém. Depois do ataque do Irã às bases dos EUA e de se comprovar que foi o governo iraniano que derrubou o avião ucraniano no Iraque com 60 canadenses, o mínimo que se esperava de Trump era uma reação forte.

Foi o líder americano que começou tudo com um atentado contra uma autoridade do Irã, o general Qasem Suleimani. Foi Trump quem jogou gasolina na fogueira.

Agora, quando o circo pega fogo, recua e fala em “sanções comerciais”. Algo que poderia ter realizado sem ter produzido uma gota de sangue.

A decisão não é à toa. Trump sabe que se forçar muito a barra no Irã, pode levar o mundo a uma das suas piores crises desde a segunda guerra mundial.

Muito dificilmente a uma terceira guerra, como vem nos dizendo com propriedade o professor Reginaldo Nasser, mas há uma crise de imensas proporções.

O preço do petróleo pode explodir, pontos turísticos dos EUA podem ser atacados, o comércio internacional pode perder força, governos da região do Oriente Médio podem ser vítimas de rebelião e Trump seria responsabilizado por tudo isso.

Ou seja, ele tem muito pouco a ganhar neste momento com uma guerra de alta intensidade contra o Irã. Mas tem muito a ganhar com um conflito. Com uma guerra de baixa intensidade. E é nisso que ele aposta.

Por isso recuou. Por isso deu um passo atrás. Por isso, como num jogo de truco, viu o adversário subir na mesa e gritar seis e preferiu não pagar pra ver.

Não espere uma terceira guerra mundial neste conflito Irã x EUA. Sequer é provável algo mais forte. Porque não interessa nem a Trump e nem aos EUA.

O que Trump quer é um inimigo pra chamar de seu, mas sem que as coisas saiam do controle.

Trump conduz o conflito para este caminho. O do covarde, que ataca, grita, se sabe mais forte, mas não vai para o pau porque teme perder um dente ou outro. Trump quer só um inimigo pra lhe ajudar na reeleição. Não quer guerra. Nem regional e muito menos mundial. Quer fazer cena e posar para a plateia. Até o momento este ataque ao Irã foi a coisa mais caricata dos ataques recentes promovidos pelos EUA. Algo tão estúpido quanto bizarro.

Renato Rovai
Renato Rovai
Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.