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23 de março de 2020, 05h01

Um cenário catastrófico que não pode ser descartado…

Reprodução/Redes Sociais

Entre os especialistas da saúde a moderação para não gerar pânico na população é um atributo desejável. Entre jornalistas e analistas políticos, isso não deve ser regra. Muito pelo contrário, esses profissionais tem o dever de ligar o alarme de emergência antecipadamente, antes de o elevador parar. É o que farei neste artigo.

O Brasil caminha para ser um dos países mais afetados pela pandemia do coronavírus e sua consequente crise econômica. Por dois motivos, o primeiro porque temos cidades densamente povoadas e com grandes áreas sem o básico para enfrentar os rigorosos critérios de isolamento e de higiene exigidos para a não proliferação do coronavírus. O segundo, porque o atual governo é o mais despreparado da história do país para enfrentar uma crise dessa proporção. Sim, amigos e amigas, Bolsonaro é pior do que Collor.

Em sendo um dos países mais afetados o Brasil terá infectados na casa do milhões. Só em Nova Iorque já há estimativas de que 6 milhões de pessoas terminem este ano tendo Covid-19. Imagine o que não podemos ter aqui.

Alguns especialistas também preveem que se um remédio ou vacina não for rapidamente descoberto, em pouco tempo todas as famílias dos países mais afetados contarão um morto entre os seus.

É um cenário de caos. Não é algo que acontecerá com certeza, mas que já é debatido.

Neste cenário, a economia do mundo seria dragada em níveis piores do que o crash da bolsa de 1929. Milhões de novos desempregados surgiriam, empresas robustas quebrariam, parte do setor financeiro poderia ir a bancarrota.

E isso poderia acontecer ainda neste ano. Mas também nos seguintes.

Não existe nada que nos garanta que o Covid-19 não continuará a fazer estragos nos próximos anos. Que não voltará mais forte em 21, 22, 23 e assim por diante. E que uma vacina confiável não demore cinco a dez anos para ser descoberta.

Este não é o cenário mais provável, mas pergunte a qualquer cientista se ele não o considera possível.

Com empresas quebradas e milhões de desempregados as pessoas vão pensar menos nos protocolos para se manter longe do contágio do coronavírus e mais nos seus estômagos e no dos seus filhos se o Estado não vier a prover o necessário pra todos os brasileiros.

Se o governo federal ao invés de olhar às pessoas, preferir socorrer a “economia”. Ou seja, as grandes empresas, teremos uma crise humanitária com consequentes desafios sociais de imensas proporções. A violência urbana aumentará muito e os saques a mercados, lojas, caminhões e alimentos etc. se tornarão corriqueiros.

Isso no Brasil.

Em países do continente africano, se o vírus chegar forte, as consequências podem ser ainda mais devastadoras. O mundo pode se tornar um lugar muito mais inóspito do que já é.

Não se trata de ser alarmista. Mas também se trata. Afinal tocar o alarme é uma das funções do jornalismo para que a sociedade se prepare para o pior.

E o pior é um cenário ainda mais devastador do que estou pintando nessas linhas. Porque uma explosão social desta natureza, por exemplo, poderia nos levar a uma ditadura cruel e sanguinária. Que não seria liderada pelo capitão Bolsonaro, pois este inepto já seria deixado de lado numa das primeiras curvas desta crise.

Bolsonaro apostou na gripezinha e não terá condições objetivas de se manter no cargo se a situação piorar muito. Neste caso, pode-se tanto se conseguir um consenso democrático tão amplo que se chegue a um bom termo para substitui-lo ou pode-se cair numa situação terrível, com as Forças Armadas “tomando conta” do país.

Sim, amigas e amigos, estou sendo alarmista. E mantendo-me neste papel de tocador de alarme, aviso que até neoliberais convictos como o presidente da corretora XP, Guilherme Benchimol, defendeu a criação de um ‘plano Marshall’, pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial, para o mundo. E previu 40 milhões de desempregados ou mais para o Brasil nos próximos tempos.

O alarme está tocado.

O resto é com prefeitos, governadores, senadores e deputados responsáveis. Mas também com empresários, sindicalistas, líderes sociais e gente como Lula, Ciro Gomes, FHC, Flávio Dino, Marina Silva, Rui Costa, Rodrigo Maia, Haddad, Boulos, Gilmar Mendes, Lewandowski e mesmo João Doria e outros mais. A situação tende a ser tão dura, mas tão dura nos próximos dias, que não poderemos nos dar ao luxo de fazer bico para alguns neoliberais. Até porque são eles que estão mudando suas perspectivas de mundo. São eles que estão redescobrindo a importância do Estado para a seguridade social. São eles que estão se tornando neokeynesianos.

Trata-se de um momento para superar o desastre e tentar permitir uma possibilidade de futuro ao país. E para isso esses segmentos terão, se a crise explodir, como este artigo alarmista pondera que pode vir a ocorrer, que construir as condições para tirar Bolsonaro e sua tropa de terraplanistas do poder. Porque com eles, a situação se tornará impraticável.

PS: No meio do asfalto sempre nasce uma flor. O vídeo dos médicos cubanos sendo recepcionados ao chegarem na Itália é a demonstração de que a solidariedade pode derrotar o medo e a tirania. Devemos nos inspirar no conteúdo simbólico desta cena.


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