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08 de setembro de 2019, 09h39

Vazamento de como foi feito o grampo de Lula e Dilma mostra as vísceras do crime de Moro, Dallagnol e quadrilha

O vazamento de hoje do The Intercept fecha uma história. Ele mostra que Dilma foi vítima de um golpe arquitetado por uma quadrilha que operava em aparelhos do Estado. Mostra que a trama para prender Lula foi articulada por esses mesmos agentes. Que eles não investigavam para chegar a um cenário real, mas para conseguir qualquer coisa que pudessem amarrar numa história fictícia.

Jornalistas sérios que cobrem Brasília e mantém ao menos meia dúzia de fontes para checar suas análises ou reportagens sabiam que Lula nunca quis ser ministro de Dilma. Sabiam também que só aceitou quando viu a lama do impeachment já no terceiro andar do Palácio do Planalto e que percebeu que ou entrava no jogo ou ele se decidiria contra o governo.

Lula vivenciou uma romaria de pedidos para que aceitasse o cargo de ministro da Casa Civil. A quase todos que iam procurá-lo dizia que Dilma é quem tinha que fazer os movimentos que ele poderia fazer se fosse ao ministério. Que não adiantava nada ele assumir o cargo se a presidenta não aceitasse recompor a relação, entre outros, com Temer e Eduardo Cunha. Que se aceitasse o cargo e a missão, iriam achar que ele estava fugindo da Lava Jato. E ainda brincava, dizendo que aqueles que o indicavam para ser chefiado por Dilma já não queriam mais ser chefiados por ela. Porque entre muitos que lhe pediam isso estavam ex-ministros da petista.

Hoje, a farsa que foi montada para provar exatamente o contrário ficou comprada nos vazamentos do The Intercept. Moro, Dallagnol e outros da quadrilha que montaram o golpe usando aparelhos do Estado estão desmascarados. Ele esconderam 22 conversas de Lula com diferentes atores políticos, Temer incluído, e divulgaram apenas um áudio. Um dos grampos ilegais.

Foi este grampo ilegal de uma conversa com Dilma e Lula, que não comprovava nada do que os agentes públicos da quadrilha faziam crer, que foi parar no Jornal Nacional da Globo. Foi com base neste grampo ilegal que o arrependido Gilmar Mendes impediu que Lula fosse nomeado ministro de Dilma. Foi este áudio que foi usado pelos quadrilheiros da Lava Jato para colocar gente na rua pedindo o impeachment.

A história como sempre faz o trabalho de ir deixando algumas coisas mais claras. Hoje, os familiares daqueles que defendiam a escravidão nas páginas de jornais não querem ter seus nomes associados a eles. Amanhã, o mesmo acontecerá com esta escumalha capitaneada por Moro e Dallagnol.

Mas a pergunta que fica é bem objetiva. Esses agentes que ainda continuam a operar por dentro do Estado para prender uns e soltar outros, para favorecer candidatos que depois os levam para cargos públicos, como o de ministro da Justiça, não vão ser punidos? Continuarão a desfilar suas arrogâncias, prepotências e crimes como troféus? Continuarão a fazer tudo que fizeram contra outras pessoas que os desafiam e os enfrentam? Vão continuar impunes e cometendo crimes?

O vazamento de hoje fecha uma história. Ele mostra que Dilma foi vítima de um golpe arquitetado por uma quadrilha que operava em aparelhos do Estado. Mostra que a trama para prender Lula foi articulada por esses mesmos agentes. Que eles não investigavam para chegar a um cenário real, mas para conseguir qualquer coisa que pudessem amarrar numa história fictícia.

Este crime não prescreveu. Ele mantém Lula na prisão e tornou Bolsonaro presidente e Moro ministro da Justiça. Este crime transformou Dallagnol num riquinho palestrante. E fez com que muita gente se tornasse deputado e senador. Além de governador, como Doria e Witzel.

Este crime mudou o Brasil de forma acachapante. E para pior. Este crime está demolindo a democracia. Ou os criminosos que o cometeram são punidos e se faz justiça por dentro da democracia ou o Brasil se tornará um imenso Bacurau. Entendedores, entenderão.


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