Blog do Rovai

O que o brasileiro pensa?
21 de junho de 2020, 09h18

Wassef é o PC Farias de Bolsonaro e o nome do seu impeachment ou sua renúncia

O foco das investigações precisa ir para o lugar certo, Wassef. Queiroz é só, como sempre foi, o laranja.

O advogado Frederick Wassef e Flávio Bolsonaro (Reprodução)

Frederick Wassef é hoje o elo que pode fechar a corrente do grande esquema de corrupção e crimes envolvendo a família Bolsonaro. Um esquema que ao que tudo indica não tem só relação com grupos milicianos, mas também com o aparelhamento do Estado.

Wassef é advogado tanto de Flávio Bolsonaro quanto de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. E escondeu Fabrício Queiroz em sua casa de Atibaia enquanto se reunia com o presidente e seu filho senador quase todas as semanas para supostamente tratar apenas dos processos.

Wassef na verdade era quem fazia a ponte do ex-assessor com os Bolsonaros. Era o anjo, codinome usado pela esposa e filha de Queiroz para se referir àquele que os protegia e financiava.

Como Wassef fazia isso? Apenas com os honorários advocatícios dos processos? Evidente que não. Agora descobre-se a partir de uma reportagem do UOL e de um artigo de Luís Nassif que o buraco é bem mais em cima.

Que a empresa da considerada ex-esposa de Wassef, Cristina Boner Leo, fundadora da empresa Globalweb Outsourcing, recebeu da gestão Bolsonaro R$ 41,6 milhões entre janeiro de 2019 e junho deste ano. E que, segundo Nassif, Cristina Boner Leo e Frederick Wassef teriam feito uma separação de fachada para proteger os negócios de ambos.

Ou seja, Wassef também seria dono da Globalweb. Wassef teria recursos de sobra para silenciar Queiroz e sua família e ainda resolver outros problemas de Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, agora descobre-se que Wassef foi quem indicou Fabio Wajngarten para a Secom, órgão do governo que maneja toda a publicidade oficial, um orçamento de 328,25 milhões.

O pai de Fábio, o cardiologista Maurício Wajngarten, e o empresário Henri Armand Szlezynger foram membros do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein (coincidência, né?, o Einstein aparecer tanto na vida de Bolsonaro). Szlezynger é pai de Leo Edward Szlezynger, sócio de Wassef.

Wassef é o verdadeiro PC Farias de Bolsonaro. E não Gustavo Bebianno ou Paulo Marinho, como suspeitava-se e que rapidamente foram alijados do jogo.

Aliás, Paulo Marinho, sem ser direto deu a dica em entrevista a Mônica Bergamo, quando explicou em detalhes como havia sido afastado da defesa de Flávio Bolsonaro com o escritório que havia indicado para ser substituído por Wassef.

As investigações para avançar precisam da quebra de sigilo bancário e telefônico de Wassef e sua esposa (e não ex, como explica Nassif). E isso está mais do que justificado porque se Queiroz não era um foragido e Wassef não cometia crime ao escondê-lo, ao mesmo tempo o advogado ao ser o elo entre o assessor e Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro participou da quadrilha, da organização criminosa, já que o MP registra em suas investigações que Queiroz continuava realizando indicações e operando. É por isso, aliás, que está preso.

A quebra do sigilo bancário e telefônico de Wassef e sua esposa e das empresas de ambos se impõe para que se possa apurar se recursos do Estado e de outros negócios regaram o silêncio de Queiroz ou pagaram outras contas da família Bolsonaro.

Se isso vier a ser feito, Wassef abre o bico. Ou faz como Weintraub e foge. O foco das investigações precisa ir para o lugar certo, Wassef. Queiroz é só, como sempre foi, o laranja.


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