Blog do Valdemar

política e teologia

14 de julho de 2016, 19h46

A caixa-preta dos Passaportes Diplomáticos emitidos pelo Itamaraty para contemplar Ministros do Evangelho

Empreendimentos nacionais que deram tão “certo” que foram transformados em produtos tipo exportação. Neopentecostalismo Tropicalista Fundamentalista não cabe em contêiner.
Bispos tão imprescindíveis que precisam demarcar território mundo afora. Pastores de rebanhos tão numerosos sobrevoam suas paróquias nos seus potentes aviões particulares.
O Bispo Edir Macedo fundou a Igreja Universal em 1977. Hoje esse grupo religioso está presente em mais de 200 países, dizem as fontes da própria igreja. O Bispo precisa de um passaporte diplomático.
O Missionário R. R. Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980. Pioneiro com programa diário em horário nobre na TV aberta brasileira. Não se contenta com o provincialismo do Show da Fé. Precisa do passaporte diplomático para se conectar com o mundo que jaz na miséria.
O Apóstolo Estevam Hernandes e a Bispa Sônia Hernandes fundaram a Igreja Apostólica Renascer em Cristo em 1986. O casal Hernandes foi preso ao desembarcar no aeroporto de Miami em 2007. O passaporte diplomático talvez amenizasse o constrangimento.
O Apóstolo Valdemiro Santiago fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus em 1998. A Igreja ainda não é mundial, mas está estabelecida em 27 países segundo dados no site oficial desse grupo religioso. Apóstolo que é Apóstolo precisa de passaporte diplomático.
O Pastor Silas Malafaia é o líder fundador da Associação Vitória em Cristo. Pastoreia a Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O empreendimento eclesiástico tem templos pelo Brasil afora. Engana-se quem o reduz a um pastor nacional. O tele-evangelista divulga no site oficial que o Programa Vitória em Cristo está 30 anos ininterruptos no ar: “Sua versão dublada para o inglês é exibida em mais de 200 países, alcançando cerca de 670 milhões de lares na Europa, no Oriente Médio, na África e na Ásia”. Exagero considerar que tamanho empenho merece compensações do tipo passaporte diplomático?
O Bispo Universal.
O Missionário Internacional.
O Apóstolo Mundial.
O Apóstolo Renascido.
O Tele-evangelista Planetário.
Os caras merecem o passaporte diplomático. “Amém, Igreja?”
Segundo a Revista Forbes, que divulgou a matéria em 2013 “Os cinco pastores mais ricos do Brasil”:
Edir Macedo tem a fortuna estimada em US$ 950 milhões.
Valdemiro Santiago vem em segundo com US$ 220 milhões.
Silas Malafaia é o terceiro mais rico com US$ 150 milhões.
R. R. Soares na quarta posição com algo em torno de US$ 125 milhões.
Os Hernandes figuram em quinto abastados com US$ 65 milhões.
Os milionários em relação à fé comungam das certezas da Teologia da Prosperidade. Portanto, suas riquezas não constrangem. Servem como marketing daquilo que pregam. Vivem o que pregam. Investem tudo na esfera espiritual e esperam abundantes bênçãos materiais. O dualismo não é platônico nestes casos. Preferem a linguagem bíblica rural da lei da semeadura: o que a pessoa plantar, com fé, é o que ela colherá.
Mas, o que suscita a curiosidade para escrever este artigo tem a ver com a política. O crescimento e transbordamento do neopentecostalismo brasileiro precisa de fato das mediações do Itamaraty?
O Ministro das Relações Exteriores do Brasil (MRE), Chanceler José Serra. Além das orações fortes, o que espera como moeda de troca dos passaportes diplomáticos?
A propósito, por que o Itamaraty não abre a caixa preta das concessões de passaportes diplomáticos? Em nome da transparência, os cidadãos brasileiros deviam conhecer os seus “diplomatas” honorários.
Em tempo, o clã da Assembleia de Deus da Convenção de Madureira não consta na lista divulgada pela Revista Forbes. Mas o Bispo Vitalício Manoel Ferreira não foi esquecido pelo Ministro José Serra. São velhos camaradas. O então candidato José Serra à Presidência da República frequentou os púlpitos do clã Ferreira. Prova inconteste que gratidão é algo que os homens desinteressados cortejam.


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