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09 de agosto de 2016, 13h02

O anel olímpico do conluio temer

“Telefone sem fio” é um termo que fala de uma brincadeira que caiu em desuso. Mas, quando crianças, sentávamos em círculo e cochichávamos no ouvido da pessoa ao lado para que ela transmitisse a seguinte. Previsível que o que fora emitido pelo primeiro chegasse ao último participante de forma distorcida.
Nos tempos modernos, aparelhos de comunicação não se enroscam em fios, muito menos interlocutores sentam-se em círculo e se tocam. As distorções ganharam dimensões inimagináveis. O conceito do design tecnológico prima pelo minimalismo. Elegância e potência em objetos micros.
A tocha olímpica chega ao Estado do Rio de Janeiro e por onde passa deixa um rastro de visibilidade. Celebridades se alternam na brincadeira de passar adiante a chama que recebeu. Mas na esquina o espírito olímpico choca-se com o espírito cívico. O grito dos funcionários públicos sem salários foi abafado por filtros de som.
Nos estádios o “#ForaTemer” está sendo abafado pela Força Nacional na cara dura. Não deu para evitar o brado da multidão na cerimônia de abertura das Olimpíadas. Mas as grandes corporações de comunicação não consideraram a vaia ao golpismo um fato jornalístico que merecesse destaque. Simplesmente não deram eco ao som, pois logo a seguir concentraram a cobertura no show pirotécnico. A magia das imagens que valem mais do que milhares de vozes.
No dia seguinte nos deparamos com a notícia de que José Serra recebeu R$ 23 milhões via caixa dois, segundo delações dos executivos da Odebrecht. Assim como foi feito com as vaias na abertura das Olimpíadas no Maracanã, os grupos de comunicação não repercutiram as “ilações” maldosas fora de época e preferiram a agenda esportiva.
Na brincadeira de “telefone sem fio”, havia os gaiatos que de propósito alteravam o conteúdo que ouviam pelo prazer de distorcer. Hoje, no jogo de cena desse golpe fajuto os grupos de comunicação capricham nas edições para que imagens e sons sejam seletivamente veiculadas. Distorções que têm por detrás interesses por contratos, bons negócios, ampliações dos metais preciosos ou dos papéis.
Não quero acreditar que o Judiciário brinca nessa roda da fortuna. O instituto das delações premiadas ainda é recente para ser devidamente avaliado. Os jovens do Ministério Público ainda não chegaram à metade da carreira para serem promovidos a heróis. Seria trágico para nossa jovem democracia se os membros do judiciário utilizassem a cobertura jornalística, mais do que desmoralizada na sua maioria, como caixa de ressonância das suas ambições de protagonismo.
Voltemos aos jogos olímpicos para buscar inspiração. Merecidíssima a honra concedida ao Vanderlei Cordeiro de Lima de acender a pira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos de 2016. Nas Olímpiadas de Atenas em 2004, ele foi agredido e tirado da pista. O resgate do mérito ocorreu em alto estilo. A chama olímpica confundiu-se com a chama brasileira.
Cornelius Horan joga para fora da pista porque não é capaz de correr. Aproveita a visibilidade alheia para tentar roubar a cena com indumentárias absolutamente inadequadas para as circunstâncias.
Polyvios Kossivas joga para a pista porque não suporta usurpadores. Saiu de casa para assistir uma maratona e as circunstâncias o colocaram dentro da corrida. A força desconhecida que temos é despertada, talvez por instinto, na situação limite.
Espero sinceramente que o grande legado dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 seja o despertar da nossa força adormecida. Que os usurpadores sejam desmoralizados e postos fora da pista.
@ValdemarDema


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