Blog do Valdemar

política e teologia

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02 de Maio de 2016, 10h59

O golpe repugnante dos conspiradores bem mais ou menos

Não é preciso ser jurista para concluir que a peça entregue à Câmara dos Deputados solicitando a instalação do processo de impeachment não passa de agouro ensandecido. Como pode algo tão infundado fazer tremer as estruturas da nação? O texto como pretexto.
O dia 17 de abril de 2016 foi patético. Triste espetáculo na casa do povo produzido pelos tribunos de uma moralidade medíocre. Não faltou beijinho no ombro no baile de mascarados que foi motivado pelo “bateu de frente é só tiro, porrada e bomba …”. Eduardo Cunha sentado sobre o Brasil. Impassível para soltar suas flatulências para debaixo da mesa.
O mérito jurídico da sessão extraordinária passou despercebido. Nada ali soava sério. Um vazio incontornável entre a Câmara dos Deputados e a Corte do Supremo Tribunal Federal. O golpe legislativo não deixa de ser golpe porque o processo é político. O silêncio dos juízes pode ser entendido como votos de louvor aos nobres deputados que colocam os interesses do país abaixo das suas mesquinharias?
Os brasileiros assistindo a tudo como jogo de final de campeonato. Fica sempre o constrangimento quando o gol comemorado é sabidamente roubado. O juiz que finge não ver ou interpreta os lances de forma tendenciosa. Era perceptível que estávamos diante de uma farsa federativa de conluios cínicos. Brasileiros e brasileiras em surto patriótico.
Segunda-feira de cinzas que fez pensar em alegorias jurídicas e pirotecnias políticas. Ressaca de um porre homérico.
Como dizer na sala de aula ou na sessão da ONU que as instituições brasileiras são sólidas? O executivo em frangalhos, o legislativo de causar vômito, judiciário sub judice e cobertura “jornalística” como simulacro asqueroso.
EM QUEM CONFIAR?
No vice que quer ser Presidente a base da trapaça?
No ex-presidente FHC que rasga sua biografia no último ato político expressivo da sua ilibada vida pública?
Nos empresários da Fiesp que não querem pagar o pato dos encargos sociais?
No presidente da Câmara equilibrado na corda bamba com a vara da vingança?
Nas insuspeitas investigações do Ministério Público Federal e Polícia Federal?
Nas verdades absolutas daqueles que são premiados se “delatarem” as pessoas certas?
Na cupidez da classe média cosmopolita que reedita a Marcha da Família com Deus pela Liberdade?
No Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que perde o prazo para protocolar o pedido de impedimento e é ridicularizado pelo Deputado Eduardo Cunha?
Na lucidez patriótica com preço tabelado da consultoria Bicudo/Reale/Janaína?
No heroísmo sacrificial da Vossa Excelência Sérgio Moro que deixou de “lavar a jato”?
Nas frases de efeito da Marina Silva que perde o juízo para não perder a pose?
Na cruzada contra a corrupção da Vossa Excelência Senador Aécio Neves?
Na eloquência nazifascista neopentecostal da espécie Malafaia/Bolsonaro/Feliciano?
Nos intelectuais que têm contas a pagar e que dissimulam análises para não perder contratos?
Nos cidadãos que não suportam ouvir vozes discordantes e batem panelas para silenciá-las?
A desconstrução da República Federativa do Brasil está em curso. A Constituição ultrajada e a democracia profanada. A prevalecer o golpe, o malfadado presidencialismo de coalizão dará lugar ao presidencialismo de exceção.
Foto de capa: Antonio Cruz/Agência Brasil
 


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