Blog do Valdemar

política e teologia

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
13 de dezembro de 2016, 15h02

Violência: Igreja foi invadida e está ocupada

Invadiram a igreja. Derrubaram os castiçais e derramaram o incenso. Desta vez foi na igreja de São José. Mas não se trata de um episódio isolado, raro ou acidental. Acontece regularmente o uso da igreja para legitimar os movimentos reacionários na sociedade brasileira.
O Estado com seu braço armado invadiu a igreja, pois precisava de um lugar estratégico para agir. A igreja matriz acomoda-se em torno das prefeituras e câmaras legislativas no Brasil profundo. Lugar mais estratégico não há do que a sacada da igreja para avistar o povo na praça.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) com as portas lacradas. O povo foi despejado da sua casa. Grades de proteção e cordão humano uniformizado. A igreja devia ser o lugar de refúgio. Contudo, ela estava ocupada pela polícia.
Funcionários públicos expulsos do espaço público sem a mínima chance de encontrar abrigo no espaço sagrado. Enquanto o Estado criminaliza, a igreja sataniza.
Quero fazer o gesto do pobrezinho de Assis que deixou a sacada segura para se aventurar atrás da pombinha no telhado. Andarilho que segue os passos errantes da pombinha descobre-se movido pelo vento do Espírito Santo.
A conclusão é simples: o Santo Espírito usa pombas como “iscas” para nos levar para perto do povo. O Vento sopra para fora. O Mistério não se apreende e a pombinha não se deixa adestrar.
A igreja está praticando a teologia reversa. Quando Jesus foi violento, ele o fez porque estavam coisificando as pessoas em função do comércio. Usou o chicote para humanizar o templo. No entanto, não falo do fato isolado que ocorreu na igreja de São José no Rio de Janeiro, mas do que é rotineiro. A partir dos templos, usam armas para fazerem o povo lacrimejar. Armas de efeito moral. Não são letais. Apenas para dispersar.
Nessa lógica o que há de mais sagrado é o mercado. O bezerro de ouro não divide a sua glória. Ao Estado cabe zelar pelas leis adequadas e organizar o poder coercitivo. Os funcionários públicos não são olhados como servidores, mas como peso no orçamento. Pior quando são os inativos que impactam a folha de pagamento.
O ano de 2016 não tem sido fácil. Estudantes ocuparam escolas e movimentos sociais ocuparam espaços públicos. Curioso que a mídia midas deu a mínima, como se nada estivesse acontecendo. Quando a igreja foi ocupada, veja só, quem o fez foi o braço armado do Estado com ampla repercussão midiática.
Percebeu? Estamos diante de uma metáfora da sociedade brasileira contemporânea.
A igreja serve aos movimentos reacionários e em nome da ordem assume discursos extremamente violentos.
Bombas de efeito moral lançadas das sacadas e dos púlpitos têm humilhado e dispersado quem foi à igreja à procura de acolhimento. Na rua, lacrimejam ainda sob o efeito dos gases misturados com incenso sacro.
Francisco desceu do telhado e impulsionado pelo vento saiu do centro, tornou-se excêntrico, habitou na periferia. Foi lá que teve visões na igrejinha em ruínas. O místico que ao procurar Deus dá de cara com o povo e se embrenha na realidade dos que possuindo quase nada resolvem partilhar tudo.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum