Caos no Amapá pode ser colocado na conta da privatização, por Cleber Lourenço

O incêndio que desencadeou o apagão no Amapá foi numa subestação da empresa espanhola Isolux. A Eletronorte está ajudando a contornar a crise. E como sempre, privatiza-se o lucro, mas o prejuízo fica para os cofres públicos.

Em tempos em que a privatização de serviços básicos volta à pauta pública, o caos instaurado no Amapá mostra os impactos que esse tipo de ação pode causar na vida dos brasileiros de forma direta.

Desde 2005, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) sofre com um processo de privatização. A CEA, junto ao governo estadual, mantinha o programa Luz para Viver Melhor, que isentava de pagamento os consumos mensais inferiores a 140 kWh. Porém, o Executivo estadual, que deveria subsidiar essas isenções, deixou de pagar as subvenções, que por sua vez não chegavam à Eletronorte.

E também é desde 2005 que a Aneel faz pressão para que essa privatização ocorra, começando com a exigência de um “plano de reformulação administrativa global”. Sabemos o que isso significa, né?

Este ano, o governo federal deu prazo até junho de 2021 para que o Estado do Amapá realize o leilão de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).

Notem!

Já há quem use a tragédia e caos no estado para fazer panfletagem neoliberal em defesa da privatização, o que pode significar duas coisas: ignorância ou desonestidade.

Foto: Redes sociais.

O incêndio que desencadeou o apagão no Amapá foi numa subestação da empresa espanhola Isolux. A Eletronorte está ajudando a contornar a crise. E como sempre, privatiza-se o lucro, mas o prejuízo fica para os cofres públicos.

Foi um processo de sucateamento da Educação que privilegiou os ensinos Fundamental e Médio privados no País. O mesmo sucateamento que tentar impor a privatização da Saúde Pública, e que privatizou as operadoras estatais de telefonia nos anos 90.

Inclusive, é essa mesma privatização que tentam impor à água e aos serviços de saneamento no Brasil.

Em Itu, no interior de São Paulo, após o aumento abusivo de tarifas, sucateamento de equipamentos e grave racionamento de água, decidiram reestatizar os serviços hídricos da cidade

Em São Paulo, as contas de luz saltaram para valores com até 300% de aumento! Nem os milicianos cariocas são tão abusivos nas cobranças!

Em tempo

O presidente não vai fazer nada? Não, pois ele não é eletricista.

Em tempo 2

Enquanto o Amapá está em colapso, o presidente foi a Alagoas brincar com água e festejar uma obra iniciada nos governos petistas.

Avatar de Cleber Lourenço

Cleber Lourenço

Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito.

E-mail: cleber@ocolunista.com.br