Cinegnose

por Wilson Ferreira

Fórum Educação
28 de abril de 2020, 22h55

Anomalia semiótica do logo “Pró-Brasil 22” revela timing do telecatch Moro X Bolsonaro

"Timing perfeito: ressuscita o esquecido Moro às vésperas da fase mais sinistra da crise sanitária: a eliminação do excesso populacional incapaz de produzir valor econômico". Leia mais no blog Cinegnose

Qual a conexão entre a anomalia semiótica do logo do “Plano Marshall” brasileiro, o Pró-Brasil 22”, para recuperação econômica pós-COVID-19 e o novo telecatch Bolsonaro versus Sérgio Moro? Crianças todas brancas sorridentes e embevecidas olhando para o logo do Governo, como se o Brasil fizesse parte da Escandinávia (deve ser um efeito da Terra Plana…) é um ato falho que revela a programação oculta da bio e necropolítica na atual pandemia coronavírus. E o novo lance da guerra semiótica criptografada (Moro chamando Bolsonaro para dançar) é mais um ícone da interface do sistema operacional rodando em Brasília que não oculta apenas as “backdoors” do tripé que hackeia o sistema (liquidez forçada do sistema financeiro, domínio total de espectro e reengenharia social) – ajuda a monopolizar a narrativa política no jogo direita X extrema-direita, mantendo a esquerda atrás da linha de fundo. Timing perfeito: ressuscita o esquecido Moro às vésperas da fase mais sinistra da crise sanitária: a eliminação do excesso populacional incapaz de produzir valor econômico.

Em postagem anterior, quando esse Cinegnose analisou anomalias semióticas no lançamento da logomarca do então “novo” Governo Temer, observávamos que a marca visual revelava atos falhos: as verdadeiras intenções por trás de uma propaganda política que pretendia expressar progresso, avanço e retomada do desenvolvimento econômico – clique aqui.

Os “atos falhos” que na oportunidade revelavam diversos retrocessos: o desaparecimento da cor verde – predomínio do azul, masculino (a formação de um ministério eminentemente masculino) o estilo geométrico com um sólido geométrico levitando sobre letras com superfície em extrusão – alusão direta ao estilo retro-futurista da velha marca da Globo dos tempos de Hans Donner, que a própria emissora havia abanado.

Ao contrário do logo do atual Governo Bolsonaro, sem atos falhos com uma comunicação direta e sem floreios: replica a polarização que a velha propaganda da ditadura militar nos anos 1970 criou no tom de “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Porém, o logo do novo “Plano Marshall” brasileiro, o “Pró-Brasil 22 (tática diversionista lançada na primeira coletiva do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, para ocultar os verdadeiros propósitos necropolíticos da troca de ministros) revela um importante “ato falho”. Revelador, porque expressa as verdadeiras intenções (aquilo que chamamos de “backdoors” por trás do sistema operacional (SO) que roda em Brasília – clique aqui) da atual janela de oportunidades que se abre com a crise da pandemia COVID-19.

Onde está o ato falho? Ora, nas lindas crianças felizes abaixo do logo do Governo Federal: todas brancas, como se o Brasil repentinamente estivesse localizado entre os países escandinavos (quem sabe, um efeito da planicidade da Terra…), embevecidas e felizes, apontando para o alto. Para a “Pátria Amada Brasil”.

Muito além da tosquice

Para além da tosquice da produção desse logo (é evidente que foto das crianças foi adquirida em algum banco de imagens da Internet e inserida de forma improvisada na composição da peça visual), ela é um ato falho porque se encaixa de forma sincrônica em uma sequência alucinante de telecatchs – entre ela, a última e não menos importante, a demissão do Ministro da Justiça Sérgio Moro:

(a) O presidente negacionista versus o “cientista” ministro demissionário Mandetta;

(b) Bolsonaro preocupado com a Economia versus governadores que querem salvar vidas;

(c) Bolsonaro que fala em fechar Congresso e STF versus Ala Militar contrariada com a manifestação presidencial em frente ao QG de Brasília;

(d) Bolsonaro tentando blindar seus filhos versus Sérgio Moro irritado com a demissão do delegado da PF

(e) Moro pede demissão atirando versus Bolsonaro que afirma não ser um “banana”

(f) E o gran finale: a versão de Bolsonaro versus a versão de Moro na declaração à imprensa sobre intervenções políticas na PF no final da tarde de sexta-feira.

Esses foram e são lances bem calculados da estratégia semiótica da guerra criptografada, telecatchs ou simulações de conflitos. Nos últimos dias praticamente semanais, quanto mais se intensifica a catástrofe humanitária da pandemia do novo coronavírus no território brasileiro.

Muito além da “cortina de fumaça”

Para aqueles que ainda não estão familiarizados com esse conceito, guerra criptografada é uma estratégia militar que não visa apenas tão somente desviar a atenção ou criar uma “cortina de fumaça” diante do respeitável público. Esse é apenas um efeito residual. Seu objetivo principal é embaralhar (criptografar) as informações, criar uma interface de entretenimento para a opinião pública gerando drama, tensão, idas e vindas, mentidos e desmentidos e assim por diante.

E o que existe por trás de toda interface? Um SO com “backdoors” secretos – por trás do SO (a outra camada criptografada depois da interface), no qual estão os atores em piloto automático nos três poderes, estão SOs “homúnculos” (parte oculta do sistema) nos quais rodam os três sub-programas que estão hackeando todo o sistema longe da atenção da opinião pública durante a turbulência global da pandemia COVID-19:

(a) Garantir a liquidez do sistema financeiro com injeções do dinheiro público – socializar as perdas que garantem a maior de concentração de riqueza da História moderna;

(b) Garantir o domínio total do espectro político – circuit braker político colocando em suspensão todas as posições impedindo a ocupação do espaço público com manifestações políticas – sobre esse conceito de “circuit braker” como engenharia social clique aqui;

(c) Reengenharia do controle social – monitoramento dos cidadãos e necropolítica: controle populacional mediante o agenciamento automático de quem vive e quem morre seguindo o modelo darwinista social e eugênico.

Acompanhamos na última semanas a efetividade do programa biopolítico (itens “a” e “b”): a paralisação e escanteamento das esquerdas da narrativa política, concentrada no jogo direita versus extrema-direita e a aprovação de coisas como a PEC do “Orçamento de Guerra” com um ambicioso e vultoso assalto ao cofre público.

E do programa necropolítico: os supostos governadores preocupados em “salvar vidas” decidem iniciar o afrouxamento do isolamento social exatamente no momento em que nos aproximamos do pico das mortes e contaminações – depois que as classes médias foram salvas, agora mandam as classes subalternas de volta para o trabalho para se contaminarem nos abarrotados transportes públicos para morrerem nas periferias.

Afinal, por que, então, o Exército estaria tão interessado em sondar a capacidade dos cemitérios, disponibilidade de sepulturas e logística de sepultamentos diários? – clique aqui. O que comprova a simulação do telecatch entre presidente versus governadores.  E também o timing da inauguração dos sinistros hospitais de campanha: preparação para amortecer essa necropolítica que se abaterá nos grupos socio-economicamente vulneráveis.

O ideal eugenista e darwinista social: a pandemia selecionará os mais aptos…

Daí que o ato falho do logo do programa “Pró-Brasil 22”: aquelas crianças felizes, todas brancas e bem nutridas, é o ideal eugenista e darwinista social desses “backdoors” ocultos no atual SO: “… Ops!… deixamos escapar o nosso modelo de sociedade na versão 2.0 da velha Casa Grande & Senzala”, devem estar pensando os designers de banco de imagens do Governo… 

Moro tira Bolsonaro para dançar

Sérgio Moro andava esquecido: há tempos a agenda da Lava Jato estava fora da grande mídia – não mais acordávamos com aquelas imagens diárias de policiais armados até os dentes com toucas ninja. E com um apresentador de telejornal extasiado em tom épico: “policiais federais nas ruas!”. 

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