Cinegnose

por Wilson Ferreira

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06 de junho de 2017, 15h42

Ataques em Londres consolidam a tática do “meta-terrorismo”

Depois de quase duas décadas de “false flags” e “inside jobs”, desde os ataques de 2001 nos EUA, para justificar a agenda geopolítica norte-americana, esses não-acontecimentos se tornaram autoconscientes. O mesmo roteiro repetido “ad nauseam” se tornou cada vez mais evidente até para veículos de grande mídia com CNN cujos analistas e repórteres vem soltando termos como “psy ops” e “false flags”. Por isso, desde os ataques ao Charlie Hebdo em Paris começamos a acompanhar elementos da tática diversionista do “meta-terrorismo” cujo ápice foi alcançado nesses ataques a London Bridge e Borough Market: policiais flagrados trocando rapidamente de roupa por trás de vans, como estivessem mudando de figurino para desempenhar novos papéis, ou tatuagens nos braços de um dos terroristas mortos (proibido pela religião muçulmana) parecem indícios plantados propositalmente para simular uma produção mal feita, feitos para atrair câmeras e celulares e repercutirem em redes sociais, desmoralizando críticas sérias como “teorias conspiratórias”. Mais camadas de simulações para tornar ainda mais opaco para a opinião pública os não-acontecimentos.

Certa vez esse humilde blogueiro discutia com alunos os conceitos de simulacro e simulação do pensador francês Jean Baudrillard (1929-2007). Sugeri para a classe um episódio hipotético para análise: uma quadrilha vai assaltar um banco usando um engenhoso ardil – o grupo de criminosos iria se passar por uma equipe de filmagem, com atores, câmeras, rebatedores de luz, spots e toda a parafernália de um set de filmagem.

Entrariam no banco, em plena luz do dia e repleto de clientes, combinaria a logística com o gerente e montaria o equipamento diante dos curiosos funcionários e correntistas. E mais: a imprensa seria convidada para assistir a um “ensaio aberto” no qual jornalistas e câmeras de TV poderiam fazer a cobertura.

Ninguém desconfiaria: entrariam e sairiam do banco sob camadas de simulacros e simulações – temos, portanto, (a) o ardil dos criminosos; (b) criminosos que fingem ser atores; (c) “atores” que fingem ser criminosos; e (d) imagens da TV que cobre um evento como fosse “real”.

Os criminosos teriam que simular que estavam simulando um assalto (live action). Mas não poderiam se portar com assaltantes reais: simulariam que eram atores simulando um crime. Enquanto as câmeras de TV mostrariam imagens de uma suposta realidade, os criminoso teriam que propositalmente estereotipar suas linhas de diálogo e atitudes para criar um curioso efeito de realidade: o show de um crime real que se esconde sob a hiper-realidade de supostos atores que encenam um assalto real. 

 

 Confuso? Pois é essa a essência do meta-terrorismo: a false flag ou não-acontecimento autoconsciente cujo estado da arte parece que foi alcançado nesses supostos atentados terroristas na London Bridge e Burough Market.

O objeto do assalto (o dinheiro do banco) no caso é o sequestro da opinião pública pelo medo e terror. Enquanto o atentado que simula ser real (não-acontecimento) paradoxalmente simula a si mesmo como não-acontecimento ou false flag, ao deixar propositalmente pelo caminho das ações dos supostos terroristas linhas soltas, ambiguidades e anomalias como fosse uma encenação mal produzida. 

O mesmo script

O novo atentado de Londres, duas semanas depois do ataque à Arena Manchester, como sempre apresenta a mesma narrativa de Estocolmo, Paris, Nice, Berlim, etc.: os terroristas sempre morrem no final (mortos não falam); são conhecidos pelos serviços de inteligência (o que não impede de cometerem ataques e andarem livremente pelo Reino Unido); 

Exercícios de simulação antiterror foram realizadas no local um pouco antes dos ataques (uma unidade de elite SAS, conhecida como “Blue Thunder Squad” performou exercício de simulação em 19 de março no mesmo local), repetindo os antecedentes dos ataques de 2001 nos EUA, Boston (2013), Paris (2015) , Nice (2016) , Berlim (2016)  e Bruxelas (2016) etc.; 

E a óbvia resposta à pergunta “quem ganha?” com os ataques:  a primeira-ministra Thereza May está apenas um por cento à frente do candidato de oposição do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn. Os ataques em Londres são muito convenientes num momento em que pesquisas apontam uma reviravolta até as eleições de 8 de junho, com o candidato da oposição ultrapassando a outrora favorita Thereza May. Como sempre, busca-se a famosa “bala de prata” a poucos dias que antecedem as eleições gerais. 

Theresa May ganha: unificação pelo terror e medo

Elementos do meta-terrorismo em Londres

Mas esses novos ataques confirmam uma hipótese já sugerida pelo Cinegnose desde os ataques ao Charlie Hebdo em Paris: sobre a narrativa desses não-acontecimentos, está sendo criada uma outra narrativa, por assim dizer, polissêmica – ambiguidades são plantadas para dar margens a várias interpretações, sendo a principal de que tudo não passa de false flag.

Tal como os assaltantes do banco do exemplo acima, temos uma false flag (o roubo do banco da opinião pública) que procura simular ser de fato uma false flag, para que qualquer suspeita séria sobre uma verdadeira false flag seja ridicularizada como “conspiratória”.

Se não, vejamos:

(a) Atores trocando de figurino? 

Há diversas vídeos mostrando homens trocando de roupa por trás das vans da polícia. Vemos um deles, um suposto policial com barba, tirando as calças do uniforme policial e colocando calças cargo militar de camuflagem, semelhantes as de um dos terroristas mortos pela ação policial.

Há algo de Show de Truman nessas imagens, como a cena do filme na qual do protagonista Truman inadvertidamente flagra os bastidores do gigantesco reality show em que vivia. Pronto! Tornou-se uma das pistas de uma false flag em ação: policiais que na verdade seriam atores mudando o vestuário para desempenhar novos papéis.

Mas há algo ainda mais estranho: no vídeo completo, vemos num plano mais aberto a rua e repórteres e cinegrafistas que param para registrar a insólita cena. 

Como assim? Um segredo de bastidores, que se revelado seria a prova cabal da simulação de todo o atentado, exposto para jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas? Numa rua aberta, escondidos apenas por duas vans da polícia? 

Cena propositalmente plantada para incendiar a imaginação das “teorias da conspiração”? 

(b) O colete falso de explosivos

O terrorista morto por policiais usava um colete com explosivos falsos, na verdade latas vazias para emular um homem-bomba. Primeira suspeita: o colete é idêntico aos usados em treinamentos antiterror.

Segundo:  qual a função desse colete para a logística da ação? – saltar da van em Borough Market e entrar e sair de bares e pubs esfaqueando quem cruzasse o caminho.

Somado ao suposto grito de um dos atacantes (“Isso é por Alá!”), estamos diante de uma flagrante estereotipagem do personagem do terrorista.

 


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