Cinegnose

por Wilson Ferreira

14 de julho de 2019, 20h28

Perdida na guerra semiótica, esquerda agora ataca Tabata Amaral

Ela é jovem, bonita, bem articulada, e com um currículo invejável traçado por uma inteligência privilegiada e bem-sucedida. Esse humilde blogueiro sabe que esta analogia pode parecer estranha ou bizarra... Mas Tabata Amaral não passa de uma Juan Guaidó de saias

Fotos: Reprodução

Freak out!”… Chiliques! Decepção! É assim que parte da esquerda está reagindo ao alinhamento da deputada Tabata Amaral à aprovação do texto-base da Reforma da Previdência na Plenária da Câmara. Muita gente se sentiu “traída”, “decepcionada”. Desesperada, desarticulada e sem conseguir entender até agora a atual guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro, a esquerda viu na jovem deputada uma corajosa heroína progressista que humilhou um e enquadrou outro ministro da Educação de um governo truculento. E até acreditou que a reforma não passaria, diante de uma suposta “crise de articulação” do Governo. Bombardeada por informações taticamente dissonantes e contraditórias, está hipnotizada, assim como a serpente de um encantador hindu. Agora descarregam o ressentimento na jovem deputada que sempre foi coerente e alinhada ao saco de maldades neoliberal. Ela é um Juan Guaidó de saias na atual guerra híbrida… Ou acham que Paulo Lemann estaria investindo em fundações que supostamente formariam novas lideranças progressistas?

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“O projeto é impopular e não passa no Congresso… vai dividir a base aliada… como explicar isso [uma Reforma impopular] para a população? (líder do PT no Senado, Humberto Costa)

“Pode voltar pra casa, Guedes. A reforma da previdência não vai passar” (líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta).

“Reforma deve passar, mas meio desidratada” (Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central).

“Crise de articulação política” de Bolsonaro com o Congresso, cravava até a imprensa corporativa.

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Paulo Guedes veio a público, “rechaçando crise com Bolsonaro” e negando hipótese de ser “afastado”.

E por fim, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, supostamente às turras com o presidente, no calor da também suposta “deterioração” do Congresso com o capitão da reserva, acusou que o Governo “é uma usina de crises”. Afirmação repercutida tanto pela grande imprensa e blogosfera progressista, cravando enfaticamente que “nos últimos dias a relação entre Bolsonaro e Maia se deterioraram”.

Acreditava que o Governo ruiria por si mesmo.

A esquerda parece acreditar em qualquer coisa – historicamente, desde que um militante comunista foi calado por um propagandista nazista em 1933 em um debate no Palácio dos Esporte em Berlim; e, nacionalmente, desde que a esquerda institucionalizada e no Poder acreditou que jogando alpiste para a Classe C, a faria se tornar eternamente grata, até vê-la engrossando as hostes de classe média com camisas amarelas nas ruas, levando Bolsonaro ao Governo.

Os números acachapantes da vitória na votação do texto-base da Reforma da Previdência no Plenário da Câmara dos Deputados (379 votos a 131) na última quarta-feira, em primeiro lugar mostra que até aqui, desde as grandes manifestações de 2013, o “tic-tac” da cadência da guerra híbrida e seu resultado (o impeachment de 2016, reformas do saco de maldades neoliberal etc.) continua preciso. Como um relógio suíço.

Sem resistência

Por que? Porque o verdadeiro “Mecanismo” não enfrentou, até aqui, qualquer resistência. Não só por causa do whishful thinking de uma oposição parlamentar que, por ser uma esquerda institucionalizada, precisa ser profissionalmente otimista. Assim como o PT jurídico, às voltas com o incorrigível kantianismo – como se algum a priori ético ou jurídico universal fosse libertar Lula.

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Mas principalmente, porque as esquerdas estão mesmerizadas, assim como a serpente hipnotizada pela forma e movimento do som da flauta de um artista de rua hindu. É o som executado pela guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro – simplesmente as esquerdas estão perdidas no jogo de dissonâncias, contradições, especulações, ditos e contraditos, desmentidos e retrocessos.

Um jogo de guerra semiótica (emulando a mesma estratégia de Trump nos EUA) de tomar para si a pauta midiática e ditar o ritmo do “debate” – aqui, como lá, os presidentes sempre estão sob especulações de impeachment, diante das suas improbidades administrativas.

Como observa criticamente o linguista Noam Chomsky, vejam as primeiras páginas dos jornais dos EUA, supostamente opositores: É só Trump! Trump! Trump!

E aqui no Brasil, é só Bolsonaro!… ou as “caneladas” de algum filho, ministro desvairado ou napoleão de hospício apoiador – sobre isso, clique aqui.

Pobre Tabata Amaral…

No meio de mais uma derrota humilhante (até o último momento, a oposição acreditava em “divisões” na base por suposto atraso dos lotes extras de dinheiro para emendas aos congressistas que apoiassem a Reforma), as esquerdas escolheram um bode expiatório para descarregar o ressentimento: a “pobre” deputada Tabata Amaral.

O que apenas confirma a intensidade do transe hipnótico das esquerdas sob a flauta do clã Bolsonaro – depois da deputada humilhar o então ministro de educação Vélez e enquadrar o atual, Abraham Weintraub, na Comissão de Educação da Câmara, virou uma espécie de musa para os progressistas: a garota que enfrentou a truculência machista própria do atual Governo.

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Mas… Oh! Decepção… fechou a favor da Reforma da Previdência. E, ainda, Tabata comemorou uma suposta “vitória da bancada feminina” nas redes sociais.

Seja por desespero, carência ou ansiedade por querer achar algum personagem que lave a alma de uma esquerda que só apanha, a jovem deputada virou alguma espécie de heroína progressista … mas afinal, qual a surpresa! Por que tanto “freak out”, críticas e chiliques?

Afinal, suas ideias ditas progressistas para a educação (“boas práticas educacionais” e “qualidade” a partir de “soluções” vindas de diferentes cidades pelo país afora) aparecem em um tipo de discurso dotado com a inflexão dos gestores do setor, como se as políticas públicas fossem suprapartidárias, sem a “sujeira” da “política”, uma  “voz jovem” sem os “velhos vícios”, e assim por diante… Algo assim como o espírito do “Gente Que Faz” da Globo…

Juan Guaidó de saias

Ela é jovem, bonita, bem articulada, e com um currículo invejável traçado por uma inteligência privilegiada e bem-sucedida. Esse humilde blogueiro sabe que esta analogia pode parecer estranha ou bizarra… Mas Tabata Amaral não passa de uma Juan Guaidó de saias. Calma! Vamos tentar explicar.

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*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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