Cinegnose

por Wilson Ferreira

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26 de outubro de 2015, 08h38

Top 10 de filmes e séries que estranhamente previram o futuro

A vida imita a arte? Ou há algo mais complexo nas relações entre a ficção midiática e os eventos reais? O Cinegnose tenta dissecar essa questão fazendo o Top 10 dos filmes e séries que supostamente teriam previsto eventos reais como atentados, assassinatos, descobertas científicas e conquistas tecnológicas. Profecias? Coincidências? Ou contaminações sincromísticas do “continuum” midiático que envolve a todos nós?

Para o Gnosticismo a realidade é uma ilusão. Para além das considerações filosóficas, ontológicas ou cosmológicas dessa afirmação, para o Cinegnose a hipótese sincromística seria mais um argumento a favor dessa suspeita gnóstica. Pelo Sincromisticismo, as relações entre a realidade e as narrativas ficcionais midiáticas sobre a realidade são mais complexas do que o velho provérbio de que “a vida imita a arte”.

Haveria uma complexa relação entre os conteúdos midiáticos sedimentados em memes e arquétipos e os acontecimentos sociais, econômicos e políticos. A onipresença dos meios de comunicação criaria um “contínuo midiático atmosférico” que apresentaria estranhas contaminações da ficção na realidade. E o movimento contrário: a realidade contaminando a ficção, de maneira que filmes tornam-se peças de uma agenda (agenda setting) política ou econômica mais ampla.

O exemplo mais atual é o do filme de Ridley Scott Perdido em Marte (The Martian, 2015) que é lançado no momento em que a NASA e o presidente Barack Obama mobilizam esforços para aprovar orçamento no Congresso para o projeto de uma missão tripulada ao planeta vermelho. Logo depois do lançamento do filme, a NASA anuncia a descoberta de água em Marte.

Nesse caso temos uma visível estratégia de relações públicas chamada de agenda setting, tática de criar uma suposta pertinência de uma pauta para a opinião pública.

Mas o caso mais intrigante é como a ficção é capaz de contaminar a realidade, como se fosse uma espécie de neo-platonismo realizado: memes e arquétipos baixam à Terra provenientes do Mundo da Ideias Midiáticas e materializam-se. Algumas vezes de forma trágica.

Vamos examinar dez casos de contaminação da realidade pela ficção – coincidências, profecias, efeitos de imitação (copycat effect) ou eventos sincromísticos.

 

10. Team America (2004) e o ataque ao hospital dos Médicos Sem Fronteiras

Team America: Detonando o Mundo (Team America: World Police, 2004), é uma comédia politicamente incorreta onde os personagens são marionetes em cenas explicitamente violentas com mísseis, artes marciais e tiroteios associados à luta de heróis americanos contra o terrorismo internacional. O Team America (a polícia mundial do título cuja missão é proteger o mundo dos terroristas) é comicamente catastrófica em seus rompantes de heroísmo.

A sequência inicial é impagável. Terroristas muçulmanos aparecem em uma praça em Paris onde estão muitas crianças, mulheres e idosos. Um deles carrega uma mala-bomba. De repente, aparece o Team America numa blitz com mísseis e bazucas. Para derrotar os terroristas, o Team America manda Paris literalmente para os ares. Diante dos parisienses atônitos, o Team America brada: “derrotamos os terroristas”, ao custo de vidas civis. Os Americanos destruíram Paris para deter os terroristas… que planejavam destruir Paris! – veja a cena abaixo.

O bombardeio da força aérea Americana a um hospital no Afeganistão onde atuava a organização Médicos Sem Fronteira, matando 22 pessoas, foi uma mórbida semelhança com a ficção. A resposta inicial das autoridades militares: havia a suspeita de o hospital “abrigar terroristas”. Uma tragicômica repetição do heroism cego do Team America.

Depois a versão mudou para “danos colaterais”. E depois o ataque foi qualificado como “erro”. A amoralidade dos cômicos herois da ficção repete-se de forma trágica no chamado “destino manifesto” a que se arrogam os EUA: de proteger o mundo das “forças do Mal”.

9. As estranhas profecias de Americathon (1979)

 

Em 1979, um filme estranhamente profético foi escrito por Phil Proctor e Peter Bergman, estrelado por John Ritter, Fred Willard, e Harvey Korman.

John Ritter interpreta o presidente de um futuro EUA (1998) imerso na crise financeira e energética. Entre as hilariantes previsões 20 anos no futuro estava que a China iria abraçar o capitalismo e se tornar uma superpotência econômica global. A Nike, à época uma incipiente empresa de calçados no Oregon, iria se tornar um conglomerado multinacional. A URSS entraria em colapso e o Comunismo acabaria. As pessoas iriam pagar bem caro por bebidas de cafés especiais. E os EUA estariam imersos em dívidas com investidores estrangeiros.

Depois da queda do Muro de Berlim em 1989, a atual liderança econômica mundial da China e a crise econômica dos EUA pós explosão da bolha especulativa imobiliária de 2008, será que tudo que Americathon mostrou em 1979 foi mera coincidência?

 

8. Síndrome da China (1979): o vazamento de uma usina nuclear

O ano de 1979 parece ter sido pródigo em profecias. Síndrome da China é a história de dois jornalistas (Michael Douglas e Jane Fonda) que descobrem falhas de segurança em uma central energética nuclear. Depois de testemunharem um quase colapso, Douglas e Fonda convencem Jack Lemmon a expor a riscos da energia nuclear para o mundo.

O filme foi lançado em 1979 e muito criticado pela indústria de energia nuclear como um ato irresponsável e sensacionalista por lucrar com o medo. Porém, apenas 12 dias depois do lançamento do filme uma estação de energia nuclear na Pensilvânia teve um superaquecimento em um dos reatores, levando os técnicos nucleares ao pânico.

Dentro de poucas horas altos níveis de radiação foram encontrados na localidade e uma evacuação foi rapidamente ordenada. Os efeitos foram devastadores para a saúde mental da comunidade local, mas para Hollywood foi uma feliz coincidência: Síndrome da China aproveitou as semelhanças entre os dois eventos e faturou um enorme sucesso de bilheteria.

 

7. Super Mario Bros. (1993) e o atentado do WTC de 2001

Em 1993 deu-se o início dos filmes de videogames: o filme Mario Bros., uma adaptação do game da Nintendo, foi estrelado por Bob Huskins como o Mario, John Lenguizamo como o Luigi e Denis Hopper como o ditador King Koopa. A certa altura do filme quando o nosso universo e o do vilão Koopa começam a se fundir, pessoas e prédios em Nova York começam a desaparecer e passar para o outro universo. O mais notável são os desaparecimentos das torres gêmeas do skyline da cidade.

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