Clara Averbuck

Fórum Educação
23 de abril de 2020, 22h01

Bolsonaro diz a criancinhas que não haverá aborto enquanto ele for presidente; ele está mentindo

O presidente não é pró-vida. Ele carrega a morte nas costas e sangue nas mãos. Sangue de negros, de indígenas, de pobres, de gays, lésbicas, travestis, pessoas trans, de mulheres, todas as pessoas a quem nega humanidade

Jair Bolsonaro - Foto: Isac Nóbrega/PR

“Não queremos aborto”, repetiu em coro um grupo de criancinhas acompanhadas por um padre que abordou o presidente na saída do Palácio da Alvorada dizendo ter um pedido para ele.

“Enquanto eu for presidente não haverá”, respondeu Bolsonaro, e parou para ouvir as crianças cantarem duas canções religiosas. E se foi sem falar com a imprensa.

O presidente Jair Bolsonaro, que defende armas, que disse que iria metralhar a petralhada, que bandido bom é bandido morto, o presidente Bolsonaro, que fala que deus está acima de todos, que levanta uma foto de Jesus Cristo diante de sua meia centena de apoiadores cegos e hidrofóbicos mas acha que a economia está acima da saúde e das vida dos brasileiros.

O presidente que não é pró vida porra nenhuma. Ele carrega a morte nas costas e sangue nas mãos. Sangue de negros, de indígenas, de pobres, de gays, lésbicas, travestis, de mulheres, todas as pessoas a quem nega humanidade. Sangue das mulheres que abortam clandestinamente, sangue das mulheres que morrem tentando abortar e deixam outras crianças sem mãe, sangue, sangue, sangue.

O aborto só é permitido em casos de estupro, se a gravidez oferecer risco à vida da mãe e quando o feto é anencefálico. E permitido entre aspas, aspas enormes, porque a burocracia é tanta que às vezes nem dá tempo. E dá-lhe maternidade compulsória, dá-lhe criminalização da sexualidade da mulher.

Uma em cada cinco mulheres de até 40 anos no Brasil já abortou. O SUS gastou 500 milhões com complicações de aborto clandestino nos últimos dez anos. Mais ou menos 1.500 mulheres abortam ilegalmente no Brasil todos os dias. De acordo com o Ministério da Saúde, o SUS faz abortos legais em 4,5 mulheres. por dia. Se o aborto fosse legal e seguro, o Estado gastaria menos dinheiro. Não é isso que importa? Dinheiro? Vida a gente sabe que não tem valor nenhum pra essa gente sádica, fanática, descompensada, burra.

Uma novidade, asno presidencial: vai continuar tendo aborto, clandestino, perigoso, quer o senhor prometa para as criancinhas, que sequer sabem o que isso significa, que não vai acontecer. E mulheres continuarão morrendo e deixando mais sangue nas suas mãos.


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