Clara Averbuck

O que o brasileiro pensa?
16 de janeiro de 2020, 17h57

Pondé é tão misógino que xinga até mulher que não existe

Filósofo não esconde seu incômodo diante de mulheres independentes. Let it go, Luiz Felipe

Foto: Divulgação

Aquele senhor colunista da Folha que não esconde sua vontade de atirar para todos os lados atacou novamente. Sim, ele, o Pondé. Sempre amargo, sempre reclamando.

Se fosse uma mulher, ele mesmo se chamaria de mal comido; é a cara dele fazer esse tipo de comentário sobre a vida sexual alheia ao mesmo tempo que resmunga sobre “o que deu errado para que fiquemos nos masturbando ao redor de temas sexuais”. Uma eterna punheta, de fato. Uma palavra depois da outra sempre na intenção de minimizar sofrimentos das minorias políticas, sempre carregado de machismo. Perdoem o ad hominem, mas é impossível não ficar imaginando qual foi a feminista que, no passado, machucou esse coraçãozinho e o tornou tão amargo.

O filósofo resolveu fazer uma crítica a um desenho infantil e escreveu, no jornal no qual é colunista, que a princesa Elsa, de Frozen, é “uma chata infeliz que congela o mundo a sua volta e acredita ser autossuficiente na sua miséria afetiva”, como se as pessoas, especialmente as mulheres, precisassem de um par para serem completas, seja ele um homem ou outra mulher. Não me parece que Elsa, uma personagem de ficção, seja o real problema e muito menos que a miséria afetiva seja dela.

A “princesa” é uma personagem que desconstrói o amor romântico, extremamente nocivo às meninas, que vende a ideia de que somos panelas sem tampa ou metades de laranjas, e remete à real sororidade: quando se fala no tal “amor verdadeiro”, nunca se pensa no amor entre irmãs, e, perdoem o spoiler, passar isso para as novas gerações em vez de ensinar que devem esperar o salvamento de um macho que entra pela janela puxando seus cabelos ou te beija dormindo não tem preço.  Pondé, 61 anos, se incomodou com a falta de representatividade masculina no desenho. 61 anos. Um desenho. Da Disney.

Que bom que Elsa é a imagem da mulher empoderada que não precisa de homem e incomoda machistas! Não precisamos mesmo. Algumas de nós até gostam, mas não de você, Luiz Felipe, capaz de se incomodar com uma mulher que nem existe.

Sugiro que desista dessa necessidade de aprovação feminina e trate o recalque, pois esse discurso de oprimido não só não se aplica como soa bastante patético.

Sobrou até pra Greta Thunberg, que foi chamada pelo professor de “histriônica”. Segura esse humor de bile, homem. Engula seu machismo e sua misoginia, capazes de odiar até mulheres ficctícias ou uma menina com idade para ser sua neta. Eu sei, deve ser ruim ver as mulheres crescendo como as águas e não ter nenhum controle sobre isso em sua frágil masculinidade ferida e azeda, mas calma: vai ficar pior.

Melhor.

Com muitas Elsas independentes esnobando esnobes com títulos que nada sabem do mundo.

Lerigô.


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