A cultura da convergência acabou?

Em junho de 2007, o Iphone irá completar 10 anos. Ainda em 2008, Henry Jenkins lançou um livro que seria a base para aqueles que viriam a estudar a nova cultura que estava se formando, a cultura da convergência. Uma cultura que permite ao individuo buscar o conteúdo de seu interesse em diversas plataformas. Entramos […]

Em junho de 2007, o Iphone irá completar 10 anos. Ainda em 2008, Henry Jenkins lançou um livro que seria a base para aqueles que viriam a estudar a nova cultura que estava se formando, a cultura da convergência. Uma cultura que permite ao individuo buscar o conteúdo de seu interesse em diversas plataformas. Entramos na Era do conteúdo Transmídia. Passado 10 anos da apresentação do Iphone, aparelho que popularizou os smartphones e ampliou a convergência midiática, o que vem agora? Pode parecer prematuro fazer essa pergunta passados apenas 10 anos. É um tempo muito curto para que uma cultura nasça, floresça e se consolide, mas a velocidade das transformações é uma característica desses novos tempos. E quando estamos focados na indústria do entretenimento e informação esta pergunta não é prematura, aliás se faz necessária para que essa indústria possa prever e se preparar para o comportamento da audiência. Esse preparo é que move a indústria e que assegura investimentos, a inovação e, consequentemente, os empregos. Se adequar ao futuro não é tarefa fácil. Não vem do simples achismo e nem de previsões exotéricas. Deve ser baseada em dados confiáveis e não podemos esquecer que a desigualdade social não permite que todos os indivíduos de um sociedade vivenciem ao mesmo tempo os aspectos culturais dessa convergência.

Além disso, as políticas de comunicação podem estimular ou criar obstáculos à incorporação dessa cultura da convergência nas camadas mais carentes da população. É o que está em jogo na limitação da banda larga fixa. Há 26 projetos de lei contra e a favor a implantação de franquias limitadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A definição desta regra irá impactar profundamente o consumidor e seu comportamento no uso das diferentes plataformas que permitem a distribuição de conteúdo via internet. É facilmente perceptível como o acesso à informação tem provocado e confrontado os veículos tradicionais de comunicação no Brasil. A quem interessa então limitar o uso da banda larga fixa?

Esse é um debate que está acontecendo nas redes sociais, mas ela atingirá toda nossa sociedade. Sem internet, ou com um uso limitado dela, podemos certamente dizer que a cultura da convergência entrará em declínio. O que virá a seguir?

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Francisco Machado Filho

Francisco Filho é professor Dr. da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP - Campus de Bauru-SP no curso de Jornalismo. Possui graduação em Radio e TV pela FAESA/ES, Mestrado em Mida e Cultura pela UNIMAR/SP e Doutorado em Comunicação Social pela UMESP/SP. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Televisão digital, atuando principalmente nos seguintes temas: TV Digital, Mídias Digitais e internet e modelo de negócios para TV aberta.

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