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20 de dezembro de 2011, 00h22

Boni: a voz da experiência

Aclamado como o maior profissional da televisão brasileira ainda vivo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, volta à frente das câmeras com o lançamento de seu livro de memorias e bastidores da TV Globo. E quando Boni fala, todos o ouvem, principalmente os profissionais de televisão. A impressão é que em todas as suas entrevistas, os jornalistas não fazem uma entrevista, mas sim uma consultoria. Perguntas como: “o que você não faria”, “o que você faria”, “qual o caminho da televisão no Brasil”, “como deve ser o telejornalismo” e etc., permeiam toda a conversa. E, admiravelmente, Boni responde a todas as perguntas de forma direta.
Deixando de lado as falas polêmicas e situações que arranharam a imagem da TV Globo no passado, Boni deu uma aula de televisão aos entrevistadores do programa Roda Viva, nesta segunda (19/12), exibido na TV Cultura, principalmente no quesito gestão. Foi categórico ao afirmar que este modelo de televisão no Brasil está condenado. Ela se tornou um elefante branco, devido à sua estrutura e necessidade de produção para preencher a grade de programação.

O interessante (e que não foi dito), é que esta estrutura foi orquestra pelo próprio Boni, juntamente com Joe Walace, executivo americano que se mudou para o Brasil e foi um dos responsáveis pela criação da estrutura em rede da TV Globo, depois copiada pelas demais. Foi uma pena que nenhum entrevistado questionou Boni sobre pouca regionalização da programação, ou pela demora em se regulamentar a TV por assinatura no país (apenas em 1995), o que permitiu à TV aberta se tornar o gigante que é hoje. Também não se perguntou nada sobre um marco regulatório dos meios de comunicação de massa.

Boni chega a justificar que o posicionamento da TV Globo nos tempos da ditadura se dava exatamente pelo medo de se perder a concessão. Ora, é exatamente a falta de um marco regulatório que permite que este tipo de medo se instale. Não somente pela questão política no passado, mas pela questão economia atual (leia-se a concorrência das empresas de telefonia). A legislação brasileira sobre a radiodifusão é de 1962.

Mas, a verdade é que Boni é mesmo o maior profissional de gestão em TV no país. Sua capacidade de visão é acima da média. Até mesmo em enxergar que um profissional como ele já não teria lugar nessa nova estrutura de comunicação que está se formando com a popularização da internet.

Talvez o único defeito de Boni seja em ser exatamente um apaixonado pela televisão, como ele mesmo diz ser, pois quem é apaixonado só enxerga aquilo que quer ver. Para Boni, a televisão é uma fábrica de sonhos, mas para muitos, uma fábrica de poder. As duas coisas são como água e óleo, não se misturam. Enquanto o poder era necessário, a TV brasileira cresceu e se consolidou como uma das maiores do mundo. Mas, agora são outros tempos. A fragmentação da audiência alterou a relação dos indivíduos com o veículo minando a influência da TV em uma parcela significativa de pessoas.

Quem sabe o caminho seguro para a TV brasileira seja se voltar mais para o espetáculo, entretenimento e informação, em detrimento do uso do poder. Castells já demostrou essa estreita relação entre comunicação e poder e como as novas tecnologias da informação estão alterando esses laços. (clique aqui para ver vídeo)
Seria muito bom se as emissoras de televisão se preocupassem apenas com uma coisa: fazer televisão e não política.

Foto: Internet

Serviço:
Editora: Casa da Palavra
Autor: J.B.DE OLIVEIRA SOBRINHO (BONI)
Origem: Nacional
Ano: 2011
Edição: 1
Número de páginas: 352


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