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25 de agosto de 2010, 14h43

SET 2010 – Não dá mais para negar

O Congresso da sociedade de Engenharia de Televisão de 2010, já pode ser considerado como o evento que marcou a mudança do posicionamento das emissoras de TV aberta no Brasil quanto a convergência tecnológica e evolução de outras plataformas de distribuição de conteúdo. Até então, executivos não se furtavam a afirmar que no Brasil a convergência não era um grande desafio às emissoras, pois a penetração da Banda Larga e abrangência das modalidades de TV por assinatura não representavam grandes riscos ao modelo de negócios da TV Digital, e deveriam ser consideradas mais como aliadas e não concorrentes.

Mas, há um modo de se derrubar todas as suposições e achismos que surgem a cada encontro, entrevista ou debates: números. E ao que parece, os números começaram a chamar a atenção dos radiodifusores e não se pode negar mais que um cenário desfavorável para a emissoras de TV aberta no país está se formando, e que a fragmentação da audiência está se tornando um problema real para a TV aberta.
Na sessão de abertura do Congresso, a fala dos principais representantes dos segmentos envolvidos deixou claro que alguma coisa tem que começar a ser feita para lidar com esta situação. Desde a presidente da SET, Liliana Nakonechnyi, que esboçou as tendências da convergência e explicitou as várias modalidades de distribuição de conteúdo (IPTV, TV Conectada, TV por assinatura etc.) passando pelas mudanças na política do comunicação no Brasil (PL 116), passando por Amilcare Dalevo, proprietário da RedeTV, onde afirmou que o espectador mudou e que as empresas de comunicação devem ofertar conteúdo e formas de acesso para esse novo consumidor, até o representante da Casa Civil, André Barbosa, que afirmou enfaticamente, que a TV Digital brasileira só terá sucesso se for pensada de uma forma integrada e não excludente.

São discursos importantes, pois deixam claro que os radiodifusores aceitaram que o problema é real. Estão percebendo que está ocorrendo no Brasil um avanço tecnológico que não acontecia desde o ano 2001, quando a Banda Larga começou a chegar às residências. Agora, com o Plano Nacional de Banda Larga e a entrada de novas operadoras de TV paga, não dá mais para negar que o modelo de negócios da TV aberta está sendo desafiado. E isto, trás inúmeras implicações, tanto sociais como políticas.

O primeiro passo foi dado: estão encarando o problema de frente, o que fazer agora é outra questão.


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