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13 de julho de 2019, 10h09

Dudu on the table, por Leandro Fortes

Ter Eduardo Bolsonaro como embaixador será uma forma de manter o Brasil preso a uma coleira diplomática inédita, submetido à força e às vontades das corporações americanas em troca de afagos, bugingangas e bonés

Foto: Reprodução

Não é cortina de fumaça, como insistem e querem os plantonistas de redes sociais.

A indicação de Eduardo, pelo pai, Jair, à Embaixada do Brasil, em Washington, é uma ação coerente e, de certa forma, construída para dar certo dentro desse universo paralelo montado no Palácio do Planalto.

É, por assim dizer, uma prerrogativa dessa interface delirante onde Bolsonaro é, de fato, livre para governar. Tudo o mais – economia, saúde, educação, cultura, ciência, tecnologia – depende das decisões do mercado financeiro e de lobistas internacionais associados, basicamente, aos interesses dos Estados Unidos.

Donald Trump percebeu, desde o início, que o 03, por ser um adolescente intelectualmente limítrofe, exatamente como o pai, seria uma peça fácil de manipular.

Tê-lo como embaixador será uma forma de manter o Brasil preso a uma coleira diplomática inédita, submetido à força e às vontades das corporações americanas em troca de afagos, bugingangas e bonés.

Ao mesmo tempo, a indicação do próprio filho, acima da lei e alheio ao ridículo, ao cargo de embaixador, dá a Bozo a sensação fantasiosa de poder.

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É um momento agregado ao teatro de fantoches do qual também fazem parte ministros, generais e o deputado Hélio Negão quando se perfilam, ao lado do presidente, em transmissões ao vivo.

Ali, sentado lado a lado com seus asseclas, como em um simulacro de inquisição com tradução em libras, Bozo tem permissão para brincar de presidente, ao mesmo tempo em que alimenta o gado que o idolatra com rações diversas de ódio, ignorância e preconceito.

Nesse delírio permitido de República, Eduardo Bolsonaro é o nome perfeito para embaixador nos EUA. E não apenas pelo feito admirável de ter fritado hambúrgueres no frio glacial do Maine, aliás, no que parece ter sido uma ocupação ilegal, para um intercambista.

Mas porque, no fundo, temos que viver essa experiência antes de, em um futuro próximo, nos debruçarmos sobre essa época e, finalmente, entender as razões que levaram quase 60 milhões de pessoas a eleger um presidente da República demente cercado de filhos idiotas.

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