Fala que eu discuto

Lelê Teles Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.

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12 de dezembro de 2016, 12h52

diga-me com quem andas…

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e direi quem são os seus amigos.

sujeitos avessos à lei costumam abrir mão de seus nomes de batismo e adotam um nome de guerra, criando assim uma identidade antissocial.

esses facínoras inventam vulgos para si mesmos ou recebem apelidos que os caracterizam no mundo da criminalidade.

disso todos nós o sabemos.

no bando de virgulino, ele mesmo era o lampião, o clarão que iluminava a noite cuspindo fogo de bacamartes, arrancando fagulhas de pedras com o arrastar de facões, aterrorizando o mundo.

com ele se esquivava pela caatinga, matando e dançando xaxado, sujeitos de nomes não menos temíveis como gavião, meia-noite, bala-seca, jararaca, corisco…

vai vendo.

no início dos anos oitenta surgiram nas cidades os bandoleiros-traficantes.

foi a vez do trio gordo, meio-quilo e escadinha apavorar o ridjanêro, balneário que vivia sob a lei dos fora da lei do comando vermelho.

o power trio foi pioneiro de uma criminalidade que se organizava nas íngremes paisagens atijoladas das favelas.

depois deles vieram beira-mar, canela de vidro, uê, cagado, piolho, chulé, boca murcha, piroca, sem pescoço, gardenal, cara de cavalo, sem cérebro etc.

o tal meio-quilo, traficante de responsa que morreu ao cair de um helicóptero que lhe garantiria uma fuga espetacular do presídio, chegou a namorar a filha do vice-governador do estado.

vai vendo.

e por falar em ridjanêro, o time de bangu 8 pode ganhar reforço.

além do cabeça de guardanapo – e sua consorte com muito azar – tudo indica que dois meios-de-campo de peso estão chegando: big foot e edward peace.

um por ter dado continuidade à brincadeira do guardanapo, o outro por brincar de esconder dinheiro na olimpíada.

mas, porém, contudo e todavia… no campeonato interestadual de pelada entre presidiários, o time de cabral terá um duro embate com o time que vai se formando em curitiba.

dizem até que cabral conseguiu uma transferência provisória para a cadeia do caipira-da-fala-fina para estudar o esquema tático do adversário após a globo vazar a escalação do escrete curitibano.

foi um executivo da odebrecht (ode à brecht?) quem passou a lista para a imprensa, veja com exclusividade os convocados:

santo, reitor, pino, caju, gripado, angorá, babel, caranguejo, misericórdia, mineirinho, boca mole e todo feio…

nosso time de comentaristas disseca o plantel e mostra quem é quem: babel é aquele que tentou liberar a construção de um zigurate com mais de cem metros de altura para tentar, dali, meter a mão no bolso de deus.

mas com a ajuda de satanás, a torre de babel foi implodida ainda na fase do alicerce, como na bíblia.

o tal babel, gordo como uma porca, acreditava que tinha as costas quentes, porém foi surpreendido com um balde de água fria, uma espécie de ice bucket challenge versão baiana.

agora, para entrar em forma, o construtor de zigurates se prepara para fazer um regime forçado comendo quentinha azeda em curitiba.

mas já tem gente querendo armar um tapetão.

outro dia, um juiz de uma região agrícola do sul do país, o árbitro mais arbitrário da história, gargalhava em um convescote com o centro-avante do escrete da odebrecht, o tal mineirinho funga-funga, aquele que não sabe perder.

o que faziam os dois ali, às vésperas da escalação?, perguntavam os torcedores.

será que combinavam o resultado da partida? é possível, visto que ali também se encontravam dois outros pernas-de-pau da mesma equipe, a dupla de pontas-de-lança santo e careca, atletas de cristo, daqueles que depois de um gol ajoelham-se no gramado e sacam a testeira 100% jesus.

o nobilíssimo reitor, ao que tudo indica, é o cérebro do time. pernambucano radicado em brasília, é conhecido por já ter jogado em diversos times; embora manjado, esse gosta de esconder o jogo.

boca mole é aquele zagueirão do piauí, um tipo truculento que esquece a bola e já vai na canela do adversário. costuma jogar com dois ovos na boca.

caju é o goleiro, o cabra que segura todas. versátil, pode também ser usado como massagista e estancador de sangrias.

caranguejo é o coringa. sangue frio, flutua com desenvoltura por todo o campo, é ele quem distribui as jogadas e quem sobe à área para cabecear.

todo feio acaba de chegar da terceira divisão e foi escolhido para dar um susto na zaga adversária.

o técnico, mt, uma espécie de vanderlei luxen burro, é também conhecido como piloto de trem fantasma, mordomo do conde drácula e jaburu usurpador.

mt é um técnico cagão, joga na defensiva e muda o esquema tático a todos momento, é só alguém da globo reclamar que ele substitui um jogador.

ninguém o queria para técnico, ele chegou lá puxando o tapete vermelho da outra titular. segundo nizan guanaes, a popularidade de mt nasce do fato de ele ser muito impopular.

mesmo com todas essas descrendenciais, o veterano mt participa dessas peladas em brasília desde os tempos em que a bola era quadrada.

galáticos, o passe de cada um supera os craques do barcelona, todos são patrocinados por grandes empreiteiras.

façam suas apostas.

o time vestirá uniforme listrado e tornozeleira eletrônica.

palavra da salvação.

 

 

 


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