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01 de abril de 2019, 18h21

Hospital não se posiciona sobre a causa da morte de Arthur, neto de Lula

Criança não morreu de meningite meningogócica, conforme informado pelo Hospital Bartira; secretaria de Saúde de Santo André, assim como o hospital, também não se posicionou sobre o diagnóstico errado

Lula e o neto, Arthur (Reprodução)

A despeito das insistentes tentativas da reportagem da Fórum, o Hospital Bartira ainda não se manifestou sobre a informação veiculada com exclusividade pelo Blog do Rovai, na última sexta-feira (29), de que Arthur Lula da Silva, neto do ex-presidente Lula, não morreu de meningite meningogócica, como divulgado pela instituição.

A confirmação do real motivo da morte de Arthur foi apontada pelo Instituto Adolf Lutz (vinculado ao estado), a pedido do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), médico infectologista, que, no velório do garoto, que foi a óbito aos 7 anos no dia 1º de março, ouviu relato de familiares sobre dúvidas quanto ao diagnóstico do hospital.

Os resultados que confirmaram a suspeita da família ficaram prontos no dia 8 de março e foram informados ao Hospital Bartira e à Secretaria de Saúde de Santo André no dia 11, mas nenhum dos três órgãos envolvidos deu publicidade à informação, apesar de sua grande repercussão e de suas implicações, inclusive, no controle epidemiológico.

O agravante é de que a notícia e a – falsa – causa do óbito de Arthur foram noticiadas ao jornalista Ancelo Gois, de O Globo, nove minutos após a morte do neto de Lula.

Sem outro lado

Os primeiros pedidos de manifestação ao hospital, ao município e ao estado foram feitos por e-mail ainda na noite de sexta-feira (29), diante do insucesso de conseguir contato telefônico. No caso do hospital, foi informado à reportagem que não havia responsáveis para tratar do assunto no momento.

Já nesta segunda-feira (01), a assessoria de imprensa no estado de São Paulo da Rede D’or São Luiz, da qual faz parte o Hospital Bartira, foi acionada pela Fórum por e-mail às 9h32. Às 9h34, a reportagem acionou o serviço, via WhasApp, pelo telefone disponível no site da organização, para o qual as ligações não eram completadas. As mensagens enviadas pelo aplicativo, contudo, chegaram ao número.

Na tentativa de garantir o espaço para que o hospital se manifeste sobre o assunto, a assessoria da Rede D’or no Rio de Janeiro também foi acionada, a partir de duas ligações telefônicas no período da manhã. O profissional responsável se comprometeu a mediar o contato com a equipe de São Paulo, mas, à tarde, não atendeu nova ligação da Fórum.

Quanto à secretaria municipal de Saúde de Santo André, após contatos telefônicos na manhã desta segunda-feira (01), as demandas da reportagem foram encaminhadas por e-mail  às 10h47.

Por volta das 22h, Fórum recebeu, através de terceiros, uma nota da prefeitura de Santo André confirmando que Arthur não morreu de meningite meningogócica. O documento, no entanto, não responde à pergunta feira pela reportagem dos motivos pelos quais o erro médico não foi publicizado pela prefeitura, uma vez que a informação sobre o diagnóstico errado foi repassada há três semanas. Confira a nota aqui.

Já a secretaria de Saúde do Estado de São Paulo se isentou, informando que não cabe ao órgão se posicionar sobre o caso já que a responsabilidade seria inteiramente da prefeitura de Santo André e do hospital.

 

*Colaboraram Ivan Longo e Vinicius Lousada 

Matéria atualizada às 22h20 do dia 1/04/2019 para acréscimo de informação 


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