Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
02 de abril de 2018, 13h49

69% dos cariocas acreditam que intervenção e presença do Exército não fizeram nenhuma diferença

Um em cada três moradores do Rio ficou no meio de tiroteios entre policiais e bandidos no último ano

Por: Júlia Magalhães

O medo também toma conta da cidade: mais de 90% da população carioca teme enfrentar um fogo cruzado, de ser vítima de bala perdida ou de morrer em assalto

São Paulo, abril de 2018 – Imagine que quase um terço da população de uma cidade tenha vivenciado a situação de se ver em meio a um fogo cruzado entre policiais e bandidos. Isso é uma realidade na cidade do Rio de Janeiro, segundo resultados de pesquisa inédita feita pelo Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com o objetivo de monitorar a Intervenção Federal na Segurança Pública.

De acordo com o estudo, 30% dos moradores do Rio ficaram no meio de um tiroteio nos últimos 12 meses. A maioria das pessoas que passaram por essa situação é negra (32%) e vive em comunidades (37%), o que reforça a tese de que a população mais vulnerável e pobre está mais exposta ao risco. O levantamento ainda aponta que 8% dos entrevistados foram vítimas ou tiveram um parente atingido por bala perdida nesse mesmo período.

A pesquisa também mediu o medo de as pessoas sofrerem algum tipo de violência. O resultado foi alarmante: 92% temem ser vítima ou ter um parente vítima de bala perdida, ser ferido ou morto em um assalto ou presenciar um tiroteio; e 87% têm medo de morrer assassinado. Entre todas as frases testadas pela pesquisa, o índice mais baixo foi o medo de ser vítima da Polícia Civil, que ainda assim é alto (61%).


Os dados são preocupantes, mas a pesquisa mostra que a vitimização criminal na cidade do Rio de Janeiro não é mais alta do que a média verificada no resto do país para diversos tipos de crimes, em especial os crimes contra o patrimônio e contra a vida. O que torna o cenário carioca diferente são os tiroteios e confrontos envolvendo facções, milícias e polícias. “A incidência de violência policial experimentada pelos cidadãos no Rio de Janeiro parece ser mais do dobro da nacional, o que reforça a ideia da crise de legitimidade das polícias fluminenses e as reclamações sobre abusos cometidos por elas”, afirma Ignacio Cano, pesquisador do LAV-UERJ em texto produzido para o relatório da pesquisa.

“A população no Rio vive o medo de uma violência difusa que não é necessariamente direcionada de forma individualizada. Os tiroteios estão cada vez mais presentes no cotidiano da cidade ”, completa Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Nesse cenário, reduzir os indicadores de criminalidade e o número de confrontos é um grande desafio. Algumas sugestões de como fazer isso estão no artigo de Silvia Ramos, Anabela Paiva e Pablo Nunes, membros do Observatório da Intervenção do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (Cesec/Ucam): “Reformar as polícias, substituir as políticas de confronto por políticas consistentes e de longo prazo de Inteligência e investigação, mudar a relação com as populações das áreas de periferia oferecendo segurança, proteção da vida e policiamento de proximidade no lugar de uso da força, modernizar o sistema de justiça criminal, abarcando não só as polícias, mas as Defensorias, MP e Justiça; integrar as municipalidades no sistema”.

A pesquisa também verificou que, embora 76% da população no Rio apoie a intervenção federal, 69% acreditam que a intervenção e presença do Exército na cidade não fizeram diferença alguma na segurança.

A pesquisa do FBSP é o ponto de partida do monitoramento sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro. A ideia é repetir a bateria de perguntas entre setembro e outubro de 2018 para levantar dados que subsidiem a avaliação da curva de evolução das estatísticas oficiais sobre o tema. Trata-se de uma iniciativa que se soma ao monitoramento realizado pelo Observatório da Intervenção, do Cesec/Ucam.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo Datafolha, por amostragem estratificada por sexo e idade, com sorteio aleatório dos entrevistados. O universo da pesquisa é composto pela população com 16 anos ou mais da cidade do Rio de Janeiro.

Foram feitas 1.012 entrevistas presenciais, nos dias 20, 21 e 22 de março de 2018. A margem de erro máxima de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Ficha Técnica do Relatório:

Resultados e análise da pesquisa

11 artigos

Autores: Samira Bueno, Renato Sérgio de Lima, Edu Carvalho, Arthur Trindade, Daniel Cerqueira, Robson Rodrigues da Silva, João Trajano Sento-Sé, Regina Esteves, Ignacio Cano, Ibis Pereira, Rosilene Miliotti, Silvia Ramos, Anabela Paiva, Pablo Nunes, Ana Carolina Evangelista e Manoela Miklos

Sobre o FBSP

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi constituído em março de 2006 como uma organização não-governamental, apartidária e sem fins lucrativos, cujo objetivo é construir um ambiente de referência e cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública em todo o País. Composto por profissionais de diversos segmentos (policiais, peritos, guardas municipais, operadores do sistema de justiça criminal, pesquisadores acadêmicos e representantes da sociedade civil), o FBSP tem por foco o aprimoramento técnico da atividade policial e da governança democrática da segurança pública. O FBSP faz uma aposta radical na transparência e na aproximação entre segmentos enquanto ferramentas de prestação de contas e de modernização da segurança pública.

Mais informações:

Analítica Comunicação

Assessoria de Imprensa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Pesquisa DataFolha/Fórum Brasileiro de Segurança Pública


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum