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02 de maio de 2010, 16h02

A atuação dos fofoqueiros no contexto político-eleitoral

Reproduzo o texto da Maria Izabel, presidente da Apeoesp, cuja mensagem principal está muito próxima ao que procurei demonstrar aqui.

Sigamos seu excelente conselho: evite gastar suas energias com gente desrespeitosa, com intolerantes, com profissionais pagos para serem detratores de reputações e defensores dos interesses privados de seus patrões.

Aplique seu tempo para construir coisas positivas, para dar voz e vez às lutas daqueles que ainda  não têm direito à memória e à história.

Isso não significa que você deva ignorar as mentiras cotidianas, revisionistas que brotam feitas gremlins nas diferentes mídias.  A falta com a verdade deve ser revelada. Mas isso exige um trabalho cuidadoso de pesquisa e embasamento. Esse processo é bem diferente de trilhar  o mesmo caminho raivoso daqueles  que  divergimos.

Repetir as mesmas práticas daqueles que babam ódio diante das diferenças, das lutas dos movimentos sociais, da denúncia da miséria, opressão e desmandos de governos que só existem em realidade virtual é pura perda de tempo. Melhor  é calçar o tênis e correr para arejar a cabeça, dar beijo no ser amado, comer chocolate, passear com os filhos.  #ficadica

Por Maria Izabel Azevedo Noronha

No contexto eleitoral, é natural que as pessoas expressem suas preferências partidárias e por determinadas candidaturas e assim também ocorre com aqueles que atuam na mídia.

Desta forma, não há, nem poderia haver, nenhum problema no fato de profissionais que atuam em revistas de circulação nacional, canais de televisão, rádio, internet e outros meios de comunicação terem simpatias, por exemplo, pela candidatura presidencial do senhor José Serra. O correto, aliás, seria que todos assumissem abertamente suas preferências. Com isso, determinados órgãos de comunicação e editores de blogs e sites na internet teriam mais leitores entre aqueles que comungam da mesma opção.

O que é intolerável é que tais órgãos e pessoas se escondam atrás de uma pretensa neutralidade jornalística para demonizar lideranças que incomodam os políticos de sua preferência, realizando verdadeira campanha de desqualificação, na qual inventam fatos, fazem ilações, disseminam boatos e fofocas e fazem acusações absolutamente descabidas. Mas eles não conseguirão destruir essas lideranças, pois elas possuem base social, algo que esses detratores jamais possuirão.

Estas pessoas são blogueiros, fofoqueiros alcoviteiros e comentaristas que não têm nenhum compromisso com a verdade, mas apenas com seus próprios interesses e os de seus financiadores.

Jornalistas de verdade possuem uma ligação intrínseca com os fatos sociais. Evidentemente, nenhuma pessoa é neutra. Ao noticiar os fatos, o jornalista os interpreta e, de alguma forma, emite sua opinião, mas ela não se destina a elevar nem a destruir pessoas. Esta opinião está relacionada com os fatos narrados e ajudam, muitas vezes, a identificar e resolver problemas. No caso da greve dos professores, por exemplo, que explicitou inúmeros problemas presentes na rede estadual de ensino de São Paulo, alguns jornalistas e veículos cumpriram papel importante, analisando estes indícios e promovendo um debate – ainda que limitado – sobre os assuntos abordados.

Diferentemente dos verdadeiros jornalistas, os blogueiros, fofoqueiros e alcoviteiros aos quais me refiro são incapazes de assim atuar. Eles jogam na lata de lixo a oportunidade de contribuir para melhorar a educação pública, pois não estão nem aí para isto. Absolutamente nenhum deles foi capaz de informar aos seus leitores que o salário do professor da rede pública de São Paulo ocupa a 14ª posição em um ranking salarial no país.

São pessoas como Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Denis Rosenfeld e outros do mesmo naipe, que participaram de um encontro financiado pelos seus patrões para defender a liberdade dos donos dos meios de comunicação para fazer o que bem entendem, sem nenhum controle governamental, judicial ou da sociedade. Juntamente com alguns outros, como Diogo Mainardi, são sustentáculos de um projeto político que nada têm a ver com os direitos e interesses da maioria da população. Eles atuam única e exclusivamente para salvar o que é deles, defendendo à morte o chamado “livre mercado”, ainda que às custas de tudo o que verdadeiramente importa do ponto de vista social.

Estes blogueiros, fofoqueiros e alcoviteiros jamais terão um texto seu reproduzido no nosso blog na internet, porque eles não merecem de minha parte nenhum respeito. Tenho pelos que divergem das minhas ideias, e que as discutem em nível elevado, o mais sincero respeito, mas essas pessoas a quem me refiro lançam à lama qualquer assunto no qual se imiscuem. Eles não toleram a diferença de opinião e outras formas de analisar a realidade. Mas as divergências permanecerão, porque elas são próprias da humanidade. O tempo que eu perderia lendo seus escritos e cometendo a insensatez de reproduzi-los, poderia gastar, com melhor proveito, lendo uma revista como “Carícia” ou qualquer outra.

* Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da APEOESP e membro do Conselho Nacional de Educação.

Maria Izabel Azevedo Noronha

Fonte: Revista Fórum [Terça-Feira, 13 de Abril de 2010 às 12:33hs]


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