Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

Entrevista exclusiva com Lula
23 de fevereiro de 2014, 11h38

A conta da violência em SP é de Alckmin, mas o governo federal não pode ser omisso diante da brutal violência que cerceia o direito de ir e vir

E por favor não venham desqualificar Maringoni por ser do PSOL, ele é muito mais duro nas análises sobre a ação dos black bloc que eu mesma. São palavras dele: “A esquerda não pode, em hipótese alguma, ser condescendente com as ações dos Black Blocs”.


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NATURALIZAÇÃO DA EXCEÇÃO

Por:  Gilberto Maringoni em seu Facebook

Na toada em que caminhamos, o pior legado da Copa não será a coleção de arenas de duvidosa serventia posterior.

Não serão as obras de mobilidade que se revelam pura realidade virtual.

Não será a privatização dos aeroportos.

Não será o uso e abuso dos dinheiros públicos em negócios privados.

O pior legado da Copa será a naturalização da exceção.

O que se viu na noite de sábado em São Paulo é parte disso.

Pode-se deplorar a palavra de ordem “Não vai ter Copa”.

Pode-se torcer o nariz pelo fato de existirem protestos contra a Copa.

Mas não se pode ficar indiferente a uma repressão brutal, que buscou intimidar a população desde o início da tarde na capital paulista.

(Duas horas antes da manifestação, a estação de metrô São Joaquim, distante 2,5 quilômetros da praça da República, onde haveria o ato, tinha sua plataforma de embarque em direção ao centro ocupada por cerca de 200 policiais).

A responsabilidade pela injustificável selvageria, com mais de cem prisões e agressões a ativistas, jornalistas e advogados, é do governo do estado, comandado por Geraldo Alckmin, do PSDB e apoiador do Opus Dei.

Embora não tenha responsabilidade direta neste episódio, o governo federal se mostra, lamentavelmente, omisso.

São Paulo é um ente federado. Mas não é outro país.

O ministro da Justiça – aquele senhor que afirmou não ter participado do IV Encontro Nacional dos Estudantes, em 1977, selvagemente reprimido pela Polícia Militar, por ter tido “medo” – não pode ficar calado quando o direito constitucional de ir e vir e de reunião é pisoteado.

Não pode ter medo de Geraldo Alckmin.

Ajuda indiretamente na criação desse clima de exceção o fato de o governo federal colocar como prioridade o endurecimento da legislação sobre manifestações públicas.

E reforça a diretriz do mandatário paulista a presidenta da República afirmar que colocará o exército nas ruas para coibir protestos.

O golpe de 1964 completa meio século neste ano.

A campanha das Diretas, que acabou com a ditadura, faz vinte anos.

O que menos precisamos é ter, num regime democrático, a banalização da exceção.

Quem ganha com isso não é o setor da sociedade que foi às ruas há duas décadas.

São os trogloditas que aplaudiram os tanques em 1964.

E que estão aí, vivos, lépidos e fagueiros.

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