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19 de fevereiro de 2009, 11h05

A sapatada, a pena e os crimes

A sapatada entrou na moda, depois que Mutandar al- Zaidi atirou dois sapatos no senhor da guerra mais estúpido de quem o planeta tenha notícia.

Após este ato, o premier chinês, Wen Jiabao levou uma sapatada em Cambrigde; as imagens de políticos israelenses levaram sapatada durante a ocupação e invasão de Gaza pelas tropas sionistas e ontem as fotografias de Hilary espalhadas em cartazes foram alvos de inúmeras sapatadas durante a sua visita na Indonésia.

Se condenado, Mutandar al- Zaidi pode pegar até 15 anos de prisão. E o atirador do tênis em Cambridge já foi indiciado.

Pergunto-me: quantos anos mereceria Bush pelas mortes de civis provocadas pela invasão de suas tropas sanguinárias no Afeganistão e no Iraque? Quantos anos Shimon Peres, Ehud Barak, Tzipi Livni, Benjamin Netanyahu e seus asseclas merecem para mofar o resto de suas vidas na cadeia por terem matado mais de 400 crianças entre as 1300 vidas que ceifaram e os mais de 5 mil palestinos que feriram?

O gesto acabou por simbolizar a oposição à intervenção americana no Iraque, em 2003, e provocou inúmeras manifestações de solidariedade no mundo árabe.

Extraída de O Público: No Tribunal Criminal de Bagdad
Julgamento do jornalista que atirou sapatos a Bush adiado para 12 de Março

19.02.2009 – 08h58 AFP, Reuters


O jornalista iraquiano que atirou os sapatos ao ex-Presidente americano George W. Bush, Muntadar al-Zaidi, compareceu hoje perante um juiz para começar a ser julgado no Tribunal Criminal Central, em Bagdad, mas a sessão acabou por ser adiada para o dia 12 de Março.


“Decidimos entrar em contacto com o gabinete do primeiro-ministro, a fim de percebermos qual a natureza da visita do ex-Presidente americano, para sabermos se se tratou de uma visita oficial ou não. Foi por isso que adiámos a audiência para o dia 12 de Março”, declarou Abdel Amir Hassan al Rubaie, presidente do Tribunal Criminal Central.


A decisão foi tomada depois de o juiz ter trocado alguns argumentos com Muntadar al-Zaidi acerca da natureza da ida do antigo Presidente iraquiano ao Iraque. “A visita não era oficial, porque senão ela deveria ter sido anunciada previamente”, afirmou o jornalista. Para esclarecer este ponto, o juiz pediu clarificações ao gabinete do primeiro-ministro.


O jornalista da cadeia de televisão al-Baghdadiya tinha-se apresentado hoje cedo em tribunal vestido com uma camisa negra e com uma bandeira iraquiana em torno do pescoço, descreve a AFP, tendo sido recebido com manifestações de apoio por parte da família, concentrada no interior da sala.


O juiz perguntou o nome, morada e profissão a al-Zaidi, tendo depois a defesa tomado a palavra para dizer que houve “razões psicológicas, sociais e políticas para o seu gesto”, que exprimiu a sua “recusa pela ocupação”, declarou o advogado Dhiaa al-Saadi, pedindo que sejam convocados “peritos” para “explicarem as motivações de Muntadar al-Zaidi”.


No dia 14 de Dezembro de 2008, em plena conferência de imprensa de Bush e do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki, Muntadar al-Zaidi levantou-se e atirou os dois sapatos ao Presidente americano – que se conseguiu desviar de ambos -, dizendo “Isto é um beijo de despedida, cão!”.


O jornalista foi imediatamente preso e, segundo o artigo 223 do Código Penal iraquiano, o seu gesto poderá custar-lhe entre 5 e 15 anos de prisão, caso seja considerado “agressão premeditada”. Mas o tribunal pode estimar que se tratou apenas de “tentativa de agressão”, punida com uma pena que oscila entre um e cinco anos de prisão.


Antes do início do processo, o advogado assegurou que o jornalista está “preparado para se defender perante o tribunal. Ele pensa que o seu acto foi justo, e espera ser considerado inocente e libertado, porque não tentou matar Bush. Ele não fez mais que exprimir a sua opinião”.


“Vamos exigir a anulação do processo e a sua libertação porque ele não fez mais que protestar contra a ocupação”, indicou ainda o seu advogado à AFP.

Para a defesa, não se trata de uma tentativa de assassinato “porque um sapato não é um instrumento para matar. Ele quis apenas insultar”.

O gesto acabou por simbolizar a oposição à intervenção americana no Iraque, em 2003, e provocou inúmeras manifestações de solidariedade no mundo árabe.

No mundo árabe, tratar alguém por “cão” é um dos piores insultos possíveis, tal como bater numa pessoa com a sola dos sapatos, associados à sujidade. Em 2003, quando as tropas americanas entraram em Bagdad e derrubaram uma estátua de Saddam, muitos civis que se encontravam no local bateram na imagem com sapatos, numa manifestação de repúdio pelo antigo ditador iraquiano.


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