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19 de janeiro de 2008, 14h12

Ainda Obama versus Hilary

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São Paulo, sábado, 19 de janeiro de 2008 , Folha de São Paulo, Caderno Mundo

SHAILA DEWAN
DO “NEW YORK TIMES”, EM ATLANTA

O semanário “The People’s Voice African-American Weekly News”, da minúscula cidade de Roanoke, Alabama, ainda não endossou um candidato na primária presidencial democrata marcada para 5 de fevereiro, para a frustração de sua publisher, Charlotte A. Clark-Frieson, partidária de Barack Obama.

“Estou tentando endossá-lo, mas meu conselho está dividido”, disse Clark-Frieson. Ela contou que as cartas endereçadas ao jornal são quase unânimes em favor de Obama, mas a mais antiga das duas organizações políticas negras do Estado, a Conferência Democrática do Alabama, endossou a senadora Hillary Clinton em outubro.
Em todo o Sul dos Estados Unidos, uma disputa acirrada acontece entre os eleitores negros, que devem constituir entre 20% e 50% dos eleitores na primária democrata da Carolina do Sul, em 26 de janeiro, e nos quatro Estados sulistas que terão suas primárias na Superterça: Alabama, Tennessee, Geórgia e Arkansas. Em muitos Condados o cadastramento de eleitores aumentou desde que Obama venceu em Iowa.

A disputa oficial em campo está apenas começando, mas os comentários sobre os dois candidatos -ambos os quais têm razões substanciais para contar com o apoio do eleitorado afro-americano- são constantes nos programas de rádio, listas de e-mail e barbearias frequentadas por negros.
Autoridades e pastores andam anunciando seus apoios de último momento, e as campanhas fazem tudo o que podem para conquistar os diretores de atividades de centros para a terceira idade. As duas campanhas já abriram ou vão abrir novos escritórios nesta semana: a de Hillary em Nashville, a de Obama, em Little Rock (Arkansas) e Memphis, e ambas em Alabama e na Geórgia.

Contenda racial

A questão racial vem dominando a disputa democrata, motivando palavras acaloradas entre os campos de Obama e Hillary. Essa disputa parece ter se acalmado, mas os eleitores negros sulistas continuam em dúvida cruel em relação a uma contenda que opõe uma mulher que eles conhecem bem a um candidato negro viável.
Se alguma eleição for capaz de provar que os negros do Sul não formam um bloco eleitoral único, será esta.
A competição opõe lealdades antigas a paixões recentes, além de forças políticas tradicionais, muitas das quais prometeram apoio a Hillary meses atrás, à energia de base popular de Obama. E, na medida em que o campo de Hillary faz tudo o que pode para conquistar o voto feminino, em alguns casos ele vem dividindo famílias.
É o caso do deputado Sanford D. Bishop Jr., co-presidente da campanha de Obama na Geórgia, e de sua mulher, Vivian Creighton Bishop, funcionária municipal em Columbus, Geórgia, e partidária de Hillary.

Em Atlanta, a disputa também dividiu aliados antigos do movimento pelos direitos civis. A geração mais jovem, porém, parece estar aderindo a Obama.


Tradução de Clara Allain

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