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05 de junho de 2010, 20h21

Al Jazeera: “30 tiros” à queima-roupa nos mortos da Flotilha da Liberdade

Reproduzo matéria da Al Jazeera sobre a autópsia realizada nas vítimas do ataque israelense em águas internacionais aos ativistas da Flotilha da Liberdade.

O original em inglês pode ser lido aqui. A tradução foi gentilmente feita por Diego Casaes.

Protesto contra o ataque de Israel

Nove caixões simbólicos cobertos com a bandeira da Turquia em um memorial no subúrbio de Beirute,  para representar os 9 ativistas mortos, 8 deles turcos, no ataque ao comboio que levava ajuda humanitária à Gaza, em 31/10/2010. Créditos: AFP

Ativistas da Flotilha ‘levam 30 tiros’

“Al Jazeera fala com alguns dos ativistas feridos, que estão se recuperando no Hospital Ankara”

Autópsias nos corpos de ativistas mortos durante o ataque israelense à flotilha que levava ajuda para Gaza há cinco dias, indicam que as vítimas levaram múltiplos tiros à queima-roupa.

O jornal britânico Guardian citou Yalcin Buyuk, vice-presidente do conselho turco de medicina forense, dizendo que os nove homens levaram um total de 30 tiros.

Dois homens levaram tiros quatro vezes, e cinco das vítimas levaram tiros nas costas ou na nuca, Buyuk disse ao jornal, baseado em relatórios preliminares da autópsia.

Ibrahim Bilgen, um ativista de 60 anos, levou quatro tiros na têmpora, tórax, quadris e nas costas, revelou a autópsia.

Furkan Dogan, de 19 anos, um cidadão americano de descendência turca, levou cinco tiros no rosto à uma distância de menos de 45cm, na nuca, duas vezes na perna, e uma nas costas.

Nove pessoas foram assassinadas no ataque durante a madrugada de segunda-feira à Flotilha da liberdade, um comboio de navios que levava ajuda humanitária para Gaza, em uma tentativa de romper o embargo de Israel ao território.

O exército de Israel disse que os soldados que embarcaram no navio em águas internacionais atiraram em auto-defesa, após os ativistas os atacarem.

Avital Leibovich, uma porta-voz do exército de Israel, quando indagada sobre o porquê de um homem de 60 anos e um jovem de 19, entre outros, levaram múltiplos tiros à queima-roupa, disse à Al Jazeera: “Aprendemos do modo difícil que terroristas podem ser de uma variedade de idades e perfis.”

“Eles tinham um objetivo, e escolheram nos confrontar com facas e hastes metálicas,” ela disse.

“Tiros do helicóptero”

Jamal Elshayyal, da Al Jazeera, que estava viajando na flotilha e testemunhou o ataque israelense, confirmou que alguns passageiros se apossaram das grades do navio para se defender, quando viram os soldados israelenses se aproximando.

Ele disse que testemunhou algumas das mortes, e confirmou que pelo menos “uma pessoa levou um tiro no topo da cabeça vindo [do helicóptero] [de] acima.”

“Após os tiros e as primeiras mortes, as pessoas levantaram bandeiras brancas e placas em inglês e hebraico,” ele disse.

“Um ativista israelense [à bordo do navio] pediu aos soldados que levassem os feridos, mas eles não o fizeram, e eles morreram no navio.”

As mortes, que aconteceram no navio principal, Mavi Marmara, continuam a causar condenação generalizada.

Jornais turcos reportaram no sábado que a procuradoria em Istanbul, Turquia, compilou evidências suficientes para acusar Binyamin Nethanyahu, o primeiro ministro israelense, Ehud Barak, o ministro da defesa, e Gabi Ashkenazi, ministro da casa civil de Israel.

As acusações incluiriam assassinato, agressão física, ataque a cidadãos turcos em mar aberto e pirataria, disse o jornal publicado diariamente inglês na Turquia, Today’s Zaman.

Recep Tayyip Erdogan, o primeiro ministro da Turquia, falando durante um discurso na televisão, disse: “Você [Israel] matou brutalmente Furkan Dogan, de 19 anos. Qual fé, qual livro sagrado pode ser uma desculpa para assassiná-lo?”

“Estou falando com eles em sua própria língua. O sexto mandamento diz “não matarás”. Vocês não entenderam? Vou repetir: eu digo em inglês “não matarás”; Ainda não entenderam? Então eu direi em seu próprio idioma. Eu digo em hebraico ‘Lo Tirtzakh.”

Falando sobre o Hamas, ele disse: “[Eles] são combatentes de resistência lutando por sua terra. Eles são palestinos”.

“Eles ganharam uma eleição e agora estão nas prisões de Israel. Eu falei isso para os americanos, que eu não aceito o Hamas como um grupo terrorista.”

Ameaça turca

Namik Tan, embaixador para a Turquia em Washington, também alertou na sexta-feira que seu país romperia todas as relações com Israel a menos que o país peça desculpas pelo ataque contra o navio Mavi Marmara, que carregava bandeira turca.

Tan também disse que a Turquia queria uma investigação independente e digna de confiança a respeito dos eventos e que Israel parasse com seu embargo à Gaza.

Três ativistas turcos feridos no ataque voltaram para casa em um avião médico na sexta-feira. Outros dois voluntários que foram seriamente feridos continuam em um hospital israelense, com um avião turco os aguardando para trazê-los de volta ao seu país, disse Recep Akdag, Ministro da Saúde da Turquia.

Os Estados Unidos disseram que investigariam a morte de Dogan, o mais jovem assassinado no ataque, que possuía dupla cidadania turca-estadunidense.

“Vamos investigar as circunstâncias da morte de um cidadão estadunidense, como faríamos em qualquer lugar do mundo em todos os momentos, “disse Philip Crowley, um porta-voz do Departamento de Estado.

Lista dos ativistas mortos:

Vítimas turcas

Ibrahim Bilgen

Ali Haydar Bengi

Cevdet Kiliçlar

Çetin Topçuoglu

Necdet Yildirim

Fahri Yaldiz

Cengiz Songür

Cengiz Akyüz

Vítima dos EUA

Furkan Dogan



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