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09 de setembro de 2015, 09h56

Até quando, paulistas?

São Paulo ficou assim ontem.

sampaescuro
Não, não foi um tornado, nem um nevasca, nem furacão. Foi chuva e incompetência de 20 anos dos privateiros tucanos que administram serviços essenciais no estado. Ou melhor que não administram, que não controlam e não punem, muito pelo contrário, que premiam empresas de serviços essenciais que não entregam serviços essenciais.

Milhões de pessoas ficaram mais de 12 horas sem energia elétrica só na capital do estado. Aqui em casa a energia acabou por volta das 4 da tarde, e até às 3 da manhã não tinha retornado.

Após vários chamados para a AESEletropaulo,  às 3:20 da manhã a resposta padrão por SMS, de uma empresa desclassificada, com todo mês nos manda faturas altíssimas e presta serviço de quinta.

E chove com frequência em São Paulo. Chove muito e isso significa que ficamos muito tempo sem energia elétrica. E mesmo chovendo muito também não temos água nas torneiras há mais de um ano. Todos os dias por volta das fatídicas 16H (os tucanos tem algo com o 16 que não sabemos ou seria o 4 do 45?) a água seca na torneira. Você reclama para a SABESP e recebe como resposta: “tenha uma caixa d’água”. Talvez para recolher água da chuva, já que quando a água retorna por volta das 8 da manhã, não tem força pra encher caixas d’água.

A SABESP era uma empresa que nos orgulhávamos, água boa e a preços justos. Foi privatizada pelos tucanos começou a especular na Bolsa de Nova York, 20 anos sem trocar tubulações e HOJE perde 40% de sua água tratada. Mas não diminui os seus lucros, ao contrário, nos força a um racionamento desumano, continua aumentando o preço da tarifa e você vive a situação mais esdrúxula da vida: paga mais caro por menos água.

São Paulo, o estado mais rico da federação,  e  sua capital ainda tem bairros sem tratamento de esgoto, com o detalhe que todo paulista paga sua conta de consumo de água em dobro, a outra metade é referente à ‘taxa de esgoto’, mesmo que você caminhe pela periferia e veja um monte de córregos sem tratamento, esgotos a céu aberto. Quando você vê obras, está lá uma placa do PAC, governo federal  com 69% das obras do PAC voltados para sanear o Brasil, incluindo São Paulo, que nunca é demais repetir: é o estado mais rico da federação.

Os governos tucanos são verdadeiros mestres em sucatear serviço público. Na década de 1990 privatizaram o setor elétrico, bancos, o setor de telefonia, e uma série de estatais que o povo brasileiro demorou uma vida inteira para construir: Vale, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estavam neste pacote. Tentaram privatizar também a Petrobras, mas felizmente foram derrotados.

Durante o assalto ao patrimônio do povo brasileiro os privateiros tucanos vendiam a promessa da melhora dos serviços. A fórmula é sempre a mesma: sucateiam o bem público, vendem a ideia que o Estado não é bom para gerir (isso vale essencialmente para os tucanos) e vendem ou doam mesmo o patrimônio público para o capital privado lucrar muito e nos oferecer um serviço péssimo.

Lembro-me bem de 2001, perdi muitos textos com as quedas constantes de energia. O mercado de nobreaks cresceu muito naquele ano de apagões diários e o lucro das concessionárias de energias também. Só quem perdeu e perde até hoje é o povo brasileiro. O mesmo ocorreu com o desmonte da Telebras e seu imenso patrimônio capturado pelas teles e até hoje temos a telefonia celular mais cara do mundo e a banda larga é uma miragem no Brasil. Aqui é preciso chamar os governos petistas à responsabilidade, eles também não foram capazes de fazer com que as teles prestassem de fato serviço de qualidade e garantissem banda larga como direito universal. São 13 anos de governo sob jugo das teles.

Andar ontem por São Paulo foi um exercício de paciência e fé.

Restaurantes fechados, serviços de delivery fechados (falta água e energia quase todo santo dia e a culpa segundo os zumbis paulistas é da Dilma ou do Haddad).

O trânsito era o retrato do mundo se essa gente louca que sai às ruas pedindo morte, tortura e ditadura, um dia governasse o país: motoristas babando, tentando atravessar avenidas abarrotadas com carros, caminhões e ônibus dando nó nas artérias estranguladas de uma cidade que odeia corredores de ônibus, ciclovias, prefere ficar sem água que sem gasolina.

Um breu envolveu a cidade por mais de 12 horas, as fotos deste post são da Av. Corifeu de Azevedo Marques e da Av Rio Pequeno, desertas, silenciosas e escuras desde pelo menos as 16 horas do dia 8 de setembro de 2015.

Um detalhe, eu saí de casa por volta das 17, voltei à meia noite. Na Vila Madalena em alguns pontos que não havia energia às 19, às 23 estavam todos estabelecidos. O mesmo não aconteceu na periferia da zona Oeste, como informei até pelo menos as 3 da matina de hoje a energia não tinha voltado. De novo a periferia paga a fatura mais alta. Tanto Sabesp como AESEletropaulo privilegiam o atendimento nas áreas mais ricas e dane-se as áreas periféricas. Mesmo assim, é um serviço de quinta para os paulistas que se acham de primeira.

Acho profundamente revoltante que paulista viva de mitos. Não, não somos locomotiva do progresso, os tucanos inclusive destruíram a CPTM e o que tínhamos de ferrovias. Somos o retrato da decadência, sob o jugo de 20 anos de desgovernos tucanos. Mas a culpa é do PT que nunca governou São Paulo e da Dilma que não é responsável pela Sabesp, nem pela AESEletropaulo.


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