Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

No rastro do óleo do Nordeste
20 de abril de 2010, 09h09

Breve relato da viagem à África na equipe do Nova África

Como vários leitores acompanharam brevemente aqui no blog, eu estava viajando pelo continente africano na produção do Nova África, a série de tv exibida pela TV Brasil todas as sextas-feiras às 22 horas com reprise na segunda às 20 horas. Aliás quem perdeu o programa de sexta-feira, podem assistir hoje. A equipe do Nova África esteve no Malaui para acompanhar a vida dos malauianos ao redor do  lago Malaui e para acompanhar um projeto governamental de estimulo aos agricultores, fornecendo sementes e insumos agrícolas, vejam aqui: Pelos vastos campos do agrário Malaui.

Começamos nossa viagem por Lisboa para acompanhar a diáspora caboverdiana, depois seguiu para a Ilha de Santiago que percorremos de ponta a ponta e conhecemos um pouco da vida dos Rabelados, das Rabidantes, encontramos o sr. Domingos Monteiro, o ‘caçador de nuvens’, ouvimos o funaná e o batuko, bailamos ao som da morna e koladera tocada por Tito Paris descobrimos como a tecnologia bem utilizada aproxima os caboverdianos entre as ilhas e  também aproxima aqueles que ficam no arquipélago e os que migram, além de ajudar no combate à dengue entre tantas outras descobertas.

Na Ilha do Fogo subimos o vulcão Pico do Fogo conhecemos como cooperativados fabricam um vinho cada vez mais apreciado em Cabo Verde e, finalmente,  em Mindelo, capital da Ilha de São Vicente, entrevistamos Cesária Évora e Hernani Almeida, gravamos com o mestre construtor de instrumentos  de cordas Aniceto, que aprendeu seu ofício com o mestre Batista, pai do músico instrumentista e também construtor de instrumentos: Bau,  que participa da trilha sonora do filme Hable con Ella do espanhol Almodovar.

Seguimos para Guiné Bissau onde vimos como o caju brasileiro passou a ocupar uma boa parte do território guineense e tornou-se o principal produto de exportação do país, in natura, já que a Guiné Bissau não possui indústrias de processamento. Entrevistamos intelectuais como o escritor Abdulai Silá, empresários como Braima Camará e mulheres ativistas e empreendedoras como Macaria Barai e Dulce Baticã e muitas outras lutadoras guineenses.

Vimos uma festividade do povo Balanta, onde jovens dançam e lutam em um ritual de passagem que reafirma força e virilidade necessárias para enfrentar os desafios do mundo adulto. Visitamos as tabancas de três ilhas no belíssimo arquipélago de Bijagós,  vimos o vigor da juventude caminhando lado a lado com a tradição, expressa no depoimento do régulo Augusto Fernandes e na disposição espacial da organização das construções nas tabancas.

O que me impressionou particularmente foi constatar que a crise política recente da Guiné entre militares e instituições governamentais passa ao largo do povo guineense, um povo simpático, educadíssimo que nos cumprimenta em todas as situações, que pede e gosta de ouvir ‘com licença, obrigada, bom dia, boa tarde, boa noite’…

Bissau não tem energia elétrica, mas sobra energia no povo lutador que busca reconstruir o país pós-colonialismo e após as guerras recentes. A beleza natural da Guiné Bissau, assim como a simpatia de seu povo nos enche os olhos e dá pra sentir no ar que as mudanças estão em curso.


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