Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

10 de julho de 2010, 04h07

Comunidade “Eu odeio nordestino’ na mira do Ministério Público

Se não somos omissos, este tipo de barbárie não fica impune. Acesse aqui e saiba como denunciar sites e comunidades criminosas, como esta que envergonha qualquer pessoa com um mínimo de bom senso.

Orkut: preconceito contra nordestinos

do Diário de Pernambuco

Governo do estado, Ministério Público, OAB-PE pedem punição para internautas que postam comentários  contra as vítimas das enchentes

O Brasil inteiro vem ajudando as vítimas das enchentes que devastaram mais de 90 cidades em Pernambuco e Alagoas no mês passado e que tiraram os sonhos de boa parte da população que perdeu tudo com a força das águas. A corrente de solidariedade é tão grande ao ponto de as defesas civis não terem locais para guardar o volume de comida e roupa que chegam até de fora do país. Em meio a toda essa mobilização, também há espaço para demonstrações de preconceito, racismo e perseguição aos nordestinos. Isso, no território livre da internet, por meio do Orkut.

Comentários do tipo “nordestinos devem morrer nessa lama” ou “deviam ter se afogado nas águas sujas” chocam agora a população em intensidade semelhante à tragédia. O governo do estado chegou a garantir ontem, por meio da Procuradoria Geral, que não ficará de braços cruzados frente à demonstração preconceituosa e que tomará providências judiciais necessárias. O Ministério Público estadual deverá solicitar ainda hoje investigação da Polícia Federal para identificar os internautas. A Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco também se pronunciou ontem e garantiu que estará cobrando do MPPE posicionamento contra os membros da comunidade denominada Odeio nordestino.


Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

O procurador geral do estado, Tadeu Alencar, disse que vai se reunir com representantes do governo para “avaliar os caminhos que serão tomados”. O promotor do Ministério Público de Pernambuco José Lopes Filho, especialista em crimes cibernéticos, garantiu que há caminhos jurídicos a serem seguidos. “Identificamos na comunidade o crime de racismo, incitação à violência, incitação ao crime e vamos levar o caso à Polícia Federal. Há ainda a possibilidade de o estado de Pernambuco entrar com uma ação contra o Google que permitiu e permite que estas páginas estejam no ar”, explicou. O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, afirmou que a entidade vai acompanhar as investigações e as denúncias contra os membros da comunidade Odeio nordestino por parte do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e também da Polícia Federal. Segundo ele, a OAB-PE já tinha, inclusive, preparado uma denúncia para ser encaminhada quando foi informada que o MPPE já estava tomando todas as providências.

Agressão – Demonstrando “preocupações” com uma possível aumento da migração para o Sudeste em virtude das enchentes, os usuários de diversas comunidades chegam a se referir aos nordestinos como merdestinos e animais. Em uma das comunidades – Lugar de nordestino é no Nordeste – um dos gestores, identificado como João Ribeiro Neto, escreveu:“No fundo, no fundo, tenho dó de nordestino, explico: Numa metade do ano morrem na seca e na outra metade morrem na enchente…rs, Obrigado, meu Deus, por não ser nordestino!”, comemora. As frases postadas causam estarrecimento não só pelo preconceito com a região, mas igualmente pela falta de sensibilidade e respeito aos mais de 50 mortos e mais de 100 mil desabrigados e desalojados nos dois estados. As comunidades abrigam declarações do tipo: “Pessoal com essas enchentes no Nordeste acho que os cabeçudos vão vir em massa pra SP, tô muito preocupada com isso. Vai ter mais lixo do que já tem aqui”, declarou a usuária Julia Shellman, membro da comunidade Eu odeio nordestino. No início da noite de ontem, a usuária e outros internautas que compartilhavam opiniões com ela haviam retirado os comentários do ar. No entanto, a Justiça já identificou o novo perfil e, de acordo com o promotor estadual José Lopes Filho, a investigação não será alterada.

“Já temos o novo nome da usuária e não vamos tolerar esse tipo de comportamento racista e discriminatório. Rastreamos o seu novo perfil e amanhã [hoje] mesmo vou formalizar o pedido de investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, por isso que ainda não retiramos a página do ar. Não queremos assustar esses criminosos e vamos atuar fortemente para puni-los”, justificou. (Elian Balbino)

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