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11 de novembro de 2012, 12h19

Cut: Genocídio da Juventude Negra

Todo novembro é a mesma coisa: estatísticas atrás de estatísticas sobre a situação do negro no país. Nos últimos dez anos as políticas sociais dos governos Lula e continuadas no governo Dilma fizeram efeito em termos de distribuição de renda e combate à desigualdade. Mesmo os mais conservadores apontam o crescimento da renda da população negra acima da média da população branca. No entanto, o nível de desigualdade em todos os aspectos é tão gigante que a desigualdade econômica entre brancos e negros ainda permanece forte. É preciso atuar em muitas frentes pra diminuir de vez a desigualdade secular criada pelo racismo, por uma abolição sem indenização aos negros.

Durante a cobertura da campanha de Haddad para a prefeitura de São Paulo um dos momentos mais marcantes que vivenciei foi ouvir mães e jovens falando sobre o  Prouni.

Aqui mesmo neste blog reproduzi alguns vídeos.

James Hermínio, estudante de Direito na PUC- São Paulo, durante o evento na Uninove- Liberdade dos Estudantes com Haddad deu um dos depoimentos mais contundentes sobre a transformação possível da educação na vida de jovens negros.

A consciência política, social, étnico-racial deste jovem estudante impressiona. Se não tiver paciência pra ver todo o vídeo, comece a assisti-lo por volta dos 3 minutos e 30 segundos em diante e aprenda com este futuro advogado: a juventude negra não foi feita pra ser morta.

Infelizmente,  as políticas sociais dos governos petistas não conseguiram ainda atingir a segurança pública, não atingem a forma como a polícia militar, herdeira da ditadura militar e sob comando dos governadores é formada e age. É preciso desenvolver urgentemente políticas entre as três instâncias governamentais para atuar contra a violência institucionalizada pelo Estado por meio da violência policial.

Joguemos no lixo o racismo e aprendamos com James, nós não podemos naturalizar a imensa violência que vivemos e permitimos que ela atinja e extermine nossa juventude negra. Precisamos dar um basta nisso. 

Mais de 75% dos assassinatos registrados no País são de jovens negros

Por: Flaviana Serafim/CUT-SP

09/11/2012

O jovem negro que mora em bairros da periferia é o principal alvo da violência urbana no País. Do total de assassinatos registrados no Brasil, 53% têm jovens como vítimas e, destes, mais de 75% são negros, segundo dados do Ministério da Saúde.

A discriminação e o preconceito racial têm grande impacto nestas estatísticas alarmantes porque civis é que estão morrendo, porque jovens inocentes, sem nenhuma ligação com o crime, são as principais vítimas de uma polícia repressora, além de vítimas da ausência de políticas de segurança pública que há tempos deveriam ter sido adotadas pelo governo estadual. Falta segurança ostensiva e sobram o despreparo e a brutalidade presentes em boa parte da Polícia Militar paulista.

Rosana Aparecida da Silva, secretária de Combate ao Racismo da CUT São Paulo, alerta para o descaso contra esse tipo de violência. “O movimento negro tem feito várias ações para tentar mudar essa situação, mas não houve nenhuma resposta da Polícia Militar ou do Ministério Público Estadual paulista”, alerta a dirigente. A PM é responsável por uma média de 500 a 600 mortes por ano, segundo denúncia do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.

Outro problema grave são os casos nos quais a cena do crime é alterada ou a perícia deixa de ser feita corretamente para “maquiar” os assassinatos cometidos por policiais contra pessoas inocentes, sem qualquer ligação com o tráfico.

Juventude Viva– No final de setembro o governo federal lançou o Juventude Viva, programa piloto que faz parte da primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra. O programa prevê diversas ações para os jovens, como adotar período integral nas escolas estaduais e a criação de espaços culturais. E, ainda, formação adequada para os profissionais que atuam com a juventude, incluindo os policiais militares. Para a secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, é urgente a implantação deste programa em São Paulo. Com a ausência de projetos estaduais e municipais, a iniciativa do governo federal pode ser um caminho para reduzir o extermínio da juventude negra – no momento, talvez a única esperança num Estado onde o governador diz que quem reagir à polícia vai morrer.

Sobre Prouni leia também: 

Até Helio Gaspari, anti-Lula ferrenho, reconhece que Prouni de HADDAD é um sucesso absoluto

Escrever ParaliZação contra Lula e Haddad pode, a gente esconde

Fernando Haddad na Vila Brasilândia: Em São Paulo é mais fácil ter acesso a ensino superior do que a creches

Haddad criou o Prouni, a direita quis acabar com Prouni: 9 em cada 10 homens com ensino superior estão empregados no Brasil

Ruy de Deus comenta os ataques de Reinaldo Azevedo ao Prouni

PROUNI 7 x DEM 1

DEM de novo no Supremo procurando dificultar o acesso dos pobres ao ensino superior

Gaspari: Dilma disse a verdade quando acusou o ex-PFL de tentar destruir o Prouni no STF

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#CotasSim: STF decide sobre validade de cotas raciais nesta quarta

Cotas (discriminação positiva) são esforços para reequilibrar situações concretas de desigualdade

Boaventura de Sousa Santos em carta aberta aos ministros do STF que julgam as terras quilombolas

Abaixo-assinado contra a aprovação da ADI 3239 no Supremo Tribunal Federal

Esqueça Demóstenes, Demétrios e os Demos em geral, veja, ouça, leia e aprenda: cota é legal!

E lá vai o DEM mais uma vez ao STF tentar retirar direitos da população negra!

Sobre a violência policial e do crime organizado que atinge São Paulo leia também:

Breve dossiê revela: onda de assassinatos que apavora Estado foi iniciada e radicalizada pela PM. Governo Alckmin omite-se. Mídia silencia

Moradores das periferias de SP: os mais vulneráveis à violência institucional e ao crime organizado

Alckmin que fala grosso com Pinheirinho é sujeito oculto na cobertura da Globo sobre a violência em SP

Será que os policiais assassinados nas últimas semanas e também os trabalhadores reagiram, governador Alckmin?

Maria Rita Kehl: Estado Violência, Alckmin usa a mesma retórica dos matadores da ditadura

Escalada de violência em São Paulo: Segurança Pública é um dos Direitos Humanos

Governos federal e de São Paulo criam agência integrada para conter violência no estado

Laudo da Polícia Civil derruba o “quem não reagiu está vivo” do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin

Em 25 dias 170 mortes em São Paulo: 20 agentes do Estado, 150 civis jovens, pobres, negros e periféricos

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