Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

Entrevista exclusiva com Lula
23 de fevereiro de 2014, 08h46

Denuncismo, arrogância, falta de estratégia política e despolitização nas ruas e nas redes, a direita agradece

O denuncismo da rede por uma certa ala da esquerda e/ou de ativistas de alguns movimentos sociais está pior que a fábula Pedro e o Lobo. O problema é que quando o Lobo aparece encontra a sociedade toda desarticulada sem condições de reagir.

Passa por foto falsa de banheiros escolares e chega a estupro de liderança do Rio dos Macacos.

A quem servem denúncias fakes, sem provas ou que não foram ditas pelas vítimas que sofrem constantes abusos reais por parte da polícia, de militares, de ruralistas e de toda a sorte dos que detêm o poder econômico neste país? Ao velho banditismo praticado por ruralistas, por políticos safados, por milicos violentos ou aos povos constantemente vítima da violência e dos desmandos destes agentes?

A quem serve o movimento teimoso do #naovaitercopa que não é reconhecido sequer por aqueles que dizem representar?

Cadê a principal bandeira, a de Reforma Política, que ganhou força com as jornadas de junho na pauta do #nãovaitercopa? Cadê os manifestantes do não vai ter Copa nas plenárias do Plebiscito Popular ou nas do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação?

Ir para as ruas sem articulação com um contingente policial superior aos manifestantes, com a população fora dos movimentos enxergando-os como “assassinos de cinegrafistas” é no mínimo inconsequência. E não, isso não significa que a polícia tem direito de agir como age e isso não significa que governadores que não controlam suas polícias ou governadores truculentos que dão ordem para a repressão não devam ser responsabilizados. Isso também não significa que o governo federal, especialmente o ministro da Justiça deva ser omisso ou abrir a boca pra dizer bobagens. Isso também não significa que os Vianna possam dar continuidade no Legislativo à sandice da funesta Lei Anti-terrorismo.

Mas voltemos ao que está ao nosso alcance, ao menos aqueles que tem efetivo compromisso com as lutas sociais. Espalhar fotos fakes nas redes como se fossem relatos pessoais ou pôr palavra na boca de vítimas que elas não proferiram em blogs respeitáveis a meu ver só diminuem a força de movimentos sérios.

Quanto ao #NãoVaiTerCopa, está na hora de reconhecer que o debate que queriam propor sobre a Copa, debate legítimo que questionam remoções no Rio, em São Paulo, por exemplo, pegou um caminho político pra lá de equivocado.

Chamar uma manifestação na semana que antecede o carnaval, com boa parte dos jovens que saíram às ruas em junho brincando em blocos carnavalescos, sem nem saber que meia dúzia de gatos pingados sairiam em protesto contra a Copa, não me parece nada inteligente.

A chamada #nãovaitercopa desta vez não vai contar com a solidariedade nem de movimentos sérios como o #MST, que se agregou às jornadas de junho que luta por reforma agrária, que acabou de apanhar numa marcha pacífica em Brasília, que é sempre solidários aos movimentos sociais do campo e da cidade. Se ao menos o debate fosse colocado com um mínimo de politização, mas não, os manifestantes do #nãovaitercopa parecem ter fugidos todos da escola. A polícia militar, sob comando dos governadores, desce o cacete e a moçada grita “Dilma a Ucrânia é aqui”.

Perdeu-se a grande chance de fazer um debate sobre o país:

#copapraquem? #naoVaiTerDuasSemanasDeJurosQueCorrespondemATodoValorEmprestadoPeloBNDESParaConstruçãodeEstádios, mas nada, este movimento se reduziu a um bando de teimosos incapazes de fazer uma mínima análise de conjuntura. Alô Venezuela!

Não analisar conjuntura, colocar a própria vida e a dos demais em risco e não conseguir sequer deixar claro para a população que dizem representar é arrogância misturada com inconsequência. São arrogantes em tentar representar aqueles que dizem representar e nos quais os representados não se reconhecem. É preciso fazer uma autocrítica.

O entulho da ditadura militar- as polícias militares- e seus governadores de políticas truculentas agradecem. Com exceção de Sérgio Cabral, Alckmin continua ileso. Trensalão tucano, com rombo de um bilhão nos cofres públicos, secretário de transporte de Alckmin chamando usuários de metrô de “safados”, Alckmin e sua prática Pinheirinho prosseguindo com a remoção de pobres na porrada e leiloando (como fez Kassab) áreas de terrenos públicos em bairros de elite pra especulação imobiliária com a anuência do braço que defende apenas seus interesses de classe na Justiça, que autoriza desocupação em área sub judice!

Enquanto isso, a turma do #nãovaitercopa recheando as cadeias e outro entulho da ditadura militar,  a Rede Globo, que impôs sua bandeira contra a PEC37 durante as jornadas de junho, agora arrasta o nome de Freixo para lama.

A cereja do bolo está nas páginas da velha mídia hoje.

Print da página da UOL.

álbum da UOL, por exemplo, opera a mesma mágica conforme o sabor de seus interesses eleitorais.

A legenda da foto dada pelo UOL chama a atenção. Nela, os manifestantes, que durante as jornadas de junho eram denominados de ‘vândalos’ pela velha mídia, esta que pedia em seus editoriais mais repressão por parte de Alckmin às manifestações,  quando conseguiu impor a sua pauta reacionária às manifestações enterrando a PEC 37 transmutou os ‘vândalos’ em ‘manifestantes’. Depois quando a mesma Velha Mídia se tornou alvo dos manifestantes, esses se tornaram, nas páginas da Velha Mídia, novamente “vândalos”. Agora, em ano eleitoral e na campanha uníssona dos porta-vozes tucanos do monopólio midiático (mesmo que o governo federal como todos os demais sustentem este não jornalismo com gordas verbas publicitárias) para desgaste da presidenta e futura candidata à reeleição e que nas pesquisas de intenção de votos vence no primeiro turno, os ‘vandalos’ novamente são “Ativistas” na velha mídia, mesmo que estejam quebrando portas de lojas, mesmo que a polícia e sua repressão desmedida não poupe sequer os jornalistas.

A jornalista Jéssica Souza que é pró manifestações e crítica ao governo Dilma e a realização da Copa denuncia em comentários do Facebook que a orientação da grande mídia para seus profissionais ontem foi a de que esquecessem as prisões de jornalistas e não prestassem queixas.

Ou seja, a polícia em um contingente maior que os manifestantes que não precisa de mascarados para barbarizar na repressão, que está sob comando do governo Alckmin, sai intacta, Alckmin sai intacto e a conta é de Dilma. O velho barbudo continua atual, a história se repete: a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

Parabéns aos envolvidos.

DESESPERO

Moradores de áreas que serão leiloadas por Alckmin protestam no Palácio dos Bandeirantes

Sem tempo para alternativas judiciais, moradores de terrenos travam frente da sede do governo e exigem audiência com o governador
Por Rodrigo Gomes, da RBA 
21/02/2014
 moradores

São Paulo – Cerca de 70 moradores dos 42 terrenos que o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) pretende leiloar nos bairros de Campo Belo e Brooklin, zona sul da capital paulista, estão protestando neste momento em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na altura do 4.500 da avenida Morumbi, pedindo a suspensão dos leilões e uma audiência com o governador para discutir formas de as famílias permanecerem nas casas.

Segundo o assistente social Geilson Sampaio, que acompanha as famílias, somente a Polícia Militar conversou com os manifestantes e não há perspectiva de término para o ato. “Eles estão dando uma canseira na gente. Mas nós não vamos embora. Queremos respostas”, afirmou. As famílias iniciaram sua marcha até o Palácio dos Bandeirantes às 7h de hoje (21).

O protesto é visto pelas famílias como uma das últimas alternativas de impedir os leilões. No último dia 12, a Justiça paulista autorizou os leilões, mantendo uma decisão do ex-presidente do Tribunal de Justiça Ivan Sartori, que avaliou risco financeiro ao Estado caso eles não fossem realizados.

O governo alega que a ação é necessária para capitalizar a Companhia Paulista de Parcerias, empresa do governo estadual responsável por empreendimentos em conjunto com a iniciativa privada. A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional, que organiza o processo, defendeu que as áreas estavam vazias. O que foi desmentido por reportagem da RBA, que encontrou 42 famílias vivendo em 22 locais.

A Defensoria Pública ingressou com ação civil pública para impedir os leilões em agosto do ano passado. Naquele momento eram 60 áreas. A Justiça concedeu liminar suspendendo os leilões. E continua mantendo essa decisão após três tentativas do governo de derrubar a liminar. Porém, a decisão do ex-presidente, mantida pelo Órgão Especial do TJ, se sobrepõe à liminar.

O primeiro leilão está marcado para a próxima quarta-feira (26).


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