Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

O que o brasileiro pensa?
14 de dezembro de 2010, 16h07

E aí? A revolução será twittada?

Com frases fortes e grande efeito como “Ativismo que desafia o status quo e ataca problemas profundamente enraizados não é para bundas-moles“; que a rede é formada por ‘vínculos fracos‘ o artigo de Malcolm Gladwell publicado na Folha divide opiniões. Ele tem razões em alguns aspectos, no fato de, por exemplo, informar que a tão propalada revolução no Irã não foi bem assim.

Por outro lado acho que compara duas eras que são bem diferentes entre si e pressupõe que as relações estabelecidas nas redes sociais só funcionam no mundo offline, o que não é verdade e, no Brasil, temos alguns exemplos marcantes: a começar pelas inúmeras ações que ocorreram em protesto ao editorial da Folha ditabranda, ao encontro dos blogueiros progressistas e a grande participação dos blogs de esquerda nos rumos da eleição no Brasil.

O Johan também tem críticas ao texto que chamou muita atenção da blogosfera esta semana. E vocês o que acham?

“A revolução será twittada, sim”

12/12/2010 pelo Wiki Repórter Johan, Fortaleza – CE, no Brasil Wiki

O argumento básico do artigo “a revolução não será twittada” é de que a mesma ferramenta que pode servir aos pró-democracia pode ser usada por governos que o texto considera “anti-democrático” ou pelo o que o texto chama de “radicais”. Não é por acaso que justamente agora com a iniciativa do Wikileaks e a mobilização mundial contra perseguição de Assange é que surja esse artigo e seja prontamente reproduzido por mídias ultra-conservadoras como o Estadão. É óbvio que um texto como esse apenas confirma os preconceitos de certos leitores e a contribui ainda mais para o descrédito de jornais como Estadão, pois quem participa e acompanha as mídias sociais já conhecem seu poder, inclusive sem sobestimá-lo ou superestimá-lo.

Ora, o fato de que uma ferramenta pode ser usado para “o bem ou para o mal” tem pouco a dizer sobre sua inviabilidade transformadora. O texto é paradoxal pois ao mesmo tempo que define a dubiedade do poder das mídias sociais, inclusive destacando que os presidentes do império americano são todos favoráveis, afirma que ela expoe seus militantes a perseguição, justamente por dar de graça uma informação que antes teria sido arrancada por longas sessões de tortura.

Tal crítica parte da idéia de que a conspiração seja um método viável de transformação social, é justamente isso que é falso e se mostrou um fiasco nos levantes estudantis da década de 60. A crítica contra essa visão anarquista-carbonária de grupos conspirativos derrubando governo já se encontram no cerne da crítica de Marx ao defender no Manifesto o movimento público, massivo e explícito – ou quando ele diz, “nós comunistas não disfarçamos” e coisas do tipo. O método conspirativo sempre fracassou, desde os templários até os maçons, e mesmo quando chegou a ocupar posições de poder, pouca transformação realizou.

A revolução é um movimento de massa, público e manifesto, e uma ferramenta em que expande os limites da expressão e da comunicação social com certeza beneficia as chances de uma revolução. Ela acelera o processo de hegemonização e destroi os mediadores implicados aos interesses conservadores. O que a internet e suas redes fazem não é a revolução, mas dinamizar os processos imanentes, ela é uma ferramenta, uma “arma da crítica” com maior poder de ataque, o sujeito da história serão sempre os povos, serão os que empunharão as armas. Com a internet os povos de todo o planeta tem como se comunicar de modo mais imediato, acessível e amplo. O processo é então acelerado, a internet é apenas o meio que o potencializa.

Obviamente, qualquer fetichismo com relação a internet em si cairá por terra se não for desalienado seu conceito, o de ser um meio de comunicação que rompe em todos os sentidos os limites das velhas mídias. A internet já está mudando o mundo, quem acompanhou as últimas eleições brasileiras viu isso, quem vê um império ser desnudado da forma como está sendo pela primeira vez na humanidade não pode se negar a ver que algo mudou e muito.

A internet é irregulável, ela é uma criação militar americana que tem como característica básica o seu elemento descentralizador, a incapacidade de ser dinamitada por sua formação em rede. Se destrói um terminal, mas as outras continuam funcionando normalmente. As mídias uma vez tentaram fazer o mesmo com o video game quando este começou a tomar espaço na audiência das tvs, cheguei a ver no Brasil alguns Globo Reporter aonde os video games apareciam como doenças perigosas, o que conseguiram com isso? Houve algum retrocesso no avanço dos video games? A internet é a democracia plena da informação, e quanto mais os computadores forem se massificando e a banda larga se barateando, mais e mais a cara da internet terá a composição social do mundo e dessa forma, melhor representados estarão os trabalhadores e os mais pobres. Isto é, a internet se iniciou como algo elitizado, e o avanço tecnológico está a popularizando, está armando os oprimidos e é isso que está provocando essas convulções.

Quando um grande jornal conservador lança espaço de seu jornal para um artigo de um russo afirmando que a “revolução não será twittada”, considerando ainda que o título parodia um documentário que jamais noticiaram por desmoralizar seu discurso “anti-chavista”, com isso acabamos de encontrar a maior evidência de que ela é realmente revolucionária, muitíssimo revolucionária, algo que nem uma mídia conservadora consegue mais ignorar, a ponto de partir para a propaganda.


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