É urgentíssimo se fazer uma cirurgia bariátrica em nossa mídia

Com atraso posto a nova crônica de Lelê Teles, mas prometo que valerá a espera. Desta vez o caso é tão patético, mas tão patético que Lelê tem toda a razão, as barrigas da mídia brasileira só mesmo com redução do estômago para resolver: menos publicidade governamental para uma mídia que não faz jornalismo, faz […]

Com atraso posto a nova crônica de Lelê Teles, mas prometo que valerá a espera. Desta vez o caso é tão patético, mas tão patético que Lelê tem toda a razão, as barrigas da mídia brasileira só mesmo com redução do estômago para resolver: menos publicidade governamental para uma mídia que não faz jornalismo, faz política fanfarrona, com fanfarrões no MP que a leem e dão trabalho aos funcionários do Itamaraty.

Para entender o tamanho da barriga vexatória seguem duas matérias:O Brasil venezuelano e a volta do FEBEAPA;  A fase oral que não passa

SOBRE LUNÁTICOS, IMBECIS E PARANOICOS

Por Lelê Teles

29/11/2014

Dizem que feliz é aquele que já acorda a gargalhar.

Mas a gente não ri só de alegria. Nesse momento, me sinto um daqueles cabras que assistem vídeos de acidentes domésticos para rir da desgraça alheia.

Explico-me. Hoje, logo ao despertar, antes dos exercícios para alongar a coluna dorsal, deparo-me com essa no Tijolaço: “Procurador da República em Goiás, Ailton Benedito de Souza, expôs o MPF ao ridículo ao agir contra decisão do governo venezuelano de convocar 26 jovens do Brasil para compor uma tal Brigadas Populares de Comunicação”.

Você sabe, o Estado Islâmico está a recrutar cidadãos ingleses, na flor da idade, para a terrível guerrilha fundamentalista. Não seria nada estranho que o Estado Bolivariano estivesse a fazer o mesmo com ingênuos jovens petralhas.

Foi pensando nisso, quem não o pensaria, que o heroico procurador goiano vestiu sua capa, botou a cueca pelo lado de fora da calça, meteu nos olhos uma viseira e, alucinado, envenenado como todo midiota ao ouvir falar em Venezuela, saiu a procurar chifres em cabeça de cavalo.

E fez o que qualquer super heroi que se preze faria, mandou uma intimidante intimação ao nosso Itamaraty!

Sufocado pela gravata que usa em pleno deserto do cerrado, o goiano deu dez dias para o nosso desocupado Itamaraty levantar a identidade da garotada patrícia – delírio dele – e impedir que os nossos jovens ingressem no abominável exército bolivariano.

O diabo, previdente internauta, é que o procurador tem um péssimo faro pra perdigueiro, ele leu uma noticiazinha na internet e agiu midioticamente. Veja que coisa vexosa.

O Brasil, ao qual se referia o informe, é um mero bairro popular, uma quebrada, lá mesmo na Venezuela!

patético

Pelas barbas de Bin Laden.

O Globo, veja que o goiano não está só, chegou ao disparate de chamar os venezuelanos de brasileiros. Pode isso, Arnaldo?

Pode, responde o arbitrário juiz, tudo bem pra quem publicou uma entrevista com um sósia de Felipão como se fosse o próprio Big Phill a falar.

Para impedir barrigas como essas será necessário, e urgentíssimo, se fazer uma cirurgia bariátrica em nossa mídia.

Ventilada aos quatro pontos cardeais do planeta, a trapalhada deu motivo para que o mundo inteiro acordasse hoje a gargalhar de Goiás, do Brasil e do patético promotor.

Essa bravata, vergonhosa, me fez lembrar do cãomunista Roberto Freire.

Certa vez o intrépido pernambucano leu uma noticiazinha no site G17 que afirmava ter Dilma cunhado uma herética frase endeusando Lula, o sapo barbudo, em uma cédula de 3 reais.

Quem não se indignaria?

Freire, como um patético patriota, foi ao twitter e denunciou ao país, em menos de 140 caracteres: “Isso é uma ignomínia! Dilma pede e BC coloca em circulação notas com a frase Lula Seja Louvado”.

Louvado seja o nosso senhor Jesus Cristo, como o ódio cega as pessoas.

Que vontade de fazer como o Mestre da Galileia, cuspir nas mãos cheias de barro, esfregá-las e friccioná-las nos olhos destes cabras para ver se a luz penetra.

É muita treva a nos atravancar.

Palavra da salvação.

Lelê Teles

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Maria Frô

Historiadora, pedagoga, educadora, formadora, blogueira, autora de coleções didáticas e séries para a televisão.

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