Blog da Maria Frô

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11 de agosto de 2010, 16h36

Eduardo Castro: Massacre, Genocídio

Belo post do Eduardo Castro que trago um trecho para cá. Vá lá no Elefante News ler o resto do relato de quando ele estava em início de carreira e cobriu a tragédia que foi o massacre de Eldorado dos Carajás, vale a pena.

Em 1996 fui enviado a Eldorado dos Carajás, no interior do Pará, para cobrir o massacre dos trabalhadores sem-terra. Eu era um menino – tinha 22 anos, e foi minha primeira grande cobertura nacional. Inesquecível por isso. Mas não só.

Logo ao chegar pela estrada, vindo de Carajás, a tal “Curva do S” tinha velas dos dois lados da pista. Foi ali que os trabalhadores rurais foram encurralados pela polícia. Uma imagem difícil de esquecer.

Era uma quinta-feira. O massacre foi na terça. A notícia levou um dia pra sair daquele canto do mundo e chegar às redações. Quando eu cheguei, os corpos já estavam no IML de Marabá, para serem identificados e periciados.

Sebastião Salgado, 1996.

Foram liberados só dois dias depois, no sábado. Vieram em cima de um caminhão, cobertos com bandeiras do MST. Quando ele parou, subi no estribo de trás da carroceria e vi os caixões um do lado do outro. Não fui o único, claro. Sebastião Salgado imortalizou esse momento com um foto preto e branco, lindíssima, que correu o mundo – e está aí em cima.

Algumas horas depois, do velório, entrei ao vivo na Rádio Bandeirantes por um telefone rural (não tinha celular na região na época). Sob minhas palavras, apareceu um som diferente, constante, quase um zunido. Antes de entrar no ar, o técnico me perguntou se eu podia sair de perto da máquina que estava causando aquele som. Só que não era máquina – era o choro das mães, esposas e filhas dos mortos naquela chacina.

Leia o restante, aqui.

Veja também:  "Rondônia está morrendo sufocada": moradores sofrem com incêndio de 15 dias em reserva MST

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