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05 de julho de 2010, 22h48

Fátima Oliveira: Os suplícios de ser cliente da OI

Sob a mira do “navegador” e da tortura moral de ser cliente Oi
FÁTIMA OLIVEIRA*

Desde 11 de junho estou sem acesso à internet e TV a cabo. No dia 13 fiquei sem TV, internet e telefone, que no ano passado emudeceu dias e dias por não-manutenção dos fios na rua, disse o técnico! Sou cliente de uma empresa sem dono, sem prepostos, sem responsáveis e que não se acanha da práxis de causar danos materiais e morais; e a maioria dos funcionários não fornece nomes completos (“é norma da empresa”). Quem não se identifica devidamente não está apto a lidar com o público e se vale da impessoalidade para nos desrespeitar.

Desde 12 de junho registrei mais de 50 protocolos da mesma queixa. Enviaram zilhões de “pulsos” e cinco “equipes técnicas” à minha casa. A primeira, cinco dias após a queixa! Trocou umas pecinhas do modem e desde então a internet volta, religiosamente, de meio-dia às 15h ou 16h e, quando some, as TVs enlouquecem como que por encanto! Nenhuma “pega” os canais e a imagem a que tenho direito. A “equipe técnica” boiou. Ao comunicar, ouvi que a “norma da empresa” era agendar a segunda visita para o dia disponível: 25 de junho! “O defeito é na rua”. Resolveriam naquela noite! Papo pra vaca dormir.

“Você não entendeu! O problema do dia 11 não foi solucionado! Entrei na espera da agenda da Oi de 11 a 16, daí a 25! Os técnicos boiaram! Como entrar na fila outra vez?” Suspiros de desdém… “Senhora, é o procedimento. Tem de entrar na disponibilidade da agenda. Não há outro! Ou continuará sem internet! Escolha! Se não tiver quem receba a equipe, pagará R$ 30! Acompanhe. Exija ver a peça nova e a velha!” É desaforo demais. Além de lesada pela Oi, devo fiscalizar sua equipe técnica!

O pior é a Oi autorizar entrar em minha casa gente em quem ela não confia. É um absurdo naturalizado e banalizado por quem deseja instalar um programa espião para vigiar sua clientela (“Navegador”, da Phorm), surrupiar e vender os dados obtidos – invasão de privacidade que não podemos permitir! “Cadê seu supervisor?”. A resposta padrão: “Não adianta falar com o supervisor; quem passa os problemas sou eu. Ele não atende cliente!”. Durante o dia, em geral, está em reunião e à noite em “outra operação”. Só falei com um supervisor três vezes e… nada!
Por mais de 20 vezes tentei cancelar o contrato, em vão! Enfim, no dia 29 consegui falar no “cancelamento do contrato”. O atendente, “todo ouvidos”, se disse incrédulo: “Desconheço cliente Oi que ficou tanto tempo sem internet”. Seeeeei! Fiz de conta que acreditei porque insisto em crer no ser humano e em outras operadoras o descaso é similar. Pediu um tempo para consultar a supervisora. Fui convencida de que no dia seguinte tudo seria resolvido, “embora a senhora esteja agendada para o dia 1º”. (Ô favorzão!).

Após 19 dias, formularam uma hipótese, a mesma chutada, por telefone, por um atendente na primeira semana: “Deve ser o cabo. É preciso trocá-lo”. Os demais diziam ser “intermitência” (com hora marcada?). “Vamos trocar o cabo”. Quando? “Espere dois a três dias!” Em 1º de julho, nova visita que, conforme o técnico, foi engano. Ele faria o diagnóstico que, pela nota de serviço, fora realizado no dia anterior. “Aguarde a troca do cabo”.

Trocaram o cabo no dia 3 e continuo desplugada! É incompetência técnica demais. A quem queixar, além do bispo? Há alguma autoridade que tenha coragem de dar um basta à atitude contumaz da Oi de tripudiar dos clientes? Os fatos atestam que uma empresa da dimensão da Oi possui igual incapacidade de resolutividade técnica.

Fátima Oliveira é médica – fatimaoliveira@ig.com.br
Publicado em: 06.07.2010 em: O Tempo
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