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05 de junho de 2010, 22h15

Haneen Zuabi, deputada palestina, sobrevivente do ataque à Flotilha ameaçada de morte

Quando vi este vídeo aqui, fiquei chocada com o comportamento dos parlamentares israelenses. Consegui um tradutor e pude ver o nível de agressividade dos sionistas no Parlamento de Israel a quem se opões às suas ações sionistas. Se parlamentares agem assim, como agiriam os cidadãos comuss israelenses estimulados ao ódio noite e dia por uma propaganda que prega medo e terror e elegem os palestinos como ‘terroristas’ desde criancinhas?

Ao ler a matéria em The Guardian que cito no respectivo post, chamei a atenção para o fato de a deputada palestina sobrevivente do ataque à Flotilha da Liberdade estar sob proteção armada, pois sofre ameaça de morte.

A Caia Fittipaldi acaba de traduzir o artigo em questão. Reproduzo-o a seguir.

Deputada palestina, sobrevivente do ataque à Flotilha, ameaçada de morte em Israel
Por  Rachel Shabi, The Guardian (de Jerusalém)

Tradução: Caia Fittipaldi

3/6/2010

Haneen-Zuabi

Haneen Zuabi (direita), que representa o partido nacionalista árabe Balad no Parlamento de Israel, é agredida por Anastassia Michaeli (ao centro), do ultranacionalista Partido Yisrael Beteinu (“Israel Nosso Lar”, sionista, de Avignor Liberman) Foto David Vaaknin/AP

Diferente de outros ativistas da Flotilha de ajuda a Gaza, que já voltaram para casa, uma ainda enfrenta ameaças de agressão e morte em Israel. Haneen Zuabi, deputada palestina do Parlamento (Knesset) israelense, que estava a bordo do Mavi Marmara, vive agora sob escolta armada, depois de 500 pessoas, numa página do Facebook, a terem condenado à morte e pedido sua execução.

Em acalorada sessão no Parlamento, em 02/06/2010, Zuabi foi atacada e expulsa com violência da sala, sob gritos de “Volte para Gaza, traidora.”

A deputada, de 41 anos e membro do partido árabe nacionalista Balad também tem recebido ameaças de morte por telefone e e-mail. “Não tenho medo”, disse ela, falando de sua cidade natal, Nazaré, no norte de Israel. “Isso sempre foi assim, aqui. As ameaças só se tornaram mais frequentes e mais agressivas.”

Zuabi enfrenta hostilidade frequente, por ter participado da Flotilha de auxílio a Gaza, numa crescente atmosfera de terror, estimulada por Israel, que tem apresentado o ataque como ataque premeditado para matar soldados israelenses, por ativistas armados, que viajavam nos barcos.

Israel queria que tivesse havido número maior de mortos, para nos aterrorizar e aterrorizar outros que se organizam hoje para enviar outros comboios de ajuda a Gaza, e que tentem furar o bloqueio de Gaza”, disse a deputada a jornalistas, essa semana.

Zaubi disse que os barcos da marinha cercaram o Mavi Marmara e atiraram sobre ele antes dos soldados descessem do helicóptero e chegassem a bordo. Ela foi para baixo, no porão do navio, e disse que, em minutos, dois passageiros mortos foram trazidos para dentro, seguido de mais dois que foram seriamente feridos. Os soldados recusaram seus apelos de assistência médica para os passageiros feridos, que morreram logo em seguida.

Zuabi – conhecida em Israel por ser falante articulada do hebraico –, disse que os soldados ordenaram que ela traduzisse suas instruções. De início, ela recusou-se. “Gritei para eles: por que não me pediram que traduzisse, antes de vocês matarem essas pessoas?” Depois, deu-se conta de que, traduzindo, talvez evitasse mais mortes. “Meu medo era que dificuldades de idioma e o pânico  provocassem mais mortes”, disse ela. “Todos no barco estavam em pânico, muita gente gritava e chorava. Senti-me responsável por eles.”

Zuabi passou as horas seguintes passando as instruções dos israelenses aos passageiros, caçados dentro do navio, ao mesmo tempo em que pedia que os soldados socorressem os feridos, que oferecessem água, remédio, e que todos rezassem.

Desembarcada com os demais no porto de Ashdod, na 2ª.-feira, Zuabi, que goza de imunidade parlamentar, foi mantida incomunicável e interrogada três vezes, antes de ser libertada. Os outros quatro cidadãos palestinos-israelenses que estavam a bordo dos barcos da Flotilha foram libertados hoje pela manhã, da prisão de Ashkelon, mas permanecem em prisão domiciliar até a próxima semana. Não foram formalmente acusados.

Depois de ter sobrevivido a uma situação em que, segundo sua avaliação, teria “50% de chances de sair viva”, Zuabi diz que agora enfrenta outro tipo de ameaça, “de ideias racistas, que se tornaram muito violentas.”

Zuabi foi eleita no ano passado e, como primeira mulher representante de partido árabe no Parlamento de Israel, entende que seu apoio à campanha “Gaza Livre” é parte de luta mais ampla por democracia, contra qualquer discriminação por gênero ou raça em Israel.

Disse que ainda não teve nem coragem nem tempo para pensar sobre os eventos violentos a bordo do Mavi Marmara. “Não me saem da cabeça as imagens dos mortos, mas ainda nem chorei. Tenho de me manter forte, nessa onda de ameaças que começou contra mim.”


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