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10 de julho de 2011, 12h22

História: traços da presença nazista no Nordeste do Brasil

Recife foi aonde se instalou a colônia judaica mais antiga de nosso território (desde pelo menos os século XVII) e  de acordo com pesquisas recentes cuja matéria reproduzo a seguir, na década de 1930, abrigou uma colônia nazista.

Estive em Natal, RN em abril deste ano e lá também podemos ver até hoje registro da presença de adeptos do nazismo. Em Natal os admiradores de Hitler eram de origem italiana:

Bar do Consulado, bairro Ribeira, centro histórico de Natal, abril de 2011. Foto: Conceição Oliveira

A Ribeira era um bairro de intensa frequência dos pracinhas estadunidenses durante a Segunda Guerra mundial e também o local do sobrado do italiano Guglielmo Lettieri – um rico comerciante dono da Cantina Lettieri e da única fábrica de gelo da cidade de Natal na década de 1930. Fascista e admirador do nazismo, Guglielmo se estabeleceu em Natal nas primeiras décadas do XX, no sobrado situado à Rua das Virgens, nº 184 – das principais artérias da cidade. A área preservada com o piso da suástica era parte de sua sala. (Leia mais aqui)

Os seguidores de Hitler em Pernambuco
Por: Cláudia Eloi e Suetoni Souto Maior, no Correio Braziliense, via Clipping Planejamento
10/07/2011

Resgate de documentos da década de 1930 mostra como os alemães se fixaram com o objetivo de expandir o nazismo fora da Europa

Recife — Prédio com tijolos e mobília requintada, ao gosto da arquitetura e da decoração germânicas, combinadas com uma grande bandeira com a suástica, estrategicamente colocada na área central de uma das paredes da sala. No local, uma concorrida reunião do Partido Nazista, iniciada com a tradicional saudação “heil Hitler”, numa referência ao Terceiro Reich. Nos planos, a expansão da ideologia nazista no Brasil e na América Latina.

Apesar de a descrição acima sugerir um encontro na distante e fria Berlin, na Alemanha, o local fica bem mais próximo: o palacete pertencente à família Lundgren, em Paulista (PE), região metropolitana do Recife. O casarão, assim como a fábrica, era usado como uma espécie de “quartel general” pelos integrantes do Partido Nazista em Pernambuco.

Os encontros ocorreram de 1932 a 1938, quando a existência do movimento foi proibida em solo brasileiro. A partir daí, eles passaram à clandestinidade e foram acompanhados de perto, na época, pelo serviço de espionagem brasileiro. O governo federal queria estar a par de qualquer movimentação, e cada passo dos alemães era cuidadosamente registrado.

Oficialmente, os alemães foram a Pernambuco para trabalhar na Fábrica de Tecidos Paulista, que deu origem à rede de lojas Casas Pernambucanas, de propriedade dos Lundgren. Mas algumas reuniões, de acordo com os arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), tinham como propósito difundir entre os “espiões nazistas” a propagação da ideologia de Hitler, os planos de expansão do regime e os preparativos para a Segunda Guerra Mundial.

O tema vai ilustrar a exposição Nazismo em Pernambuco, que está sendo organizada pelo Arquivo Público do estado, com base em dados do Dops, responsável pela espionagem durante o período. O evento ocorrerá em agosto e pretende recontar a história da presença nazista no estado, mostrando as atividades partidárias e a espionagem, além da atuação do Dops na vigilância ostensiva aos estrangeiros, seguida de perseguições e prisões.

Inimigo
Com a mudança de lado do ex-presidente Getúlio Vargas, que passou de simpatizante a inimigo do nazismo, em 1942, já com a guerra em curso, por pressão do governo americano, diversos alemães foram levados ao campo de concentração batizado de Chã de Estevam, em Araçoiaba, antigo distrito de Igarassu. “O Dops de Pernambuco, além de caçar comunistas, teve forte atuação na perseguição dos supostos espiões nazistas. Não eram apenas os funcionários da fábrica. Muitos deles atuavam como empresários, em instituições financeiras, no comércio e na indústria”, explicou o chefe de apoio técnico do Arquivo Público do Estado, Roberto Moura.

Na exposição, que será realizada na sede do Arquivo Público, no centro do Recife, os visitantes poderão visualizar fotos de integrantes do partido nazista, mapas, plantas da cidade, de Fernando de Noronha e do Rio de Janeiro, além da carteira do partido nazista, passaportes, broches, pôsteres de Hitler e um bracelete original com a suástica, totalizando mais de 300 peças.

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