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19 de fevereiro de 2011, 13h43

Iraque: o que os Estados Unidos fizeram por lá desde 2003?

O Iraque tomado por protestos
Por: Juan Cole, no Informed Comment Tradução: Vila Vudu
18/2/2011


Fontes da Imagem deste post: Reuters

O que não consigo entender é que, se a direita dos EUA conseguiu fazer o que George W. Bush disse que faria, ‘deu o pontapé inicial’ para implantar alguma democracia no Oriente Médio, com invasão e ocupação militar, e já se declara pronta para sair de lá, com a missão cumprida… POR QUE, então, as multidões estão hoje na rua, queimando prédios do governo ‘democrático’… no Iraque?! E por que cinco pessoas foram mortas há dois dias no Iraque, por se manifestarem nas ruas, o mesmo número de mortos oficiais que se contaram nas manifestações populares contra uma monarquia ditatorial e repressiva, como a do Bahrain?

Os iraquianos estão nas ruas, em manifestações contra o governo de al-Maliki e a falta de serviços públicos, já há duas semanas. Mas na 5ª-feira, uma onda de manifestações varreu todo o país, de norte a sul, deixando dois mortos em Sulaimaniya e prédios governamentais em ruínas em todo o país (em árabe, aqui).

O jornal Al-Hayat noticia em árabe que a cidade de Kut, no sul xiita do Iraque (a capital da província de Wasite), multidões ameaçaram o quartel-general da província. A ação aconteceu um dia depois de o prédio do concelho provincial ser queimado; três manifestantes foram mortos pelas forças de segurança.

O canal Euronews mostrou em vídeo, na 4ª-feira, os eventos em Kut:

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Veja também:  Governo israelense veta entrada de democratas e Trump comemora: "São o rosto do Partido Democrata e eles odeiam Israel"

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O parlamento iraquiano marcou para o sábado o início de uma série de reuniões para discutir os protestos. O primeiro-ministro Nuri al-Maliki advertiu que forças sinistras, incontroláveis, tentam manipular as legítimas demandas do povo, para promover seus objetivos nefandos.

Em Kut na 3ª-feira, dúzias de manifestantes reuniram-se à frente da mansão do governador da província de Wasit, exigindo a demissão do governador local (aqui). Querem melhores serviços públicos, o fim da corrupção no governo (os funcionários da administração provincial cobram propinas para executar todas as tarefas públicas), julgamento e punição para os corruptos e empregos. Na 4ª-feira, a polícia matou três manifestantes e feriu vários em Kut, depois de um prédio do governo ser queimado.

Na 3ª-feira, na cidade de Nasar, na província de Dhi Qar, a 490 km ao sul de Bagdá, o chefe de polícia Sabah al-Fatlawi disse que havia sido imposto um toque de recolher, depois de vários prédios do governo terem sido incendiados.

Também na 3ª-feira, cerca de 600 manifestantes em Basra, cidade portuária do sul do Iraque, reuniram-se à frente da residência do governador provincial, exigindo sua renúncia, pelo fracasso da administração e inexistência de serviços públicos básicos. A manifestação foi dissolvida pela polícia.

O jornal Al-Hayat noticia que médicos informaram que houve dois mortos e mais de 30 feridos em Sulaimaniya, quando cerca de 3.000 manifestantes reuniram-se para exigir que o governo regional do Curdistão dê atenção aos problemas de desemprego e passe a trabalhar para melhorar as condições de vida dos moradores da região. A manifestação foi convocada pela “The Network for Safeguarding Rights and Liberties” – que protestava contra o governo autoritário dos dois partidos curdos reunidos na “Aliança Curda” de governo. No Iraque, os partidos políticos são máquinas de apadrinhamento, que excluem os não-membros de todos os benefícios e serviços. A manifestação exigia a deposição do governo e o fim da corrupção.

Na 2ª-feira, o clérigo xiita Muqtada al-Sadr convocara uma manifestação pacífica contra o que chamou de “continuada ocupação do Iraque pelos EUA”. Os Sadrists são a base de praticamente todas as manifestações nas cidades do sul do Iraque (em árabe, aqui).


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