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14 de outubro de 2011, 09h42

José Dirceu: Qual o projeto político de Aécio Neves para o Brasil?

Sem diálogo com agenda nacional?

Por José Dirceu, WSCom

13/10/2011


Foto: Conceição Oliveira, durante a festa dos 10 anos da Fórum.

Foi reveladora a entrevista do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao jornal O Estado de S.Paulo, por dois motivos: porque, ao final de outubro, completaremos apenas um ano das eleições presidenciais de 2010, mas Aécio já se coloca como candidato a presidente em 2014; e porque o senador não diz qual é o projeto alternativo que sua eventual candidatura representa.

É estranho Aécio querer reorganizar seu partido —e as oposições— sem apresentar um conjunto de propostas. O “auto-lançamento” contradiz com seu discurso de que faz oposição ao PT, mas não ao Brasil. Afinal, nada mais antipatriótico e contrário ao país do que se lançar a presidente, tentando precipitar de forma tão absurda a corrida presidencial, quando o mundo vive grave crise e o Brasil luta para se proteger das consequências.

A entrevista foi concedida em meio ao festival de cooptações de deputados estaduais da oposição pelo governo tucano de Minas Gerais, comandado pelo governador Antônio Anastasia, afilhado político de Aécio. E também em meio à crise das emendas na Assembléia Legislativa de São Paulo, talvez a maior vivida pela instituição. Mas esses assuntos parecem não integrar as preocupações dos tucanos.

Ao término da entrevista, não se sabe o que o único candidato a presidente em 2014 defende sobre reforma política e tributária, divisão dos royalties do petróleo do pré-sal, novas fontes de financiamento para a Saúde e o que o país deve fazer para erguer barreiras à crise internacional. Também não sabemos como Aécio vê o PSDB, que passa por uma crise profunda —como toda a oposição, aliás. O mineiro concorda com os caminhos que o partido vem tomando?

O descolamento do ambiente político foi tamanho que o ex-presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), chegou a dizer que só seu partido faz oposição. Mais uma evidência de falta de rumo das oposições. Assim, as críticas que fazem não se sustentam, nem o discurso de que os avanços do Governo Lula devem-se ao que foi feito na gestão Fernando Henrique Cardoso, porque foram administrações com políticas muito distintas, como ficou claro nas formas de combater as crises econômicas que cada uma enfrentou.

O modelo que propomos é compreendido pela população. Porque desde que chegaram ao governo federal, o PT e os partidos da base aliada iniciaram um conjunto de medidas para ampliar a renda do trabalhador, melhorar a distribuição de riquezas e gerar 15 milhões de empregos. Isso foi feito a partir de um crescimento econômico sustentado e sustentável, permitindo que, via empregos e programas sociais, retirássemos 20 milhões de pessoas da linha da pobreza extrema e levássemos outras 30 milhões para a classe média.

Hoje, temos um mercado interno de massas em formação, pilar fundamental para conseguirmos recuperar e reorganizar nossas cadeias produtivas, voltando-as à exportação. O desafio do Governo Dilma Rousseff, de continuidade às transformações iniciadas há oito anos, é completar esse caminho de redução das desigualdades, mas dar um salto nas áreas de Educação, Saúde, tecnologia e inovação.

Para responder a esses desafios, o Governo Dilma tem uma agenda consistente, que engloba, entre outras iniciativas, os programas “Brasil Sem Miséria”, Pronatec e “Brasil Maior”. No campo econômico, prepara-se o terreno para cortar os juros, controlando a inflação e acompanhando os movimentos cambiais, mas também estimulando as empresas estrangeiras a adotar componentes nacionais, favorecendo a formação de cadeias produtivas em nosso solo.

Há outros assuntos cruciais, como aprovar as reformas política e tributária, avançar na construção de um acordo sobre a partilha dos royalties do pré-sal e preparar o país para a Copa-2014 e as Olimpíadas-2016, colocando-o na rota dos investimentos, com destaque para os de mobilidade urbana e os de saneamento.

Essa é a pauta do Brasil real, cujos temas estão à espera de um posicionamento claro das forças de oposição, em especial, do PSDB. A verdade é que, enquanto eles discutem nomes e furtam-se a debater a agenda nacional, o país vai avançando.

* José Dirceu, 65, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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