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14 de julho de 2011, 12h34

Justiça Chilena recebe os nomes dos pilotos que teriam bombardeado Palácio La Moneda

Nomes de pilotos que teriam bombardeado La Moneda são entregues à Justiça chilena
Por: Victor Farinelli, de Santiago do Chile, especial para o Maria Frô

13/07/2011

Mario López Tobar, Gustavo Leigh Yates, Enrique Montealegre, Fernando Rojas Vender e Eitel von Müllenbrock. Esses seriam os nomes dos cinco pilotos que, segundo os advogados do Movimento Socialista-Allendista, teriam bombardeado o Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro de 1973, durante o golpe que terminaria com a vida do presidente chileno Salvador Allende.

Roberto Ávila, principal advogado allendista que atua na causa, revelou os nomes dos cinco pilotos em coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (13/07). Até então, o único destes nomes que já conhecido pela Justiça chilena era o de Mario López Tobar, que em 1999 lançou o livro “El 11 en la mira de un Hawker Hunter”, no qual dava detalhes de como foi a operação, mas não revelava os nomes dos demais pilotos envolvidos.

Ávila declarou que vão esperar a resolução do ministro da Corte Suprema Mario Carroza, que lidera o caso, mas adiantou que as investigações da Justiça, apesar de ainda não terem a resultado em nenhuma conclusão oficial, trabalham com os mesmos nomes. Após a declaração do advogado, o presidente do Movimento Socialista-Allendista solicitou a colaboração do ministro da defesa, Andrés Allamnd, aafirmando que “são pouco sérias as versões que asseguram que o Ministério da Defesa não possui nenhum documento oficial que contenha os nomes destes oficiais”.

O processo liderado pelo ministro Carroza causou grande comoção no Chile desde o seu início, em janeiro deste ano, por ter aceitado trabalhar com a hipótese de que o presidente chileno Salvador Allende não teria se suicidado, e sim haveria sido assassinado pelos golpistas. Em março, foram incluidas as investigações com respeito a identidade dos pilotos, devido a uma reportagem publicada na revista Qué Pasa, pelo jornalista Juan Pablo Salaberry, que revelava a existência de um pacto de silêncio entre os pilotos envolvidos na operação e o alto comando das Força Aérea Chilena (FACh) naquele então.

O protagonista da reportagem, foi o então general Fernando Matthei (ex-ministro de saúde do Governo Pinochet e pai da atual ministra do trabalho Evelyn Matthei), que foi levado aos tribunais, na semana passada, para esclaracer suas declarações publicadas na reportagem, a respeito do pacto de silêncio. Matthei negou a existência do segredo e disse que tampouco sabia a identidade dos pilotos que participaram da operação.

Em 1973, Fernando Matthei era o segundo general em importância na hierarquia da FACh, e responsável direto pelo treinamento dos pilotos a cargo dos aviões Hawker Hunter, usados no bombardeio do Palácio de La Moneda durante o golpe militar. O general maior da FACh naquele tempo era Gustavo Leigh Guzmán (pai de Gustavo Leigh Yates, um dos nomes apresentados hoje pelos advogados allendistas), falecido em 1999 – curiosamente, dias depois do lançamento do livro de López Tobar.

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